CPI do Crime Organizado cancela sessão no Senado após ausência de Campos Neto

Ex-presidente do Banco Central era esperado para depor em oitiva sobre possíveis falhas de fiscalização bancária; decisão do STF havia transformado a convocação em convite

03/03/2026 às 09:48 por Redação Plox

A sessão da CPI do Crime Organizado no Senado prevista para a manhã desta terça-feira (3 de março de 2026) foi cancelada após a ausência do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que estava na pauta para prestar depoimento. A oitiva trataria de possíveis falhas de fiscalização bancária em investigações envolvendo o Banco Master e a Reag Investimentos.

A ausência ocorre um dia depois de decisão do ministro André Mendonça, do STF, que converteu a “convocação” em “convite” e retirou a obrigatoriedade de comparecimento de Campos Neto.

Aprovação dos requerimentos marca o início da CPI do Crime Organizado no Senado Federal

Aprovação dos requerimentos marca o início da CPI do Crime Organizado no Senado Federal

Foto: Senado Federal do Brasil


Decisão do STF e sessão esvaziada

A reunião da CPI estava marcada para as 9h desta terça-feira, com objetivo de ouvir Roberto Campos Neto e João Carlos Falbo Mansur, ligado à Reag Investimentos.

Com a não ida de Campos Neto, a sessão acabou cancelada, em linha com o novo status de comparecimento facultativo após a decisão judicial. Até o momento desta apuração, não foi localizada em fontes oficiais abertas uma nota específica do Senado que detalhe, em texto, o ato de cancelamento motivado exclusivamente pela ausência de Campos Neto. Essa informação segue em apuração para confirmação documental, como ata, registro oficial da reunião ou comunicado.

Como o Senado e o STF trataram o caso

Na véspera, a Agência Senado informou oficialmente que a CPI ouviria Campos Neto às 9h do dia 3 de março, para discutir eventuais falhas na fiscalização bancária que poderiam ter favorecido a expansão de organizações criminosas, no contexto das apurações sobre o Banco Master.

No âmbito do Judiciário, a decisão do ministro André Mendonça, no STF, retirou a obrigatoriedade do depoimento, ao transformar a convocação em convite. A decisão também garantiu a Campos Neto o direito ao silêncio e a possibilidade de comparecer acompanhado por advogado, caso optasse por ir à comissão.

Efeitos na CPI e no poder de convocação

Para a CPI, o cancelamento da sessão representa um atraso na coleta de depoimentos considerados centrais para a linha de investigação que mira a relação entre crime organizado e sistema financeiro, especialmente no caso do Banco Master e de agentes do mercado.

Do ponto de vista institucional, a decisão do STF reforça que o poder de convocação das CPIs pode ser revisto judicialmente. Isso tende a aumentar a judicialização de oitivas sensíveis e a reduzir a previsibilidade do calendário de trabalhos da comissão.

Para o público, a não realização do depoimento mantém em aberto esclarecimentos sobre como a regulação e a fiscalização bancária atuaram — ou eventualmente falharam — diante de suspeitas de uso do sistema financeiro por organizações criminosas.

Próximos passos da CPI

Diante do cancelamento, a CPI deve reavaliar a estratégia de apuração: insistir em nova tentativa de oitiva de Campos Neto, agora na condição de convite; reforçar pedidos de documentos e informações técnicas; ou priorizar outros depoentes ligados ao caso.

No curto prazo, a tendência é que o colegiado reorganize a pauta e busque preservar o andamento da investigação por meio de diligências e depoimentos alternativos, já que, após a decisão do STF, a presença de Campos Neto passa a depender de adesão voluntária.

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