Antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem a Alexandre Moraes: “conseguiu bloquear?”
Segundo Malu Gaspar, do O Globo, peritos identificaram o texto “Conseguiu bloquear?” durante perícia digital feita após a apreensão do aparelho
Doações registradas na prestação de contas de 2022 do ex-deputado federal Lucas Gonzalez (Novo) voltaram ao centro do debate político em Minas Gerais após a revelação de que R$ 60 mil saíram de familiares de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e investigado em apuração da Polícia Federal. Os valores aparecem como regulares na documentação apresentada à Justiça Eleitoral e foram aprovados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme dados tornados públicos.
Lucas Gonzalez, ex-deputado federal, prestou contas dos recursos. TSE aprovou a documentação
Foto: crédito: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
De acordo com a prestação de contas da campanha de 2022, familiares de Daniel Vorcaro doaram R$ 60 mil à candidatura de Lucas Gonzalez. A maior parte do montante, R$ 50 mil, teria sido repassada por Felipe Cançado Vorcaro, apontado como primo de Daniel Vorcaro. Outros R$ 10 mil foram doados por Fabiano Campos Zettel, descrito como cunhado do banqueiro.
As informações foram divulgadas pelo Estado de Minas, com base em dados públicos do sistema de prestação de contas eleitorais aprovadas pelo TSE. A aprovação indica que a Justiça Eleitoral considerou a documentação apresentada adequada aos critérios formais exigidos para o registro das doações.
Procurado pela reportagem, Lucas Gonzalez declarou que as contribuições recebidas são públicas, devidamente registradas e já aprovadas, e afirmou não ter ingerência sobre as ações e negócios dos doadores.
Paralelamente ao debate eleitoral, uma nota da Agência Senado informou que Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel estavam previstos para depor à CPI do Crime Organizado em uma quarta-feira, 04/03/2026, a partir das 9h. A convocação menciona suspeitas ligadas à gestão fraudulenta de instituição financeira no contexto do caso Banco Master.
No campo eleitoral, a reportagem do Estado de Minas ressalta que as doações feitas à campanha de Gonzalez constam regularmente na prestação de contas e foram aprovadas pelo TSE. Esse tipo de aprovação, em regra, significa que a documentação formal foi aceita, sem representar, automaticamente, qualquer posição da Justiça Eleitoral sobre eventuais investigações criminais envolvendo os doadores.
Para o eleitor, o episódio reacende a discussão sobre como doações de pessoas físicas de alta renda podem influenciar campanhas, ainda que dentro dos parâmetros legais e com registro transparente na Justiça Eleitoral.
Na política mineira, o caso ganha relevo porque Lucas Gonzalez é ligado ao partido Novo e ao governo estadual, tendo ocupado funções como secretário ou subsecretário após o mandato na Câmara. A associação indireta do ex-deputado com pessoas investigadas tende a provocar desgaste político e pressionar por explicações públicas adicionais.
Já em relação ao acompanhamento do caso Banco Master, a proximidade temporal entre as doações em debate e os depoimentos previstos no Senado tende a ampliar a repercussão do tema. Isso pode estimular a busca por conexões entre personagens do setor financeiro e o ambiente político, especialmente em torno de campanhas financiadas por familiares de investigados.
No Senado, a CPI do Crime Organizado deve ouvir Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel na data marcada, o que pode trazer novos elementos públicos sobre a atuação do Banco Master e possíveis relações com terceiros, inclusive no campo político.
No âmbito eleitoral, como os dados de doações são públicos, é provável que novas checagens e cruzamentos envolvendo a campanha de 2022 e outros pleitos sejam explorados por veículos de imprensa e órgãos de controle.
A continuidade da apuração dependerá da divulgação de novos documentos e manifestações formais, como defesas, decisões judiciais e eventuais atualizações de investigações conduzidas por autoridades, para indicar se a doação de R$ 60 mil feita por familiares de Vorcaro à campanha de Lucas Gonzalez terá efeitos que extrapolem o desgaste político e o debate público sobre financiamento eleitoral.