Dólar cai e Ibovespa avança com foco na ata do Copom e na produção industrial

Mercados acompanham ainda o Boletim Focus, a ampliação da gratuidade do gás para famílias de baixa renda e o envio ao Congresso do texto do acordo Mercosul-União Europeia.

03/02/2026 às 09:14 por Redação Plox

O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (3) em queda, recuando 0,27% na abertura, cotado a R$ 5,2415. O movimento ocorre após a alta da véspera, quando a moeda norte-americana avançou 0,19% e fechou em R$ 5,2575. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h, após ter encerrado o último pregão em alta de 0,79%, aos 182.793 pontos.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: FreePik

Mercado monitora ata do Copom e dados da indústria

No Brasil, os investidores acompanham a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve trazer sinais sobre a possibilidade de início do ciclo de cortes da taxa básica de juros a partir de março, além dos números da produção industrial de dezembro.

No campo fiscal e social, a Câmara dos Deputados aprovou, na véspera, medida provisória que cria uma nova modalidade de gratuidade no botijão de gás para famílias com renda per capita de até meio salário mínimo. A proposta segue agora para o Senado e precisa ser votada até 11 de fevereiro para não perder a validade.

Na frente externa, o Palácio do Planalto enviou ao Congresso o texto do acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro no Paraguai. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio entre os blocos, redesenhando fluxos de exportação e importação no médio e longo prazos.

Nos Estados Unidos, a divulgação do relatório Jolts, que mede o número de vagas abertas no mercado de trabalho, foi adiada em razão da paralisação parcial do governo americano, o que afetou o calendário de indicadores econômicos.

Desempenho recente de dólar e bolsa

No câmbio, o dólar acumula:

Desempenho do dólar

• Acumulado da semana: -0,74%
• Acumulado do mês: -4,39%
• Acumulado do ano: -4,39%

Desempenho do Ibovespa

• Acumulado da semana: +1,40%
• Acumulado do mês: +12,56%
• Acumulado do ano: +12,56%

Focus indica alívio marginal na inflação esperada

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Banco Central, mostrou leve melhora nas projeções de inflação do mercado para 2026. A estimativa para o IPCA passou de 4% para 3,99%.

É a primeira vez desde dezembro de 2024 que a projeção para 2026 fica abaixo de 4%, sinalizando ajuste marginal, mas simbólico, nas expectativas.

As previsões para os anos seguintes permaneceram estáveis: para 2027, a estimativa segue em 3,8%, e para 2028 e 2029, em 3,5%.

Mesmo após a manutenção da Selic em 15% ao ano na semana passada — o maior nível em quase duas décadas —, o mercado ainda vê espaço para um ciclo de queda ao longo do tempo. A projeção para o fim de 2026 continua em 12,25% ao ano, o que implicaria redução de 2,25 pontos percentuais em relação ao patamar atual. Para o encerramento de 2027, a expectativa é de 10,50% ao ano.

Em termos de atividade, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi mantida em 1,80%, abaixo da estimativa de cerca de 2,25% para 2025. O dado oficial do PIB de 2025 ainda não foi divulgado pelo IBGE.

No câmbio, após o dólar recuar mais de 11% no ano passado — movimento influenciado também pelos juros elevados — e encerrar 2025 a R$ 5,4887, economistas projetam que a moeda americana termine 2026 em torno de R$ 5,50.

Indústria brasileira mostra retração mais forte

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, calculado pela S&P Global, indicou piora nas condições do setor no início do ano. O indicador recuou de 47,6 pontos em dezembro para 47,0 pontos em janeiro.

No PMI, a linha de 50 pontos funciona como divisor: leituras acima desse nível sinalizam expansão da atividade, enquanto números abaixo indicam retração. Com o novo recuo, janeiro registrou o ritmo mais intenso de deterioração da indústria em quatro meses.

Segundo a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna de Lima, os números reforçam um quadro de fraqueza da demanda já observado anteriormente.

Os primeiros dados do PMI de 2026 mostram os fabricantes brasileiros avançando para um cenário ainda mais acentuado de retração, diante da persistente fraqueza da demanda.Pollyanna de Lima

De acordo com a economista, a combinação entre redução dos pedidos em atraso, falta de novos projetos e a estratégia de manutenção de estoques enxutos indica que a produção deve seguir em queda no curto prazo.

A pesquisa mostra recuo significativo tanto da demanda interna quanto externa por produtos brasileiros em janeiro, afetando diretamente o volume de pedidos e o nível de produção. Entre os segmentos avaliados, os bens de capital — como máquinas e equipamentos — lideraram a queda da atividade.

Indústria dos EUA volta a crescer após um ano

Nos Estados Unidos, a indústria voltou a registrar crescimento em janeiro pela primeira vez em um ano, puxada, sobretudo, pela forte recuperação das novas encomendas.

Segundo o Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM), o PMI da manufatura subiu para 52,6 pontos em janeiro, superando a marca de 50 pontos que separa expansão de contração e alcançando o melhor resultado desde agosto de 2022. A manufatura responde por cerca de 10% da economia americana.

Em dezembro, o indicador estava em 47,9 pontos, acumulando dez meses seguidos de retração. O avanço surpreendeu o mercado, que esperava uma alta mais moderada, para 48,5 pontos.

Parte da melhora é atribuída a mudanças na legislação tributária, que tornaram permanente a chamada depreciação acelerada e incluíram outras medidas voltadas ao investimento das empresas. Ainda assim, o desempenho está distante de configurar uma retomada robusta. O setor não viveu o “renascimento” prometido com a adoção de tarifas comerciais e, ao longo de 2025, o emprego industrial encolheu em cerca de 68 mil vagas.

Os dados do ISM indicam que o motor da melhora foi o aumento das encomendas: o subíndice de novos pedidos saltou de 47,4 em dezembro para 57,1 em janeiro, maior nível desde fevereiro de 2022. Houve também avanço nos pedidos em atraso e leve recuperação das exportações.

Por outro lado, o maior volume de pedidos pressionou cadeias de suprimentos e elevou custos de produção. Isso aparece com clareza no indicador de preços pagos pelas empresas, que subiu de 58,5 para 59 pontos, em linha com as expectativas. O resultado sugere que os preços de produtos industriais ainda podem subir, contribuindo para manter a inflação americana acima da meta de 2% do Federal Reserve por mais tempo.

Bolsas: alta em EUA e Europa, queda forte na Ásia

Em Wall Street, os mercados iniciaram a semana em queda, em meio à desvalorização dos metais preciosos e a um ambiente de maior cautela, mas voltaram a subir ao longo do pregão.

O índice S&P 500 fechou em alta de 0,54%, aos 6.976,28 pontos, impulsionado por ganhos de fabricantes de chips e outras empresas ligadas à inteligência artificial, enquanto companhias de menor porte também tiveram forte valorização. O Nasdaq avançou 0,55%, para 23.591,51 pontos, e o Dow Jones subiu 1,06%, aos 49.412,27 pontos.

Na Europa, o tom também foi de atenção redobrada em semana marcada pela divulgação de resultados corporativos e reuniões de bancos centrais. O índice STOXX 600 fechou em alta de 1,03%, a 617,31 pontos. Entre os principais mercados, o DAX, da Alemanha, avançou 1,05%; o CAC 40, da França, ganhou 0,67%; e o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 1,15%.

Já as bolsas asiáticas encerraram o pregão em forte queda, pressionadas pela desvalorização das commodities e por indicadores considerados fracos da economia chinesa. Em Xangai, o índice recuou 2,48%, para 4.015 pontos, enquanto o CSI300 caiu 2,13%, aos 4.605 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 2,23%, fechando em 26.775 pontos.

Outros mercados da região também terminaram no vermelho. No Japão, o Nikkei caiu 1,2%, para 52.655 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi teve baixa mais acentuada, de 5,26%, para 4.949 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 1,37%, a 31.624 pontos, e o Straits Times, de Cingapura, caiu 0,26%, aos 4.892 pontos.

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