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Um medicamento injetável para perda de peso, já utilizado por milhares de pacientes, pode também reduzir o risco de desenvolvimento do Alzheimer. Pesquisa conduzida por especialistas do Reino Unido e publicada na revista científica Nature Medicine aponta que a liraglutida, comercializada como Saxenda, desacelera o declínio cognitivo e a perda de células cerebrais em até 50% em pacientes com a doença.
Exames cerebrais feitos ao longo de um ano mostraram que o medicamento diminuiu em cerca de 50% a perda de volume cerebral
Foto: Freepik/imagem ilustrativa
O estudo acompanhou 169 pessoas com Alzheimer leve a moderado durante 12 meses. A idade média dos participantes era de 71 anos. Desse total, 72 receberam liraglutida e 82 tomaram placebo.
Exames cerebrais realizados ao longo de um ano mostraram que o medicamento reduziu a perda de volume cerebral em aproximadamente metade quando comparado ao placebo. Além disso, a cognição dos pacientes tratados com liraglutida apresentou melhora de 18%.
A liraglutida faz parte da classe de medicamentos conhecida como agonistas GLP-1, que atuam de forma semelhante ao ingrediente ativo de fármacos como Ozempic e Wegovy. Esses compostos aumentam a sensação de saciedade e diminuem a fome, o que explica seu uso consolidado no tratamento da obesidade.
Os autores do estudo consideram que os resultados reforçam o potencial dos agonistas GLP-1 como estratégia para interferir no curso da doença de Alzheimer.
Nossos resultados fornecem algumas das evidências mais fortes até o momento de que os tratamentos com GLP-1 poderiam modificar o processo da doença de Alzheimer. A liraglutida mostrou efeitos encorajadores na estrutura cerebral e na desaceleração do declínio cognitivo em nosso ensaio de Fase 2b, e isso abriu caminho para um programa de Fase 3 Paul Edison, professor de neurociência do Imperial College London
A equipe de pesquisadores observou, porém, que o medicamento não impediu o declínio do metabolismo da glicose no cérebro. Eles destacam evidências anteriores de que a liraglutida reduz a neuroinflamação — inflamação no sistema nervoso — e o acúmulo da proteína tau, considerada tóxica e associada, junto com o amiloide, à formação de placas e emaranhados relacionados aos sintomas do Alzheimer.
Os cientistas ponderam ainda que o período de 12 meses de acompanhamento pode ser insuficiente para estabelecer, de forma definitiva, o benefício clínico em longo prazo no tratamento da doença.
Indicado originalmente para o controle do açúcar no sangue e para auxiliar na perda de peso, o Saxenda já tem eficácia documentada em estudos clínicos. Pesquisas mostram que usuários do medicamento perdem, em média, 6,4% do peso corporal ao longo de 68 semanas.
Entre os efeitos colaterais relatados estão diarreia, dores, febre, micção frequente e alterações no sono. Especialistas recomendam que o uso seja sempre acompanhado por profissionais de saúde, especialmente em pacientes com outras condições crônicas.