Antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem a Alexandre Moraes: “conseguiu bloquear?”
Segundo Malu Gaspar, do O Globo, peritos identificaram o texto “Conseguiu bloquear?” durante perícia digital feita após a apreensão do aparelho
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a atuar como advogado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em meio a decisões judiciais que vêm flexibilizando, ao menos em parte, as restrições de contato impostas durante a custódia. A mudança ocorre no contexto da execução penal e das regras da Polícia Federal (PF) para visitas, em um cenário de disputa política e jurídica entre aliados do ex-presidente e o Supremo Tribunal Federal (STF). Na prática, Flávio vira advogado de Bolsonaro e amplia o acesso ao pai na prisão, dentro dos limites fixados pelas decisões judiciais e normas da PF.
Flávio Bolsonaro e o pai, Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução/ Instagram Flávio Bolsonaro
Em decisão noticiada em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a inclusão de Flávio Bolsonaro na lista de visitantes do ex-presidente, preso na Superintendência da PF em Brasília. A autorização ficou condicionada ao cumprimento das regras previstas em portaria interna da PF, que estabelecem dias, horários e limitações de acesso.
Em 2025, quando Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, Moraes também havia autorizado visitas de familiares, após inicialmente restringir o contato apenas a advogados. Nesse período, Flávio chegou a visitar o pai e criticou publicamente a decisão, afirmando que o ministro “não fez favor nenhum”.
Mesmo com a atuação de Flávio na defesa do pai e com sucessivos ajustes nas condições de contato, a apuração ainda aponta a necessidade de confirmação sobre um eventual despacho recente, em 03/03/2026, que formalize de maneira inequívoca sua habilitação como advogado com efeitos diretos sobre o regime de visitas.
As informações disponíveis indicam autorizações de visita e flexibilização de regras de contato, mas não detalham, de forma conclusiva, um ato específico que registre formalmente, com data e documento, a condição de Flávio como advogado habilitado a ampliar o acesso ao pai na prisão. Para publicação com referência precisa a essa formalização, seria necessário consultar os autos da execução penal no STF e eventuais registros de procuração ou habilitação.
Enquanto isso, segue em vigor o conjunto de limitações próprias da custódia: controle de dias e horários, número de visitantes e cumprimento de procedimentos internos da PF. A possibilidade de visitas na condição de advogado pode, em tese, funcionar de maneira distinta da cota de familiares, mas isso ainda depende de confirmação documental.
Decisões do STF, por meio de despachos do ministro Alexandre de Moraes reportados pela imprensa, vêm estabelecendo e ajustando as condições de contato e visitas a Jair Bolsonaro. Essas decisões mantêm restrições, ao mesmo tempo em que exigem observância das regras operacionais da PF sempre que o ex-presidente estiver sob custódia.
Em contexto anterior, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) registrou, em notícia institucional de 2019, informações sobre a inscrição de Flávio Bolsonaro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ao abordar uma disputa judicial que envolvia o cancelamento e o posterior restabelecimento de seu registro profissional.
Para a família e a defesa, a inclusão de familiares e advogados nas listas de visita, somada à flexibilização parcial das regras, tende a facilitar encontros presenciais, ainda que submetidos a limites claros de dias, horários, quantidade de visitantes e procedimentos internos. A atuação de Flávio como advogado de Jair Bolsonaro reforça esse movimento de tentar ampliar o canal direto com o ex-presidente dentro da prisão, sem afastar as exigências fixadas pelas autoridades.
No campo político, o caso alimenta a estratégia de aliados de manter Jair Bolsonaro como referência central, mesmo preso. As decisões do STF e as normas da PF sobre acesso e visitas repercutem diretamente na narrativa construídas por apoiadores, que exploram a ideia de perseguição e usam o tema para mobilizar a base bolsonarista.
Em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, parlamentares e lideranças locais tendem a ecoar essas decisões em agendas de rua, discursos no Congresso e articulações partidárias mirando as eleições de 2026, mantendo o debate sobre as condições de custódia e o papel de Flávio na defesa do pai em evidência.
Entre os pontos pendentes, está a verificação, nos autos da execução penal no STF, sobre a existência de despachos recentes que formalizem Flávio Bolsonaro como advogado habilitado e esclareçam se isso modifica, na prática, o regime de acesso ao ex-presidente, por exemplo, com visitas na condição de advogado fora da cota reservada a familiares.
Também é necessário solicitar posicionamentos formais da defesa de Jair Bolsonaro e da Polícia Federal sobre as regras vigentes de visita — incluindo dias, horários e eventuais atualizações de portarias específicas aplicáveis ao caso — para definir com precisão o alcance das medidas que hoje permitem que Flávio atue simultaneamente como senador, familiar e advogado do pai sob custódia.