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“Peito de Aço”, do artista mineiro Froiid, reúne trabalhos que podem ser experimentados pelo público e obras do acervo do Centro de Memória Usiminas; visitação é gratuita até 24 de outubro.
Foto: Stella Dutra / Plox Brasil.
Com curadoria de Lucas Menezes, a exposição reúne obras do artista e 11 peças do acervo do Centro de Memória Usiminas. A visitação é gratuita e segue até 24 de outubro. Na abertura, estudantes também participaram de atividades e de uma conversa com Froiid e o curador antes de conhecerem a galeria.
Em vez de limitar o público à observação, “Peito de Aço” convida os visitantes a jogar e interagir com parte das obras. A produção de Froiid transita entre instalações, objetos, jogos, fotografias, vídeos e trabalhos sonoros, explorando a relação entre quem visita, os trabalhos apresentados e o espaço expositivo.
Natural de Belo Horizonte, o artista parte de experiências ligadas à sua própria trajetória, como o futebol de várzea e as partidas de sinuca. Ainda assim, a proposta não se restringe a lembranças pessoais: o foco está em vivências que possam ser identificadas por diferentes grupos e gerações.
Eu penso em memórias coletivas, memórias de grupo, memórias que transpassam uma história e uma construção também de imaginários.
Froiid
Algumas das peças expostas foram criadas há cerca de dez anos. O artista também trabalha com a possibilidade de mudar, ampliar ou tensionar regras conhecidas dos jogos, abrindo espaço para novas formas de participação e interpretação. A intenção, segundo ele, é que estudantes e demais visitantes se divirtam, mas também encontrem caminhos para refletir sobre o cotidiano.
Froiid - Artista.
Futebol aparece como espaço de memória e encontro
Embora a mostra não seja dedicada exclusivamente ao esporte, o futebol tem presença marcante no repertório de Froiid. O artista cresceu em um ambiente familiar ligado ao futebol de várzea, marcado não apenas pelas partidas, mas por práticas e encontros que aconteciam ao redor delas, como a lavagem de uniformes e as noites de sinuca.
Essas lembranças ajudam a sustentar uma reflexão sobre relações sociais e formas de convivência. Na montagem, inclusive, a disposição das obras remete a uma escalação de futebol: as peças ocupam posições diferentes na galeria e estabelecem conexões entre si.
A organização do espaço aproxima o campo de jogo do ambiente artístico, sem separar a experiência cultural das situações comuns da vida social.
A exposição incorpora trabalhos de Tomie Ohtake, Franz Weissmann, Manfredo de Souza Netto e Nello Nuno, entre outros artistas presentes no acervo do Centro de Memória Usiminas. A inclusão das 11 obras cria um diálogo entre a pesquisa de Froiid e produções já pertencentes à instituição.
Para o curador Lucas Menezes, essa aproximação reforça que a arte não está isolada das experiências coletivas. Elementos que podem parecer complexos, como a geometria, também se revelam em práticas simples e cotidianas — inclusive nos próprios jogos apresentados na mostra.
Lucas Menezes - Curador.
A gerente sênior de Relações Institucionais e Comunidades da Usiminas, Tayná Vieira, afirmou que a montagem permite ao público rever obras do acervo sob outra perspectiva. Pessoas que já tiveram contato com peças no Centro de Memória, por exemplo, poderão encontrá-las em um novo contexto dentro da galeria.
Tayná Vieira - gerente sênior de Relações Institucionais e Comunidades da Usiminas.
Trajetória do artista
Nascido em Belo Horizonte em 1986, Froiid é mestre em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e formado pela Escola Guignard. Sua obra abrange instalações, objetos, jogos, fotografia, vídeo e produções sonoras, com pesquisas voltadas principalmente para as relações entre jogo, arte e cultura popular brasileira.
O futebol de várzea, a sinuca e o jogo do bicho estão entre os universos investigados pelo artista. Em sua trajetória, recebeu o Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais, em 2020, e o Prêmio Sesc Arte na 22ª Bienal Sesc_Videobrasil, em 2023. Também foi indicado ao Prêmio PIPA nos anos de 2022 e 2023.
A mostra ocupa a Galeria do Teatro Usiminas e tem uma característica que quebra a ideia de que, dentro de uma exposição, o visitante deve apenas observar: parte das obras convida o público a interagir e jogar.
Foto: Stella Dutra / Plox Brasil.
“Peito de Aço” permanece aberta até 24 de outubro na Galeria do Teatro Usiminas, em Ipatinga. A visitação acontece de quinta-feira a sábado, das 14h às 20h, com entrada gratuita.
Grupos podem solicitar visitas mediadas e tradução em Libras mediante agendamento prévio pelo WhatsApp (31) 98437-3330.
A realização é do Instituto Usiminas, com patrocínio da Usiminas por meio da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais.