Vídeo: defesa contesta condenação de réus por triplo homicídio em Ipaba e anuncia recurso

Advogados afirmam que julgamento teve nulidades, criticam penas e prometem levar recurso ao TJMG

02/10/2025 às 11:35 por Redação Plox

Não foi com alívio que os advogados de defesa deixaram o Tribunal do Júri de Ipatinga após a condenação de dois réus envolvidos no triplo homicídio ocorrido em Ipaba, em 2019. Depois de mais de 14 horas de julgamento, um deles recebeu pena de 93 anos e o outro de 66 anos e 8 meses de prisão. Apesar da longa sessão, a defesa afirma que não há motivos para comemorar e já anunciou que recorrerá da decisão.



Vídeo: Andressa Estevão/PLOX

O crime aconteceu em março de 2019, quando Helizecristian Graziela de Oliveira, de 30 anos, proprietária de um bar, o marido dela, Junio Alves Trega, de 29, e o amigo Washington de Freitas Procópio, de 26, foram mortos a tiros dentro do estabelecimento. A perícia apontou que Helizecristian foi atingida por 17 disparos, Junio por sete e Washington por cinco.



Imagem Foto: Andressa Estevão/PLOX

Segundo os advogados Gerci Moreira, Eliseu Brasil e Leandro Leão, que atuaram na defesa, a condenação não reflete o conteúdo dos autos.
Respeitamos a decisão dos jurados, mas não concordamos com o resultado. Não havia provas consistentes que justificassem penas tão altas. Houve nulidades e irregularidades durante o julgamento, e é por isso que vamos recorrer ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais", afirmou Gerci Moreira.

Vídeo:Andressa Estevão/PLOX


Os defensores destacaram que algumas teses apresentadas foram reconhecidas, como homicídio minorado para um dos acusados e a participação de menor importância para o outro. Ainda assim, consideram que as sentenças foram desproporcionais.
As penas são exacerbadas e não condizem com os elementos apresentados. Além disso, os réus permaneceram algemados durante todo o julgamento, o que é uma afronta ao princípio da dignidade da pessoa humana", disse Eliseu Brasil.

Imagem Foto: Andressa Estevão/PLOX

Leandro Leão reforçou que a investigação apresentou contradições desde o início.
Uma testemunha apontou outra pessoa como autor dos disparos no boletim de ocorrência, mas esse indivíduo não foi indiciado nem denunciado. A Polícia Civil chegou a indiciar oito pessoas, o Ministério Público denunciou seis e apenas quatro foram levados a júri. Entendemos que não havia provas suficientes para condenar todos os acusados", declarou.

Um dos réus, preso há seis anos, perdeu a mãe recentemente, fato lembrado pela defesa como exemplo das dificuldades enfrentadas pela família. Os advogados já registraram em ata a intenção de recorrer, buscando tanto a nulidade do julgamento quanto a redução das penas.


Acreditamos na inocência de nossos clientes e vamos lutar para que a justiça seja feita no TJMG. A decisão não pode permanecer sem revisão diante das falhas que ocorreram", concluiu a defesa.

Enquanto a acusação classificou o resultado como uma resposta firme da sociedade contra crimes bárbaros, a defesa insiste que as condenações foram injustas e promete seguir até as últimas instâncias para tentar reverter a decisão.


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