Dólar abre em alta com tensão no Oriente Médio e mercado espera PIB e Caged no Brasil

A ameaça iraniana envolvendo o Estreito de Ormuz impulsionou o petróleo, enquanto investidores monitoram a divulgação do PIB do 4º trimestre de 2025 e dados de emprego formal.

03/03/2026 às 09:04 por Redação Plox

O dólar abriu em alta nesta terça-feira (3), em um pregão marcado pela combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela divulgação de indicadores econômicos no Brasil. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.

No cenário internacional, o foco está na escalada do conflito envolvendo o Irã. A mídia estatal iraniana, em nome da Guarda Revolucionária, afirmou que o país fechou o Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar navios que tentarem atravessar a rota, em retaliação pela morte do aiatolá Ali Khamenei. A medida é considerada o anúncio mais duro desde o aviso inicial de bloqueio.

A declaração sobre o fechamento da principal rota de escoamento de petróleo do mundo disparou os preços da commodity e acendeu o alerta nos mercados globais. Nesta terça-feira, o petróleo segue em forte alta, com o barril registrando avanço superior a 7%.

No Brasil, a atenção dos investidores se volta para a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do 4º trimestre de 2025 e do resultado consolidado do ano passado, prevista para as 9h pelo IBGE. A projeção é de que a economia brasileira tenha crescido cerca de 0,1% no trimestre, encerrando o ano com alta próxima de 2,3%.

Mais tarde, às 11h, saem os dados de criação de empregos formais em janeiro, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o que deve acrescentar novos elementos à leitura do desempenho da atividade econômica.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik

Desempenho recente do dólar e da bolsa

No mercado de câmbio, o dólar acumula alta de 0,62% na semana e no mês. No ano, porém, a moeda norte-americana ainda registra queda de 5,88%.

Na renda variável, o Ibovespa sobe 0,28% na semana e no mês, mantendo, no acumulado de 2025, uma valorização expressiva de 17,49%.

Petróleo em disparada e impacto setorial

Os preços do petróleo e do gás dispararam, enquanto as principais bolsas do mundo recuaram nesta segunda-feira (2), em reação ao conflito no Oriente Médio, desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e pela resposta de Teerã.

O setor de aviação e turismo foi um dos mais penalizados, com empresas do segmento registrando perdas relevantes diante da perspectiva de custos mais altos de combustível e maior incerteza global.

O barril de Brent chegou a subir quase 14%, e o West Texas Intermediate (WTI) avançou 12% na abertura dos mercados, após o ataque que matou o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e outros dirigentes do país. O conflito afeta o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.

Na Europa, o preço do gás também deu um salto, com alta superior a 20%, em meio ao temor de que a guerra comprometa as exportações de gás natural liquefeito da região do Golfo, especialmente do Catar. O contrato futuro do TTF holandês, referência europeia, chegou a subir mais de 40%, a 45,105 euros.

A disparada do petróleo tende a favorecer empresas do setor de óleo e gás, que vendem a commodity a preços internacionais e veem sua receita e perspectiva de lucro crescerem quando o barril sobe.

No Brasil, as ações da Petrobras avançaram mais de 4%, aliviando a pressão sobre o Ibovespa. O movimento ajudou o índice a reduzir as perdas observadas pela manhã e a inverter o sinal ao longo do dia.

Wall Street e Europa em queda com tensão geopolítica

Em Wall Street, os índices futuros das bolsas americanas operam em queda antes da abertura do mercado, refletindo a preocupação com os efeitos de um petróleo mais caro sobre a atividade econômica e a inflação.

Por volta das 7h (horário de Brasília), o futuro do Dow Jones recuava cerca de 815 pontos, queda de 1,7%. O S&P 500 cedia aproximadamente 120 pontos, também com baixa de 1,7%, enquanto o Nasdaq 100 liderava as perdas, com recuo de cerca de 570 pontos, ou 2,3%, pressionado pela maior sensibilidade das empresas de tecnologia a períodos de aversão ao risco.

Na Europa, as bolsas também caíam forte nesta terça-feira, refletindo a alta do petróleo e do gás e o temor de que um conflito prolongado encareça combustíveis, transporte e produtos em geral, prejudicando o crescimento econômico.

Pela manhã, as principais praças europeias operavam no vermelho: Paris recuava 2,15%, Frankfurt caía 2,78%, Londres perdia 2,02%, Milão tinha baixa de 3,21% e Madri recuava 3,56%.

Bolsas asiáticas sentem o impacto; Cingapura foge da regra

Na Ásia, as bolsas fecharam em queda nesta terça-feira, pressionadas pelo agravamento da guerra no Oriente Médio, que elevou a aversão ao risco entre os investidores da região.

Na China, o índice de Xangai caiu 1,43%, aos 4.122 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, perdeu 1,54%, para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,12%, encerrando o dia em 25.768 pontos.

No Japão, o Nikkei despencou 3,1%, aos 56.279 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi teve queda acentuada de 7,24%, fechando em 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 2,20%, para 34.323 pontos, enquanto na Austrália o S&P/ASX 200 caiu 1,34%, aos 9.077 pontos.

A única exceção foi Cingapura: o Straits Times avançou 0,53%, para 4.916 pontos, contrariando o movimento negativo predominante nas demais bolsas asiáticas.

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