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A subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva encerrou uma carreira de 31 anos na Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Transferida para a reserva, ela afirma ter sido a primeira mulher trans da corporação mineira e usou a despedida para defender mais oportunidades para pessoas trans no mercado de trabalho.
Subtenente Juliana se aposenta após 31 anos na PMMG e destaca trajetória como mulher trans.
Juliana ingressou na PMMG em 1º de agosto de 1995, diretamente como sargento, após participar do Curso de Formação de Sargentos Músicos. Apesar da ligação inicial com a banda da corporação, ela relata ter desempenhado diferentes funções ao longo da carreira, com participação em patrulhamentos, operações, segurança de eventos e ocorrências envolvendo rebelião em penitenciária. Toda a trajetória profissional ocorreu em Uberlândia.
A transição de gênero aconteceu enquanto Juliana ainda estava na ativa. Segundo o relato da subtenente, a terapia hormonal começou em 2023. Posteriormente, ela passou por procedimentos cirúrgicos e comunicou a transição à chefia antes de retornar ao trabalho apresentando-se profissionalmente como mulher trans.
Transição ocorreu durante a carreira militar.
Foto: Reprodução/FRAME VIDEO
Juliana afirma que permaneceu cerca de 11 meses na PMMG após a transição e que, nesse período, não sofreu ataques, humilhações ou perseguições dentro da corporação. Ela descreveu a convivência com os colegas como respeitosa e avaliou de forma positiva o período final da carreira.
Durante a pandemia de Covid-19, a militar também passou a atuar em um programa de acolhimento voltado a policiais e familiares. Depois, permaneceu trabalhando na área da saúde da corporação até a transferência para a reserva.
Pessoas transgênero precisam apenas de oportunidade
Ao comunicar a aposentadoria, Juliana resumiu a mensagem que pretende levar para a nova fase da vida: “Pessoas transgênero precisam apenas de oportunidade”. Ela também dedicou a conquista à mãe e homenageou mulheres trans e travestis vítimas da violência e aquelas que, segundo ela, lutaram pelo direito de existir.
Com a carreira militar encerrada, a subtenente afirma que pretende compartilhar a própria história para mostrar a outras pessoas trans que é possível ocupar diferentes profissões e chegar a espaços de destaque e comando. Para Juliana, a aposentadoria representa a sensação de dever cumprido após mais de três décadas de serviço na Polícia Militar.