Vereador 'Cássio Fala Pira' é investigado por material de abuso infantil e tem prisão prorrogada

Parlamentar de Piracicaba (SP) é alvo de inquérito por suposta posse de imagens de abuso infantil e segue preso por denúncias de crimes sexuais feitas por ao menos 12 mulheres, enquanto defesa fala em motivação política e acusações frágeis

02/12/2025 às 09:01 por Redação Plox

Denunciado por crimes sexuais por ao menos 12 mulheres, o vereador Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cássio Fala Pira (PL), também é alvo de um inquérito que apura suposta posse de material de abuso infantil em Piracicaba (SP). Preso desde outubro, o parlamentar nega todas as acusações.

Vereador Cássio Fala Pira é escoltado por um policial após ser preso

Vereador Cássio Fala Pira é escoltado por um policial após ser preso

Foto: Reprodução / EPTV.


Inquérito sobre material de abuso infantil

A Delegacia Seccional de Piracicaba conduz a investigação sobre o possível armazenamento de imagens de abuso infantil por parte do vereador.

O caso é investigado por meio de inquérito policial na Delegacia Seccional de Piracicaba. Demais detalhes serão preservados devido à natureza da ocorrência.

Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP)

Em nota, a defesa de Cássio afirmou que o conteúdo encontrado em seu celular seria material encaminhado a ele como denúncia contra outra pessoa, e não algo produzido ou mantido pelo vereador.


Segundo a versão apresentada pelos advogados, o material foi localizado após o parlamentar relatar o caso na tribuna da Câmara Municipal e afirmar que faria a denúncia, o que teria motivado a busca e apreensão do celular. A defesa sustenta que o vereador não tinha qualquer relação com o conteúdo e que o episódio foi esclarecido em inquérito policial de 2022, sem desdobramentos judiciais, classificando como surpreendente a retomada do fato no contexto atual.

Prisão por denúncias de crimes sexuais

Paralelamente ao inquérito sobre o material de abuso infantil, Cássio Fala Pira está preso em razão de denúncias de crimes sexuais. No dia 5 de novembro, a Polícia Civil informou que a prisão temporária do vereador foi prorrogada por mais 30 dias. Ele nega as acusações e afirma que pretende provar sua inocência.


O parlamentar foi encaminhado para a cadeia de Tremembé (SP), conhecida como presídio dos famosos, por onde já passaram nomes como Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, Daniel e Cristian Cravinhos, Alexandre Nardoni e Roger Abdelmassih.

Relatos de mulheres e mandados de busca

Até o dia 5, 12 mulheres já haviam denunciado o vereador por supostos crimes sexuais. Em um dos casos, a denunciante afirmou que os abusos ocorreram dentro do gabinete do parlamentar na Câmara Municipal, após procurá-lo em busca de emprego.


Ela relatou que o vereador teria tocado partes íntimas de seu corpo e colocado as mãos dela à força em suas partes íntimas. Em outro caso, uma mulher disse ter sido abusada duas vezes, em situações nas quais o vereador teria oferecido cesta básica e emprego.


Uma terceira denunciante afirmou à Polícia Civil que conhece Cássio por ações políticas no bairro e que ele, em diferentes ocasiões, fez comentários de cunho sexual sobre seu corpo. Em um dos episódios, segundo o relato, o parlamentar passou a mão em sua cintura e quadril.

Vereador Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cassio Fala Pira, em Piracicaba

Vereador Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cassio Fala Pira, em Piracicaba

Foto: Reprodução / Câmara Municipal de Piracicaba.


A Polícia Civil cumpriu quatro mandados: um de prisão, na casa do vereador, e três de busca e apreensão, em um escritório no bairro Vila Sônia e no gabinete de Cássio na Câmara Municipal. Computadores e celulares foram apreendidos.


O vereador foi levado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba e ao Instituto Médico Legal para realização de exames. Ele ficou inicialmente preso no 1º Distrito Policial e, depois, foi transferido para o complexo prisional de Tremembé.

Impactos na Câmara e posição do partido

De acordo com a Câmara Municipal de Piracicaba, o suplente Fabrício Polezi só será convocado caso o parlamentar fique afastado do cargo por mais de 120 dias.

Com a decretação da prisão temporária, Cássio pediu afastamento sem remuneração até 16 de dezembro. O pedido foi aprovado em plenário por 19 votos a 1.


No dia 13 de outubro, porém, a Câmara publicou ato da presidência suspendendo a função pública do vereador, em cumprimento a determinação judicial. Em comunicado, o Legislativo afirmou que acompanha de perto o desenrolar do caso e que todas as medidas administrativas e regimentais cabíveis serão adotadas.


Em nota, o Diretório Municipal do Partido Liberal (PL) de Piracicaba reconheceu a gravidade das denúncias e declarou que, se forem confirmadas, poderá instaurar processo disciplinar que leve à expulsão do parlamentar da legenda.

Defesa fala em denúncias frágeis e motivação política

A defesa de Cássio classifica as denúncias como frágeis e alega que o vereador ainda não teve oportunidade de apresentar sua versão à polícia, reiterando que sua inocência será comprovada. O advogado Jonas Tadeu Parisotto afirma ter conhecimento da atuação de grupos com suposto interesse político no caso.

Investigação em andamento

As investigações seguem em curso. A Polícia Civil afirma que a prisão foi decretada para garantir o andamento dos trabalhos sem possíveis interferências do investigado.

A corporação ainda não divulgou quais são as provas reunidas, nem o teor detalhado de todas as denúncias feitas contra o parlamentar. A defesa, por sua vez, também não apresentou publicamente os elementos que diz possuir para comprovar a inocência de Cássio.

Defesa contesta legalidade da prisão

Os advogados do vereador consideram que a manutenção da prisão é ilegal. Eles alegam abuso de autoridade e constrangimento ilegal e afirmam que, em seu entendimento, a prisão temporária deveria ter sido de cinco dias, prorrogáveis, de forma excepcional, por mais cinco dias.


Segundo a defesa, o vereador permanece tranquilo em relação às acusações, sustenta que elas não procedem e diz confiar que os autos do processo não trarão elementos contundentes que indiquem prática de abuso.

'Efeito manada', diz advogado

Outro advogado de defesa, Osmir Bertazzoni, afirma que as denúncias seguem um suposto “efeito manada”. Ele argumenta que a primeira denúncia seria infundada e que haveria provas de que a denunciante não estava sozinha com o vereador, como apontaria o sistema de segurança da Câmara.


De acordo com essa versão, grupos teriam sido formados em redes sociais para incentivar novas denúncias, motivadas por frustrações como cargos prometidos ou compromissos não cumpridos, e as acusações seriam falsas, algo que, segundo a defesa, será demonstrado nos autos.

Nota da defesa do vereador na íntegra

A seguir, a íntegra da nota divulgada pela defesa de Cássio Fala Pira:


A defesa técnica e constituída pelo Vereador Cássio Luiz Barbosa, vem, por meio desta nota, esclarecer, publicamente, os fatos relacionados às acusações dirigidas a ele, às quais não correspondem à verdade.


Os relatos apresentados por supostas “vítimas”, carecem de verossimilhança e não encontram respaldo nas frágeis acusações produzidas em redes sociais que se consubstanciam, em cancelamento e linchamento virtuais, violando a honra e a imagem do vereador, do cidadão e do pai Cássio Luiz Barbosa.


Releva notar, que a autoridade policial que preside o inquérito na Delegacia de Defesa da Mulher e que redundou na precoce representação de prisão temporária junto ao Poder Judiciário, sequer teve o cuidado e a prudência de convocar o Vereador Cássio, para dar-lhe a oportunidade de esclarecer os supostos fatos e acusações vindo, em maioria, de usuários da internet, que se colocam como juízes e, ao mesmo tempo, se enxergam como carrascos, promovendo o linchamento virtual, tendo em vista que o espaço virtual lhes dá esse poder, sem que nenhuma penalidade lhes sejam impostas.


Ressalta-se que o Vereador Cássio Luiz Barbosa, assim como qualquer cidadão brasileiro, possui o direito constitucional à presunção de inocência, à ampla defesa e ao contraditório e do devido processo legal, diante do princípio da dignidade da pessoa humana.


A prisão, ainda que temporária, no entendimento da Defesa, é medida excepcional, diante do princípio da dignidade da pessoa humana, de qualquer forma, reitera, nesta oportunidade, a sua confiança na Justiça e reafirma que, ao final do processo, sua inocência será comprovada.

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