Subtenente Juliana Vittoria encerra carreira de 31 anos na PMMG em Uberlândia

Primeira mulher trans da corporação, segundo ela, militar passou para a reserva e defendeu mais oportunidades para pessoas trans no mercado de trabalho.

02/09/2026 às 11:28 por Redação Plox

A subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva encerrou uma carreira de 31 anos na Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Transferida para a reserva, ela afirma ter sido a primeira mulher trans da corporação mineira e usou a despedida para defender mais oportunidades para pessoas trans no mercado de trabalho.



Subtenente Juliana se aposenta após 31 anos na PMMG e destaca trajetória como mulher trans.

Vídeo: Reprodução/Redes Sociais/ juliana_plenitude/Instagram



Juliana ingressou na PMMG em 1º de agosto de 1995, diretamente como sargento, após participar do Curso de Formação de Sargentos Músicos. Apesar da ligação inicial com a banda da corporação, ela relata ter desempenhado diferentes funções ao longo da carreira, com participação em patrulhamentos, operações, segurança de eventos e ocorrências envolvendo rebelião em penitenciária. Toda a trajetória profissional ocorreu em Uberlândia.

Transição ocorreu durante a carreira militar

A transição de gênero aconteceu enquanto Juliana ainda estava na ativa. Segundo o relato da subtenente, a terapia hormonal começou em 2023. Posteriormente, ela passou por procedimentos cirúrgicos e comunicou a transição à chefia antes de retornar ao trabalho apresentando-se profissionalmente como mulher trans


Transição ocorreu durante a carreira militar.

Foto: Reprodução/FRAME VIDEO


Juliana afirma que permaneceu cerca de 11 meses na PMMG após a transição e que, nesse período, não sofreu ataques, humilhações ou perseguições dentro da corporação. Ela descreveu a convivência com os colegas como respeitosa e avaliou de forma positiva o período final da carreira.

Durante a pandemia de Covid-19, a militar também passou a atuar em um programa de acolhimento voltado a policiais e familiares. Depois, permaneceu trabalhando na área da saúde da corporação até a transferência para a reserva.

“Pessoas transgênero precisam apenas de oportunidade”

Pessoas transgênero precisam apenas de oportunidade

Ao comunicar a aposentadoria, Juliana resumiu a mensagem que pretende levar para a nova fase da vida: “Pessoas transgênero precisam apenas de oportunidade”. Ela também dedicou a conquista à mãe e homenageou mulheres trans e travestis vítimas da violência e aquelas que, segundo ela, lutaram pelo direito de existir.

Com a carreira militar encerrada, a subtenente afirma que pretende compartilhar a própria história para mostrar a outras pessoas trans que é possível ocupar diferentes profissões e chegar a espaços de destaque e comando. Para Juliana, a aposentadoria representa a sensação de dever cumprido após mais de três décadas de serviço na Polícia Militar.




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