Política

Para Lula, governo de Maduro ainda manda na Venezuela através da vice dele após captura do ditador

Itamaraty afirma que, na ausência de Nicolás Maduro, vice-presidente assume comando na Venezuela, critica ofensiva norte-americana e prepara ações em instâncias como Conselho de Segurança da ONU e Celac

03/01/2026 às 21:11 por Redação Plox

O governo brasileiro passou a reconhecer a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, como responsável pelo comando do país após o anúncio, pelos Estados Unidos, da prisão de Nicolás Maduro.

Itamaraty vê Delcy Rodríguez como "presidenta" interina

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, na atual conjuntura, a vice-presidente venezuelana é considerada a autoridade no exercício do cargo. Maria Laura da Rocha, que responde interinamente pelo Itamaraty, afirmou que, na ausência de Maduro, cabe a Delcy Rodríguez assumir a chefia do Executivo.

Delcy Rodríguez tomou posse de forma interina no comando da Venezuela e poderá convocar eleições em até 30 dias... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/mundo/quem-e-delcy-rodriguez-vice-presidente-da-venezuela-que-deve-substituir-maduro/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente de CartaCapital vivo e acessível a todos

Delcy Rodríguez tomou posse de forma interina no comando da Venezuela e poderá convocar eleições em até 30 dias... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/mundo/quem-e-delcy-rodriguez-vice-presidente-da-venezuela-que-deve-substituir-maduro/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente de CartaCapital vivo e acessível a todos

Foto: Reprodução



Ela reiterou que a posição brasileira, alinhada ao posicionamento de Lula desde a manhã, é de defesa do direito internacional, rejeição a qualquer forma de invasão territorial e respeito à soberania dos países.

Brasil vai levar posição ao Conselho de Segurança da ONU

O Brasil deve participar de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, marcada para segunda-feira, na qual deverá reforçar a defesa da soberania da Venezuela. A expectativa é que, somente após esse encontro, ocorra algum contato direto com o governo dos Estados Unidos.

Maria Laura da Rocha informou ainda que está prevista para amanhã uma reunião da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), com a participação de ministros de países da região, para debater a situação venezuelana.

Colômbia aciona ONU com apoio de Rússia e China

A Colômbia, com apoio de Rússia e China, solicitou a reunião do Conselho de Segurança, formado por 15 membros. O encontro será aberto, o que permite a participação do Brasil, mesmo o país não integrando o órgão no momento.

Fronteira é descrita como tranquila, e brasileiros retornam

Segundo o Itamaraty, a situação na fronteira com a Venezuela permanece considerada “tranquila”. Cem brasileiros que estavam em território venezuelano a turismo já retornaram ao país, com apoio da embaixadora brasileira em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira.

Reunião emergencial em Brasília e participação de Lula à distância

Lula participou por videoconferência de uma reunião no Itamaraty, em Brasília, enquanto cumpre agenda no Rio de Janeiro. Estiveram presencialmente na sede do ministério Maria Laura da Rocha, secretária-geral do Itamaraty, Miriam Belchior, ministra interina da Casa Civil, e José Múcio, da Defesa.

Também participaram remotamente Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação, e a embaixadora em Caracas. O chanceler Mauro Vieira não participou por estar em voo de retorno ao Brasil, após período de férias.

Mais cedo, o Itamaraty já havia realizado outro encontro emergencial para acompanhar o quadro na Venezuela.

EUA anunciam que vão comandar transição na Venezuela

Em entrevista coletiva por volta das 14h, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, detalhou a operação que resultou na prisão de Maduro e anunciou que os EUA pretendem governar a Venezuela durante um período de transição, com planos de investir no setor de petróleo do país caribenho.

Lula fala em afronta gravíssima à soberania venezuelana

Pela manhã, Lula classificou o ataque norte-americano como uma “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela e avaliou a ação como mais um precedente extremamente perigoso para a comunidade internacional.

Em publicação na rede X, o presidente brasileiro afirmou que ações militares contra países, em violação ao direito internacional, abrem caminho para um cenário de violência, caos e instabilidade, no qual a força se sobrepõe ao multilateralismo. Ele também avaliou que a iniciativa ameaça a preservação da região como “zona de paz” e remete aos piores momentos de interferência externa na política da América Latina e do Caribe.

Contato prévio com Maduro e alerta sobre catástrofe humanitária

No início de dezembro, Lula conversou por telefone com Nicolás Maduro. O telefonema não havia sido divulgado previamente pelo Planalto nem constou da agenda oficial. Segundo a Presidência, o principal tema foi a “paz na América do Sul e no Caribe”, em uma conversa descrita como rápida.

Duas semanas antes, o presidente brasileiro já havia alertado para o risco de uma “catástrofe humanitária” no hemisfério, caso houvesse uma intervenção armada na Venezuela. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, Lula criticou a interferência externa na região e afirmou que uma operação militar no país vizinho seria um precedente perigoso para o mundo.

Governo venezuelano fala em agressão militar grave

Em comunicado oficial, o governo da Venezuela classificou o ataque como uma “grave agressão militar”. O texto afirma que explosões atingiram áreas civis e militares em Caracas e nos Estados de Miranda, Aragua e La Guaira, colocando em risco a população local.

Delcy Rodríguez reafirma Maduro como único presidente

Em pronunciamento à nação, a vice-presidente Delcy Rodríguez declarou que Nicolás Maduro continua sendo o único presidente legítimo da Venezuela e exigiu a imediata libertação dele e da primeira-dama. Ela reforçou que o país não aceitará ser tratado como colônia por nenhuma outra nação.

O governo venezuelano sustenta que a ofensiva representa uma ameaça à paz e à estabilidade internacionais e coloca em risco a vida de milhões de pessoas.

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