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A ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, o empresário conhecido como “Careca do INSS”, afirmou à CPMI do INSS que tinha acesso ao cofre e a rotinas administrativas e pessoais do ex-chefe, mas negou qualquer repasse de dinheiro, realização de pagamentos ou compra de passagens para Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A oitiva foi marcada por embates com parlamentares e por momentos em que ela acionou o direito ao silêncio, garantido por decisão do STF.
A ex-secretária do “Careca do INSS”, Aline Bárbara Mota de Sá Cabral, prestou depoimento à CPI do INSS nesta segunda-feira (2/3)
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Aline Bárbara Mota de Sá Cabral, citada em reportagens como Aline Cabral, prestou depoimento na segunda-feira, 2 de março de 2026, à CPMI do INSS, comissão que investiga um esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. A sessão teve clima tenso, com troca de farpas com o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e reiteradas declarações de que responderia apenas ao que se lembrava e ao que considerava ser “da minha verdade”, recusando-se a avançar em pontos que pudessem incriminá-la.
Durante a oitiva, Aline relatou ter acesso direto ao cofre e a outros aspectos da vida financeira e pessoal de Antônio Carlos Camilo Antunes. Apesar dessa proximidade com o chamado “núcleo financeiro” em torno do “Careca do INSS”, ela insistiu em negar envolvimento em repasses de recursos para Lulinha, ponto mais sensível politicamente do depoimento.
Ela também confirmou ter emitido passagens para Danielle Miranda Fonteles, apontada em reportagens como publicitária ou marqueteira ligada ao PT. Em outro trecho do depoimento, disse ter tomado conhecimento de uma negociação envolvendo um imóvel em Trancoso (BA), associado ao empresário investigado, mas afirmou não saber se a compra foi efetivamente concluída.
O eixo central do depoimento foi a negativa da ex-secretária sobre qualquer repasse de dinheiro ou pagamentos ligados a Lulinha, embora o nome do filho do ex-presidente circule em relatos e documentos mencionados no contexto da CPMI e da Operação Sem Desconto. Segundo o que foi relatado na sessão, ainda não há, no âmbito da comissão, apresentação pública de um conjunto documental considerado conclusivo sobre essas suspeitas.
Essa resposta de Aline mantém o tema no centro da disputa política em torno da CPMI. Ao mesmo tempo, eleva a pressão para que sejam exibidos documentos, comprovantes, mensagens e relatórios que confirmem ou descartem, de forma mais objetiva, as suspeitas de repasses envolvendo o círculo do “Careca do INSS” e Lulinha.
De acordo com informações da Agência Senado, a CPMI convocou a ex-secretária para esclarecer a dinâmica das empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, investigado por articular entidades e servidores em um esquema de fraudes que teria gerado descontos sem autorização em benefícios do INSS.
Já a Band divulgou que o depoimento foi mantido após decisão do STF que assegurou a obrigatoriedade de comparecimento, mas garantiu à Aline o direito de permanecer em silêncio em questões que pudessem implicá-la criminalmente, procedimento considerado comum em CPIs e CPMIs quando há risco de responsabilização penal do depoente.
Para a CPMI, o depoimento de Aline reforça a disputa interna sobre o rumo dos trabalhos: parte dos integrantes busca avançar nas possíveis conexões políticas do esquema, enquanto outro grupo pressiona para consolidar provas sobre o “núcleo financeiro” e a engrenagem operacional das fraudes em descontos.
Para o debate público, a negativa de repasses a Lulinha não encerra o assunto, mas eleva o patamar de exigência por rastreabilidade financeira, com apresentação de documentos, notas fiscais, registros de viagens, mensagens e relatórios, antes de qualquer conclusão definitiva sobre as alegações.
Em relação a aposentados e pensionistas, o foco político em torno de personagens de maior visibilidade convive com a questão de fundo: a responsabilização pelos descontos indevidos e a identificação de quem operacionalizou e se beneficiou do esquema de fraudes em benefícios do INSS.
A expectativa é que a CPMI busque confrontar o depoimento de Aline com documentos já coletados, como relatórios financeiros e mensagens citadas em reportagens anteriores sobre a Operação Sem Desconto. A comissão também deve intensificar pedidos de quebra de sigilo e convocações de outros personagens ligados ao caso, com atenção especial ao papel de empresas e intermediários associados ao “Careca do INSS”.
Outra frente esperada é o aprofundamento da apuração sobre transações imobiliárias e pagamentos mencionados na oitiva, incluindo a negociação do imóvel em Trancoso (BA), para verificar se houve concretização do negócio e eventual relação com o esquema investigado.
Até o momento, as informações disponíveis registram essencialmente a negativa de Aline sobre repasses a Lulinha e a descrição de sua atuação junto ao ex-chefe. Não há, nas fontes citadas, um conjunto documental tornado público na sessão que seja capaz de confirmar ou afastar de forma definitiva as suspeitas levantadas em depoimentos anteriores.
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