Economia

Emendas Pix somam R$ 6,77 bilhões em 2025 e são suspensas após indícios de irregularidades

Recursos representaram cerca de 15% das emendas parlamentares e se concentraram em grandes bancadas e cidades como Macapá, Uberlândia e Praia Grande; após auditoria da CGU apontar problemas em nove municípios, ministro do STF Flávio Dino determinou suspensão temporária da modalidade

03/01/2026 às 07:48 por Redação Plox

As emendas Pix movimentaram R$ 6,77 bilhões ao longo de 2025 e responderam por cerca de 15% do total empenhado em emendas parlamentares no ano, que somou R$ 44,61 bilhões. Os dados são da Controladoria-Geral da União, a partir de levantamento feito pela coluna.

Foto: Agência Brasil


O PL foi o partido que mais empenhou recursos por meio das emendas Pix em 2025, com aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Em seguida aparecem MDB, com cerca de R$ 800 milhões, PSD e PP, com algo em torno de R$ 700 milhões cada, além de PT e União Brasil, ambos com aproximadamente R$ 600 milhões.

Maiores bancadas concentram recursos

As seis maiores bancadas do Congresso concentraram a maior parte dos valores distribuídos via emendas Pix. As demais siglas ficaram com R$ 100 bilhões ou menos em recursos dessa modalidade, reforçando a concentração de verba nas legendas de maior peso político.

Entre os parlamentares, os maiores volumes individuais ficaram nas mãos de senadores. Marcos Rogério e Jayme Campos dividiram a liderança, com R$ 34,2 milhões empenhados cada um. Logo depois aparecem Randolfe Rodrigues, com R$ 34,0 milhões, Ciro Nogueira, com R$ 33,8 milhões, e Carlos Fávaro, com R$ 33,5 milhões.

Estados e municípios mais beneficiados

Minas Gerais foi o estado que mais recebeu recursos de emendas Pix, com R$ 703,3 milhões empenhados. Na sequência vêm Bahia, com R$ 567,0 milhões, e São Paulo, com R$ 518,8 milhões. Também aparecem com volumes elevados Rio Grande do Sul (R$ 448,5 milhões), Pernambuco (R$ 328,7 milhões), Paraná (R$ 321,9 milhões) e Maranhão (R$ 318,6 milhões).

Na ponta oposta, Amazonas e Rio de Janeiro ficaram entre os menores volumes absolutos de emendas Pix, com R$ 87,3 milhões e R$ 108,0 milhões, respectivamente. O contraste reforça a diferença na distribuição territorial dos recursos.

No recorte municipal, Macapá (AP) liderou o ranking, com R$ 53,3 milhões empenhados em emendas Pix. Em seguida aparecem Uberlândia (MG), com R$ 24,9 milhões, Praia Grande (SP), com R$ 24,4 milhões, Sena Madureira (AC), também com R$ 24,4 milhões, e Mucajaí (RR), com R$ 24,0 milhões. Entre os dez maiores valores constam ainda Osasco (SP), Maceió (AL), Pacaraima (RR), Tauá (CE) e Curuçá (PA).

Suspensão e questionamentos sobre transparência

As emendas Pix foram suspensas temporariamente em setembro de 2025 por decisão do ministro do STF Flávio Dino, após auditoria da Controladoria-Geral da União apontar irregularidades em nove municípios que concentravam os maiores repasses. A modalidade permite transferências diretas para cofres estaduais e municipais, sem a exigência de apresentação prévia de projeto detalhado.

Para o ministro e para organizações voltadas à transparência pública, o modelo apresenta dificuldades relevantes de fiscalização. Não há clareza sobre quem indicou os recursos, de que forma eles foram aplicados e quem foi o beneficiário final, o que complica o rastreio e a verificação do uso da verba pública.

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