Mensagens indicam que Vorcaro buscou interlocutor atribuído a Moraes antes de prisão

Material recuperado pela PF cita pedidos envolvendo Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, mas não comprova que tenham sido atendidos.

02/09/2026 às 08:34 por Redação Plox


Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, indicam que o banqueiro buscou ajuda de um interlocutor atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar conter ou adiar medidas relacionadas às investigações sobre a instituição financeira. Os pedidos mencionavam o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Conforme as mensagens, o primeiro pedido explícito para que Moraes atuasse junto à cúpula da PF e do Ministério Público ocorreu em 30 de outubro de 2025

Conforme as mensagens, o primeiro pedido explícito para que Moraes atuasse junto à cúpula da PF e do Ministério Público ocorreu em 30 de outubro de 2025

Foto: crédito: Reprodução

O conteúdo veio a público após novos dados da investigação serem divulgados. Reportagens baseadas no material da PF apontam que Vorcaro procurou o contato diversas vezes nas semanas que antecederam sua primeira prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025. Não há, até o momento, demonstração de que os pedidos feitos pelo banqueiro tenham sido atendidos por Moraes, Gonet ou Rodrigues.

Banqueiro pediu que medida fosse adiada

Em uma das mensagens, enviada em 30 de outubro de 2025, Vorcaro afirma que seria necessário reforçar a situação com “Andrei e Paulo”, referências que a investigação associa a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Já em 15 de novembro, dois dias antes da prisão, ele voltou a perguntar se seria possível reverter o avanço das apurações.

No dia seguinte, Vorcaro pediu que uma eventual ação policial fosse adiada para a semana posterior. A justificativa apresentada pelo banqueiro era de que uma intervenção naquele momento poderia provocar a quebra do Master. Outras mensagens reveladas pela investigação mostram que ele também buscava informações sobre possíveis medidas da PF e chegou a questionar, dois dias antes da prisão, se precisaria estar “fora”.

Respostas atribuídas a Moraes não foram recuperadas

Um ponto central da investigação é que parte da comunicação teria ocorrido por imagens de visualização única, com textos produzidos em outro aplicativo e enviados pelo WhatsApp. Com isso, os investigadores conseguiram recuperar conteúdos enviados por Vorcaro, mas não reconstruíram integralmente eventuais respostas do interlocutor atribuído a Moraes.

Por essa razão, o material divulgado permite conhecer os pedidos feitos pelo ex-banqueiro, mas, isoladamente, não comprova que Moraes tenha concordado em intervir nem que qualquer ação tenha sido realizada por Gonet ou Andrei Rodrigues. A Folha de S.Paulo informou ainda que, em determinados trechos, a PF atribui diretamente mensagens a Moraes, enquanto em outros registra apenas a suspeita de que ele seria o interlocutor.

Caso está sob análise no STF

Daniel Vorcaro é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo o Banco Master. O ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso no STF, já determinou medidas cautelares e manteve a prisão preventiva do banqueiro. Em junho, o Supremo informou oficialmente que Vorcaro seria transferido para a unidade da Polícia Militar do Distrito Federal conhecida como “Papudinha”.

As novas mensagens também provocaram questionamentos dentro do Supremo. Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República informações relativas aos diálogos e pediu manifestação sobre o material. Nesta quarta-feira (2), a PGR passou a contestar a condução adotada pelo ministro e pediu a nulidade de decisão relacionada à apuração, acrescentando um novo capítulo à disputa jurídica em torno do caso.

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