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    Oniomania: 5 sinais de que comprar se tornou compulsão

    Entre 80% e 94% dos compradores compulsivos são mulheres, cujo transtorno costuma surgir por volta dos 18 anos

    Por Plox

    02/11/2021 12h37 - Atualizado há cerca de 1 mês

    Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 8% da população mundial sofre de oniomania, compulsão por compras, também chamado consumismo compulsivo e Transtorno do Comprar Compulsivo (TCC). A patologia é responsável pelo giro de mais de US$ 4 bilhões na América do Norte, por exemplo. Entre 80% e 94% dos compradores compulsivos são mulheres, cujo transtorno costuma surgir por volta dos 18 anos.

    De acordo com a pesquisa Barometro Covid-19 sobre mudanças de hábitos, realizada pela consultoria Kantar com mais de onze mil pessoas de 21 países da América Latina, o Brasil é o país que registrou o maior aumento de compras online durante a pandemia: 30%. O percentual de latinos americanos que passaram a fazer esse tipo de compras foi de 24%, enquanto a média dos demais continentes foi de 27%.

    Foto: Pixabay

     

    Segundo o Dr. Adiel Rios, Mestre em Psiquiatria pela UNIFESP e pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP; de fato, existe um prazer em adquirir bens que desejamos. “Quando conseguimos, há liberação de neurotransmissores que proporcionam sensação de prazer e bem-estar. O sentimento é normal, desde que esteja dentro de um contexto mínimo de realidade”.

    De acordo com o psiquiatra, na oniomania, o ato de comprar também desperta esta sensação, só que de uma maneira exacerbada. “As compras são feitas de forma impulsiva, na maioria das vezes, de bens supérfluos. Normalmente, envolve um padrão de pessoas que compram na tentativa de preencher um vazio, suprir carências ou aliviar algum problema psicológico. Pagam por produtos que geralmente nem usam, apenas para saciar a satisfação de comprar algo novo, que logo desaparece e se transforma em sentimento de culpa. Para compensar, a pessoa vai em busca de comprar outra coisa, tornando o ciclo vicioso." afirma Adiel Rios.

    Sinais de alerta

    É difícil para um comprador compulsivo perceber e admitir o próprio transtorno. Para auxiliar na identificação deste comportamento, o especialista pontua os principais sinais da oniomania:

    Descontrole financeiro

    Vivemos uma era em que nem é preciso sair de casa para ter vontade de comprar. Isso porque as redes sociais, além de rastrearem nossa atividade nas próprias redes, conseguem identificar quais sites acessamos. Se esse site for uma empresa anunciante, provavelmente o produto que você pesquisou ou foi exposto em alguma loja online irá aparecer no seu perfil.

    Além das “armadilhas virtuais”, o consumo ganhou atratividade por meio de maiores facilidades de pagamento ou diversas ofertas pontuais, como a própria black friday. Hoje, há várias formas de um comprador compulsivo se enrolar financeiramente, seja pagando o mínimo do cartão de crédito, aderindo ao cheque especial ou contratando crediários.

    Compras às escondidas

    Para o indivíduo com oniomania, comprar sem ninguém saber e esconder os itens em casa já são parte do processo de compra. “Por ser considerada uma postura socialmente reprovável, o medo da censura e do julgamento explicam o comportamento de nutrir a compulsão em segredo”, diz Adiel Rios.

    Peças repetidas, esquecidas ou nunca usadas

    A pessoa chega a comprar roupas ou sapatos sem sequer experimentar. E, muitas vezes, compra itens praticamente iguais, pois nem se lembra do que tem no armário, já que a maioria das peças, muitas ainda com as etiquetas, nunca foram usadas. “Em um determinado momento, o indivíduo não tem nem mais espaço para guardar tanta coisa e acaba amontoando tudo no fundo do guarda-roupa, ficando esquecido por lá”, complementa o psiquiatra.

    Abstinência

    Irritabilidade, extrema ansiedade e oscilações de humor. Essas são algumas das manifestações clínicas durante os longos períodos sem consumo. Os sintomas decorrentes da abstinência podem ser similares aos da dependência do uso de substâncias químicas, ocasionando desespero, perda de autoestima, sintomas de humor deprimido e ansiedade.

    Sensação de culpa após uma compra

    Como em outros transtornos, após efetuar uma compra e vivenciar a sensação de prazer, vem depois o sentimento de culpa e sofrimento. Quando acaba aquele bem-estar, ocorre uma sensação de impotência diante do descontrole da compra. Logo, surge o ciclo de “prazer-luto”, sendo consequência da visão distorcida sobre a finalidade do consumo em nossas vidas.

    Origem familiar e genética

    Não há estudos definidos que comprovem as causas da doença, mas a literatura médica relaciona o transtorno a alguns fatores. Um deles está associado com a história comportamental da família do indivíduo.

    Um estudo sobre o tema (“Clinical Manual of Impulse-Control Disorders”), desenvolvido pelos pesquisadores Eric Hollander e Dan Stein, da Universidade Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, revelou que famílias de compradores compulsivos mostram maior tendência a desenvolver outros transtornos como do humor, dependência química, transtornos alimentares e, é claro, compulsão por compras.

    “Além disso, outros estudos científicos mostram uma relação bastante próxima entre a oniomania com o transtorno obsessivo compulsivo e o transtorno bipolar. A soma destas patologias com as distorções sobre o ato de consumir motiva o comprador compulsivo a desenvolver uma suposta segurança por meio das compras”, pontua Adiel Rios.

    Foto: Divulgação

     

    Tratamento

    Há inúmeras abordagens terapêuticas capazes de auxiliar quem sofre deste transtorno. Os tratamentos incluem o acompanhamento por fármacos (como ansiolíticos e antidepressivos), psicoterapias e até consultoria com um especialista em finanças pessoais. Há ainda grupos de apoio, como o Devedores Anônimos (www.devedoresanonimosonline.com.br/), onde outros compulsivos compartilham suas experiências.

    “Os tratamentos têm como objetivo atribuir um novo significado à relação gratificação-recompensa, mostrando que há outros caminhos para lidar com as dores e formas muito mais saudáveis de obter bem-estar e prazer na vida”, finaliza Adiel Rios.

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