Investigado no caso Banco Master, Luiz Phillipi Mourão morre na prisão; caso é de suspeita de suicídio
Conhecido como “Sicário”, ele estava internado no Hospital João XXIII, em MG; PF abrirá investigação interna e enviará vídeos ao STF
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) confirmou que utilizou um jato modelo Phenom 300 em deslocamentos feitos durante uma caravana de apoio a Jair Bolsonaro, no segundo turno das eleições de 2022. A informação veio à tona em reportagem que atribui a apuração à coluna de Malu Gaspar, de O Globo, e relaciona a aeronave ao empresário Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master.
Nikolas Ferreira usou jatinho de Vorcaro na campanha de Bolsonaro
Foto: Reprodução/Instagram
De acordo com a publicação, o jato foi usado por Nikolas Ferreira em uma agenda batizada de “Juventude pelo Brasil”, que reuniu eventos em diferentes estados e no Distrito Federal na reta final do segundo turno de 2022. A reportagem aponta que os voos teriam ocorrido entre 20 e 28 de outubro daquele ano.
A rota do Phenom 300 teria sido reconstituída a partir de registros de transponder, monitorados em plataformas especializadas, cruzados com datas e locais divulgados nas redes sociais sobre a caravana.
Segundo o texto, o avião estaria vinculado ao grupo Prime You, descrito como uma empresa que reúne aeronaves e outros bens associados a Daniel Vorcaro.
Conforme reproduzido na reportagem, Nikolas Ferreira confirmou que esteve nos voos do Phenom 300 durante a caravana. Ele afirmou que não sabia quem era o dono da aeronave naquele momento, declarou não ter relação com Vorcaro e disse que foi convidado para a agenda pelo pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha, sem participar da logística ou do custeio dos deslocamentos.
A defesa de Daniel Vorcaro, ainda segundo a publicação, sustenta que a aeronave não pertence ao empresário, embora ele tenha sido apontado como sócio da empresa proprietária no período mencionado. Já a Prime You teria informado que os voos ocorreram como fretamentos dentro das práticas do mercado de táxi aéreo e que não poderia divulgar contratantes nem valores, alegando regras do setor e a legislação de proteção de dados.
O nome de Daniel Vorcaro aparece em reportagens sobre investigações envolvendo o Banco Master e sobre doações eleitorais. Em novembro de 2025, a Polícia Federal apreendeu um jato atribuído a ele, avaliado em cerca de R$ 200 milhões, no âmbito de apurações relacionadas ao banco, conforme noticiado por veículos como Band e Poder360.
Nesse cenário, o uso de um jatinho ligado a Vorcaro em uma caravana política de apoio a Bolsonaro coloca o deputado Nikolas Ferreira no centro de questionamentos sobre ligações entre agentes políticos e empresários investigados, ainda que o parlamentar negue qualquer relação com o empresário.
A reportagem também levanta dúvidas sobre a transparência de deslocamentos aéreos de alto custo em agendas políticas paralelas às campanhas oficiais. O texto citado aponta que, por não integrarem formalmente a estrutura da campanha de Jair Bolsonaro, esses voos não precisariam constar na prestação de contas ao TSE.
Esse ponto tende a alimentar discussões sobre possíveis lacunas na rastreabilidade de gastos e de apoios indiretos em períodos eleitorais. Em Minas Gerais, base eleitoral de Nikolas Ferreira, o episódio pode ter efeitos na imagem pública do deputado, sobretudo entre eleitores sensíveis a temas de financiamento político e relações com o meio empresarial.
Até agora, o debate público se apoia na reportagem que cita a coluna de O Globo e em declarações atribuídas às partes envolvidas. Para o avanço da apuração, permanecem em aberto questões como a identificação exata da aeronave utilizada, quem contratou os fretamentos e se houve pagamento por terceiros, além de como eventuais repasses se enquadram nas regras eleitorais e de prestação de contas.
A tendência é que adversários políticos e órgãos de controle intensifiquem a cobrança por detalhes sobre o custeio e a organização da caravana de 2022, bem como sobre possíveis vínculos empresariais. Em paralelo, o desenrolar das investigações ligadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro pode ampliar o interesse sobre conexões políticas indiretas, mesmo diante das negativas de relação por parte dos envolvidos.