Antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem a Alexandre Moraes: “conseguiu bloquear?”
Segundo Malu Gaspar, do O Globo, peritos identificaram o texto “Conseguiu bloquear?” durante perícia digital feita após a apreensão do aparelho
Uma clínica de neuroreabilitação infantil suspendeu o atendimento de 220 crianças com deficiência ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Rio de Janeiro e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a unidade, a paralisação ocorre por falta de pagamento da operadora Unimed Ferj desde novembro. Diante do impasse, familiares registraram queixa na delegacia e buscaram apoio no Ministério Público do Rio (MPRJ).
Entre os pacientes afetados está Benício, de 6 anos, que tem hidrocefalia, paralisia cerebral e autismo. A mãe, a comerciante Ana Paula Freire, teme que a interrupção das terapias provoque retrocessos importantes no desenvolvimento do filho.
Ele vai regredir muito, muita coisa, provavelmente fazer uma outra cirurgia de quadril maior do que a que ele fez em julho. Nós queremos mudar de plano, todos aqui querem, mas nós não conseguimos porque todo plano quer carência ou não quer aceitar nossos filhos. Nenhum plano vai querer uma criança com deficiência, diz a mãe. Ana Paula Freire
Fachada do prédio da Unimed no Rio
Foto: Reprodução/TV Globo
Ravi, de 5 anos, também está sem atendimento. A avó, Lucimar de Oliveira Costa, afirma que a família paga cerca de R$ 2 mil por mês pelo plano de saúde e teme que a interrupção das terapias comprometa a evolução do neto, que é não verbal e vinha iniciando um processo de comunicação alternativa.
Segundo ela, Ravi faz fisioterapia motora diariamente, de segunda a sexta-feira, e qualquer interrupção no cronograma pode provocar regressão no quadro.
Sem respostas da Unimed, as famílias procuraram uma delegacia para registrar ocorrência. O caso foi classificado como “fato atípico”. Em seguida, os responsáveis buscaram o Ministério Público em busca de uma solução para a retomada dos atendimentos.

Benício, de 6 anos, tem hidrocefalia, paralisia cerebral e autismo
Foto: Reprodução/TV Globo
A situação ocorre em meio à crise da Unimed Ferj, que afeta cerca de 350 mil beneficiários há mais de um ano. Em janeiro, o RJ2 mostrou demissões de funcionários e a decisão de diversas unidades de saúde de deixar de atender clientes da operadora.
Na ocasião, a Unimed Ferj informou que tinha uma dívida de R$ 1,4 bilhão. Já a Associação de Hospitais do Estado do Rio apontou um valor superior, estimado em R$ 2 bilhões.
Em novembro do ano passado, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que a Unimed Brasil assumisse a assistência médica aos clientes da operadora no Rio e em Duque de Caxias. A responsabilidade pelo pagamento das dívidas, no entanto, permaneceu com a Unimed Ferj.
Em dezembro, uma decisão da Justiça proibiu a redução da cobertura ou a limitação de serviços considerados essenciais.
Entre as mães afetadas está Roberta Maia, servidora pública e mãe de Guilherme, de 11 anos, que cobra respeito aos usuários e às pessoas com deficiência.
O Ministério Público informou que já requisitou esclarecimentos à clínica de neuroreabilitação. A Polícia Civil, por sua vez, comunicou que agentes realizaram diligências para apurar e esclarecer as circunstâncias relatadas pelas famílias.
A crise da Unimed Ferj já motivou outras reclamações de pacientes, incluindo relatos de transferências para unidades na Baixada Fluminense por falta de vagas na capital e denúncias de demissões de funcionários sem garantia de direitos.
Em nota, a Unimed do Brasil afirmou ter realizado pagamentos parciais à unidade, referentes apenas aos atendimentos que, segundo a entidade, tiveram o mínimo de comprovação.
A Unimed do Brasil declarou ainda que não há contrato formalizado com a clínica citada e que tentou firmar a contratação em diversas ocasiões, sem sucesso. A entidade informou que já contratou prestadores de terapias especiais para dar continuidade aos atendimentos e que segue à disposição das famílias, trabalhando para normalizar a assistência aos beneficiários no Rio de Janeiro e em Duque de Caxias.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar comunicou que solicitou esclarecimentos à Unimed Brasil sobre a suspensão dos atendimentos na clínica Follow Kids. A ANS reforçou que é dever da operadora oferecer alternativas de profissionais ou de estabelecimentos de saúde para garantir que os atendimentos sejam realizados dentro dos prazos máximos previstos.
O RJ2 informou que pediu posicionamento à clínica de neuroreabilitação infantil Follow Kids e à Unimed Ferj, mas não houve retorno.