STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Grande São Paulo, iniciou dezembro em situação crítica, com apenas 20,8% de sua capacidade total de armazenamento de água. Onde antes havia uma grande represa, hoje se vê solo rachado, um barco encalhado e até uma antiga estrada de terra que voltou a aparecer no fundo do reservatório.
Sistema de abastecimento opera com só 20% da capacidade
Foto: Reprodução / TV Globo.
O cenário faz moradores reviverem o medo da crise hídrica que atingiu o estado há cerca de dez anos. Em Joanópolis, a aproximadamente 6 km da divisa com Minas Gerais, está parte importante dos rios e riachos que alimentam o Cantareira, mas o nível da água está bem abaixo do esperado. O solo craquelado remete ao período da pior seca da história recente de São Paulo.
Com a baixa do reservatório, o trabalho de Biu e o turismo local já foram afetados. Ele relata que a falta de chuva e o recuo da água prejudicam diretamente quem depende da represa para viver.
Em outro ponto do Cantareira, um braço inteiro da represa secou. O nível da água caiu tanto que uma antiga estrada de terra, antes encoberta, reapareceu no leito. Segundo o empresário Daniel Felippe Kuilici Bacci, a represa ocupava uma área hoje tomada pelo barranco e pela vegetação, e alguns braços de água simplesmente desapareceram, restando apenas um córrego fraco que ainda abastece o reservatório.
Moradores e frequentadores guardam lembranças de quando a área estava cheia, com circulação de barcos, caiaques, pescadores e animais. Agora, predominam o vazio e a incerteza. A paisagem de solo exposto e rachado reforça a sensação de retorno à crise hídrica de 2014 e 2015.
O Sistema Cantareira responde por cerca de 40% de toda a água consumida na Grande São Paulo. Em termos práticos, de cada dez copos de água distribuídos na região metropolitana, quatro têm origem nesse conjunto de represas.
Por isso, a queda contínua do nível desperta apreensão entre quem acompanha o sistema de perto. Em uma rampa de embarcações, Biu marcou o ponto onde a água estava há 11 meses, em janeiro. A marca, hoje bem acima do nível atual, indica o quanto o reservatório recuou em menos de um ano.
A preocupação aumenta porque, em tese, desde outubro a região entrou no período de cheia dos reservatórios, quando as chuvas costumam recompor o volume dos sistemas. Em 2024, porém, as precipitações ficaram abaixo da média histórica e não foram suficientes para recuperar o Cantareira.
Parte da baixa recarga tem sido compensada pelo bombeamento de água do Rio Paraíba do Sul, que opera em regime especial desde setembro para reforçar o abastecimento. Ainda assim, o quadro segue de atenção.
A Sabesp afirma que, desde a crise de 2014, o sistema de abastecimento ficou mais robusto, com maior integração entre represas e investimentos que beneficiaram mais de 22 milhões de moradores da Grande São Paulo. A pedido da Arsesp, a companhia reduziu a pressão da água nas tubulações: primeiro por 8 horas diárias, em agosto, e depois por 10 horas, a partir de setembro.
Segundo a empresa, essa redução de pressão permitiu economizar mais de 44 bilhões de litros de água desde 27 de agosto, em uma tentativa de preservar reservas em meio às chuvas abaixo da média.
O governo do estado informou que monitora diariamente a situação dos mananciais e adota medidas estruturantes e emergenciais diante do cenário de 2024. Entre essas ações, está a transposição do Rio Itapanhaú para reforçar o Sistema Alto Tietê, obra entregue nesta segunda-feira (1º).