Política

Após cassação, PF determina retorno imediato de Eduardo Bolsonaro ao cargo de escrivão

Ex-deputado federal, licenciado da Polícia Federal desde que assumiu mandato, está nos EUA e afirma em vídeo que não pretende voltar à função, apesar de ordem administrativa publicada no Diário Oficial da União

03/01/2026 às 07:01 por Redação Plox

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) sinalizou que não pretende voltar ao cargo de escrivão da Polícia Federal (PF), do qual está licenciado desde que ingressou na política. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (2/1), após ter o mandato parlamentar cassado, ele afirmou que “jamais trocaria sua honra por um emprego na burocracia pública”.

Eduardo Bolsonaro está nos EUA desde fevereiro e teve o mandato cassado pela Câmara

Eduardo Bolsonaro está nos EUA desde fevereiro e teve o mandato cassado pela Câmara

Foto: Reprodução/ @BolsonaroSP


Crítica à cúpula da PF e recusa ao retorno

Nas imagens divulgadas, Eduardo Bolsonaro afirma que abriu mão das vantagens do mandato para não se submeter à atual direção da corporação. Ao se referir ao comando da PF e ao próprio concurso pelo qual ingressou na instituição, ele usa termos duros e reforça que não pretende reassumir o posto.

Não abdiquei de todos os privilégios parlamentares para me sujeitar aos caprichos dos bajuladores de tiranos, que chefiam a Polícia Federal. Que a Gestapo faça o que bem entender com meu concurso público, jamais trocaria minha honra por um emprego na burocracia pública

Eduardo Bolsonaro, em vídeo publicado nas redes sociais

Determinação oficial para retorno ao cargo

A manifestação nas redes ocorre no mesmo dia em que a PF determinou o retorno imediato de Eduardo Bolsonaro às funções de escrivão policial federal, cargo que ocupava antes de se eleger deputado. A ordem consta de publicação no Diário Oficial da União desta sexta-feira e revoga a licença concedida durante o período em que ele exerceu mandato na Câmara dos Deputados.

Segundo o despacho, trata-se de uma ordem administrativa, não de uma recomendação, e o ex-parlamentar deve se reapresentar ao quadro da corporação. O texto também prevê que, em caso de ausência não justificada, a administração poderá adotar as medidas administrativas e disciplinares previstas em lei.

Risco de processo por abandono de cargo

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Eduardo ingressou na Polícia Federal por concurso público, antes de se eleger deputado federal por São Paulo em 2014. Ele permaneceu na Câmara até dezembro de 2025, quando teve o mandato cassado pela Mesa Diretora em razão de faltas não justificadas.

Com a determinação de retorno ao posto de escrivão, caso ele não reassuma a carreira, poderá responder a processo por abandono de cargo, conforme estabelece a legislação do serviço público. A eventual abertura desse tipo de procedimento fica a cargo da própria PF, a partir da análise de sua conduta funcional após o fim do mandato.

Estadia nos Estados Unidos e articulações externas

Desde fevereiro de 2025, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos. Durante esse período, permaneceu por meses em articulações com autoridades norte-americanas, em uma ofensiva política que resultou na adoção de sanções econômicas e diplomáticas contra o Brasil. As medidas, porém, foram posteriormente revogadas após uma aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.

Com o mandato cassado, a ordem de retorno ao cargo na PF e sua permanência no exterior, o futuro de Eduardo Bolsonaro na carreira pública passa a depender diretamente de como responderá às exigências administrativas da corporação.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a