Nikolas Ferreira puxa coro contra Moraes durante ato na Avenida Paulista
Manifestação liderada por Flávio Bolsonaro em São Paulo (SP) reuniu críticas ao ministro Alexandre de Moraes e promessas sobre indicações ao STF.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende manter o governo federal fora da crise que envolve os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A orientação atribuída ao Palácio do Planalto é tratar o episódio como uma questão interna da Corte, sob responsabilidade do presidente do tribunal, Edson Fachin. A informação foi publicada nesta quarta-feira (2) pela coluna PlatoBR, do Estado de Minas.
Lula e Moraes
Foto: Ricardo Stuckert./STF/Carlos Moura/SCO/STF
A postura representa uma tentativa de evitar que Lula seja diretamente associado a um dos lados da disputa. Segundo a reportagem, integrantes do governo foram orientados a não se manifestar publicamente sobre o embate. O UOL também informou que a campanha de Lula pretende evitar uma defesa direta de Moraes ou um confronto com Mendonça.
Nos bastidores, porém, auxiliares de Lula ouvidos pelo Estado de Minas indicam preferência por uma atuação mais direta de Fachin na condução institucional do caso. A avaliação relatada pela coluna é que a intervenção do presidente do STF poderia reduzir a politização das investigações. Oficialmente, não há anúncio do Planalto ou do próprio Fachin nesse sentido. O STF confirma que Fachin ocupa a presidência da Corte desde setembro de 2025.
O impasse ganhou um novo capítulo após Mendonça tornar públicas informações de um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Banco Master. O material aponta supostas interlocuções entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As referências estão sob análise e não representam, por si só, conclusão sobre eventual responsabilidade do ministro.
Nesta quarta-feira, Mendonça também pediu a Fachin a realização de uma sessão presencial do plenário do STF para discutir as mensagens encontradas pela PF. A solicitação amplia o protagonismo do presidente da Corte justamente no momento em que o Planalto tenta se afastar publicamente da crise.
Outra frente da estratégia política é evitar que a crise envolvendo Moraes seja associada diretamente à candidatura de Lula. Aliados do presidente também pretendem cobrar tratamento semelhante para outras frentes do caso Master, incluindo a investigação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, que envolve o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
Até o momento, a linha atribuída ao Planalto é de silêncio institucional sobre o conflito entre os ministros. Com Mendonça pedindo a participação do plenário, os próximos movimentos de Fachin passaram a ser decisivos para definir como o próprio Supremo administrará a crise.