Câmara analisa projeto que libera farmácias em supermercados, mas veda remédios nas gôndolas

PL 2158/23, já aprovado pelo Senado, permite a instalação de farmácias e drogarias dentro de supermercados em área exclusiva e separada, com presença obrigatória de farmacêutico e regras sanitárias; pedidos de urgência tentam acelerar votação no Plenário

03/03/2026 às 09:55 por Redação Plox

A Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei que autoriza a instalação de farmácias e drogarias dentro de supermercados, desde que em área separada e sujeita às regras sanitárias. A proposta, o PL 2158/23, já foi aprovada pelo Senado e teve a tramitação acelerada na Câmara, reacendendo a disputa entre entidades do varejo e representantes do setor farmacêutico.

Vendas de remédios deverão ocorrer em ambiente exclusivo e segregado do restante das atividades do supermercado

Vendas de remédios deverão ocorrer em ambiente exclusivo e segregado do restante das atividades do supermercado

Foto: Reprodução: X


Câmara discute modelo de venda e limita gôndolas

O PL 2158/23 abre caminho para que supermercados tenham um espaço específico de farmácia ou drogaria para comercializar medicamentos. A condição central é que os remédios não poderão ser vendidos diretamente nas gôndolas do supermercado: a dispensação deverá ocorrer exclusivamente dentro da área destinada à farmácia ou drogaria.

Na Câmara, foram apresentados requerimentos de urgência para encurtar a tramitação e permitir que o texto seja levado diretamente ao Plenário, sem passar por comissões temáticas. Esse movimento intensificou o debate sobre a possibilidade de venda de medicamentos em supermercados e os limites regulatórios para esse modelo.

Há, porém, divergência nas informações disponíveis sobre o estágio exato da tramitação. Parte da cobertura regional e jornalística desta terça-feira (03/03/2026) trata o tema como “aprovado” e “indo à sanção”. Já a Agência Câmara, em publicação de 02/03/2026, classifica o projeto como “em análise” e menciona apenas os requerimentos de urgência. Com base nos dados públicos consultados, não foi possível confirmar de forma independente, em fonte oficial única e conclusiva, a aprovação final do mérito do PL no Plenário.

Regras para funcionamento em supermercados

De acordo com informações da Agência Câmara Notícias, o texto em discussão estabelece um conjunto de exigências para que a venda de medicamentos em supermercados ocorra com controle sanitário.

Entre os principais pontos, estão:

  • Manutenção da farmácia ou drogaria em ambiente físico exclusivo e separado do restante do supermercado;
  • Presença obrigatória de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento desse espaço;
  • Regras específicas para medicamentos sujeitos a controle especial, incluindo procedimentos como pagamento antes da entrega ou transporte em embalagem lacrada até o caixa, conforme previsto na proposta;
  • Proibição da venda de medicamentos em bancadas ou gôndolas fora da área da farmácia;
  • Uso de canais digitais apenas para entrega, respeitando as normas sanitárias aplicáveis.

No debate público anterior, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) registrou que o projeto foi revisto em comparação com versões que autorizavam a venda de medicamentos diretamente em gôndolas, e enfatizou a defesa de “farmácias completas” com farmacêutico, mencionando também a Anvisa no contexto de seu posicionamento institucional.

Efeitos para consumidor, varejo e farmácias

Caso o projeto avance e seja convertido em lei, após a conclusão do processo legislativo e eventual sanção, a venda de medicamentos em estruturas de farmácia dentro de supermercados tende a alterar a dinâmica do mercado.

Para o consumidor, a principal mudança seria o aumento dos pontos de acesso a medicamentos, com a possibilidade de concentrar compras em um único local. Ainda assim, a proposta impede a prática de “remédio na prateleira comum”, exigindo sempre a área segregada de farmácia ou drogaria para a dispensação.

Para supermercados e atacarejos, o modelo abre uma nova frente de negócios, mas impõe a criação de estrutura física dedicada, obtenção de licenças específicas e operação com farmacêutico presente durante todo o funcionamento, o que pode elevar custos de implantação e operação.

Já para o setor de farmácias e drogarias, a tendência é de aumento da concorrência em regiões onde grandes redes de supermercados tenham escala para instalar essas unidades internas, com possível pressão sobre preços e conveniência. Esse efeito é uma leitura econômica do desenho proposto; o texto legal se concentra nas condições de operação e controle sanitário.

Próximos passos no Congresso

No curto prazo, o foco está na tramitação do PL 2158/23 na Câmara, incluindo a confirmação do que efetivamente foi aprovado em Plenário ou em votações de urgência, bem como a publicação dos resultados oficiais.

Se a Câmara aprovar o mérito do projeto sem alterações em relação ao texto do Senado, a proposta poderá seguir para sanção presidencial. Caso os deputados modifiquem o conteúdo, o PL deve retornar ao Senado para nova análise, em linha com o fluxo padrão do processo legislativo.

Até a consolidação de informações oficiais e atualizadas sobre a votação, o status final do projeto permanece sob acompanhamento.

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