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‘Vou jogar sua irmã e depois vou me jogar. Beijo, te amo’. A frase, dita por uma mãe à filha mais velha instantes antes de atirar a caçula do 10º andar de um hotel no centro de Belo Horizonte, expõe a sequência de violência que terminou em duas mortes nessa segunda-feira (1º).
Ocorrência foi registrada em um hotel na rua Espírito Santo, no centro de BH
Foto: Reprodução / Google Street View.
De acordo com o relato da adolescente de 13 anos à polícia, a mulher de 32 anos dopou a filha de 6 anos e, em seguida, a jogou pela janela do quarto onde as três estavam hospedadas, em um hotel na rua Espírito Santo. Logo depois, também se lançou do mesmo ponto. As duas morreram no local.
A adolescente contou que a mãe decidiu se hospedar no hotel na noite anterior, após um desentendimento com o companheiro. No quarto, ainda no domingo (30), a mulher teria apresentado três “alternativas” para a filha mais velha: que as três tirassem a própria vida ingerindo remédios, que a adolescente fosse morar com a avó ou que viajasse para viver com o pai biológico no Espírito Santo.
A jovem recusou repetidas vezes qualquer possibilidade de autoextermínio. Segundo o depoimento, a mãe então afirmou que a irmã de 6 anos “não teria escolha” por ser pequena e passou a tentar convencer a adolescente a tomar medicamentos, o que não foi aceito.
Em seguida, a mulher deu grande quantidade de remédios à filha mais nova, que ficou sonolenta, apática e com redução do nível de consciência, conforme o relato policial.
Logo depois de dopar a criança, a mãe se despediu da filha mais velha. “Vou jogar sua irmã e depois vou me jogar. Beijo, te amo”, disse à adolescente, que ouviu a ameaça momentos antes do crime.
Na sequência, a jovem viu a mãe arremessar a irmã pela janela do 10º andar. Em choque, saiu correndo pelos corredores do hotel em busca de ajuda e não presenciou o momento exato em que a mulher também se lançou.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 15h20, depois que hóspedes avisaram a recepção de que uma criança havia caído sobre a marquise do prédio, seguida pela queda de uma mulher que atingiu a rua na sequência.
Quando chegaram à rua Espírito Santo, no centro de Belo Horizonte, policiais encontraram equipes do SAMU e do Corpo de Bombeiros já em atendimento. A médica do SAMU constatou no local a morte da criança de 6 anos e da mulher de 32 anos.
O companheiro da mulher, de 51 anos, foi ao hotel após ser informado por familiares sobre o ocorrido. Ele relatou à polícia que, na noite anterior, o casal esteve em um bar e discutiu por motivos que classificou como banais. Ao fim da noite, a mulher se recusou a voltar para casa com ele e permaneceu com as duas filhas.
Como ela não retornou durante a madrugada, o homem afirmou ter imaginado que a companheira havia ido dormir na casa da mãe. Ainda segundo seu depoimento, a mulher sofria de depressão e, em diversas ocasiões, já havia mencionado a intenção de tirar a própria vida.
Peritos da Polícia Civil fizeram levantamentos no quarto do 10º andar e na área das quedas. A investigação preliminar ficou a cargo da equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que acompanhou os trabalhos no hotel.
Os corpos da mulher e da criança foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal da Gameleira. A adolescente de 13 anos, que não sofreu ferimentos físicos, foi acolhida por funcionários do hotel logo após o crime e, posteriormente, ficou sob os cuidados da avó materna.