Após fazer Enem no hospital por decisão judicial, jovem com anemia aplásica é aprovado em medicina

Ítalo Cantanhede Rodrigues, de 17 anos, enfrentou quimioterapia, isolamento e complicações infecciosas após transplante de medula e, mesmo assim, conquistou vaga em três universidades

03/03/2026 às 08:25 por Redação Plox

Diagnosticado com uma doença rara e grave, um jovem paraense aprovado em medicina em três universidades públicas se prepara, com ansiedade e expectativa, para o início da vida acadêmica. Aos 17 anos, ele enfrentou sintomas severos, longas internações e precisou recorrer à Justiça para poder fazer o Enem dentro do hospital e manter o sonho de cursar medicina.

Ítalo Cantanhede Rodrigues, de 17 anos, foi diagnosticado com anemia aplásica medular severa, condição em que a medula óssea deixa de produzir adequadamente as células sanguíneas responsáveis por manter o organismo em funcionamento.

Segundo o pai, Wagner Cantanhede, sem tratamento a doença pode ser fatal, já que o paciente fica exposto a infecções graves, hemorragias e quadros de anemia profunda. 


Ítalo Cantanhede Rodrigues, de 17 anos.

Ítalo Cantanhede Rodrigues, de 17 anos.

Foto: Arquivo pessoal


Diagnóstico, mudança de rotina e batalha na Justiça

Ítalo era aluno do Colégio Militar de Belém quando, em maio de 2025, recebeu o diagnóstico da doença. A família então decidiu buscar tratamento em um hospital em São Paulo. Durante o período de internação, o estudante entrou na Justiça para garantir o direito de realizar o Enem no ambiente hospitalar.

De acordo com o pai, a fase foi marcada por medo, incertezas e sucessivas internações. Mesmo assim, a determinação do jovem em conquistar uma vaga em medicina se sobrepôs às dificuldades.

O esforço resultou na aprovação em três instituições públicas: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade do Estado do Pará (Uepa).

A opção de Ítalo foi pela Uepa, onde o início do curso de medicina está previsto para o segundo semestre de 2026.

Do lado do paciente, eu consegui aprender muitas coisas sobre como agir nessa profissão e como eu quero ser. Vou me dedicar, tentar fazer o melhor possível para poder tratar de outras pessoas que sofreram e que estão numa situação semelhante à minha.

Ítalo Cantanhede Rodrigues

Transplante de medula óssea e fase de isolamento

Conforme explica o pai, o tratamento indicado para o quadro foi o transplante de medula óssea (TMO). A família recebeu a notícia de que a irmã mais nova de Ítalo era uma doadora 100% compatível, o que permitiu a realização do procedimento.

Antes do transplante, o jovem passou por sessões de quimioterapia, períodos prolongados de isolamento e enfrentou complicações infecciosas ao longo da internação.

Após o TMO, a imunidade de Ítalo ficou extremamente baixa, exigindo cuidados intensivos e afastamento do convívio social. Ele ainda precisou lidar com infecções oportunistas, comuns em pacientes com o sistema imunológico comprometido.

Em meio a esse cenário, o cotidiano passou a ser dividido entre tratamentos, internações e uma rotina de estudos adaptada à nova realidade.


Ítalo Cantanhede Rodrigues, de 17 anos.

Ítalo Cantanhede Rodrigues, de 17 anos.

Foto: Arquivo pessoal

Enem no hospital e aprovação em três universidades

Durante o tratamento em São Paulo, a família viveu meses de desgaste físico e emocional, mas também de união e apoio mútuo. Mesmo com a saúde fragilizada, Ítalo manteve o foco nos estudos sempre que tinha condições.

Com a imunidade extremamente baixa após o transplante, ele não podia comparecer ao local originalmente designado para a prova do Enem. A saída encontrada foi buscar na Justiça o direito de fazer o exame dentro do hospital, em São Paulo, seguindo todos os protocolos médicos.

A decisão judicial favorável garantiu que o Enem fosse realizado em ambiente seguro. O resultado do esforço veio com a aprovação em três faculdades de medicina públicas, transformando a trajetória de tratamento em uma história de superação.

Resistência, fé e novos planos

Para a família, a aprovação ultrapassa o significado acadêmico e simboliza uma resposta à doença e às dificuldades enfrentadas.

Na visão de Ítalo, todo o processo vivido durante o tratamento e os estudos foi uma bênção e trouxe aprendizados importantes, como valorizar a vida, a família e os amigos.

O jovem pretende seguir com o tratamento e planeja retornar a Belém para reencontrar a rede de apoio, ficar perto da família e iniciar a formação em medicina na universidade escolhida, mantendo vivo o projeto de cuidar de outras pessoas em situação semelhante à que enfrentou.

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