Obesidade avança no mundo e no Brasil e especialistas alertam para doença crônica

No Dia Mundial da Obesidade, em 4 de março, médicas reforçam a necessidade de acompanhamento contínuo diante do sedentarismo e do consumo de ultraprocessados

03/03/2026 às 11:34 por Redação Plox

Em um cenário marcado por mudanças nos hábitos de vida, aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e sedentarismo crescente, a obesidade se consolidou como uma das maiores ameaças à saúde pública mundial. No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, o alerta ganha ainda mais força: a condição deixou de ser vista apenas como questão estética e passou a ser reconhecida como uma doença crônica, complexa e multifatorial, com profundo impacto na qualidade e na expectativa de vida.

Dados da Organização Mundial da Saúde evidenciam a dimensão do problema: mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo. No Brasil, o avanço também preocupa. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que mais da metade da população adulta está acima do peso e cerca de 25% já convivem com obesidade, em uma trajetória de crescimento contínuo que reflete mudanças sociais, econômicas e comportamentais das últimas décadas.

:: Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março ::

Foto: Divulgação

Doença crônica que exige cuidado contínuo

Especialistas ressaltam que a obesidade não deve ser encarada como uma condição passageira. Trata-se de uma doença crônica que requer acompanhamento permanente, assim como o diabetes e a hipertensão. A nutróloga da Usisaúde, Dra. Juliana Vasconcellos, destaca que o caráter crônico da obesidade está diretamente ligado à necessidade de tratamento contínuo.

A obesidade é uma doença de longo prazo que precisa ser tratada continuamente. Assim como outras doenças crônicas, ela pode entrar em remissão, mas exige cuidado constante, principalmente por meio da mudança do estilo de vida.Dra. Juliana Vasconcellos

A endocrinologista do Hospital Márcio Cunha, Dra. Priscila Nunes, reforça que o acompanhamento clínico é fundamental tanto para o diagnóstico quanto para o direcionamento do tratamento. Segundo ela, o Índice de Massa Corporal (IMC) ainda é amplamente usado como parâmetro inicial para identificar excesso de peso, mas exames complementares, como a bioimpedância, permitem uma avaliação mais detalhada da composição corporal.

De acordo com a médica, a bioimpedância ajuda a diferenciar a quantidade de gordura, massa muscular e água no organismo. Além disso, o acompanhamento profissional auxilia na identificação de fatores que podem ter desencadeado o ganho de peso, como traumas emocionais, ansiedade ou depressão, que também precisam ser abordados ao longo do tratamento.

Consequências e riscos associados à obesidade

A complexidade da obesidade se revela, principalmente, em suas consequências. Estudos científicos apontam que a doença está associada a mais de 150 condições clínicas. Entre os impactos mais imediatos estão o aumento do risco de hipertensão arterial e diabetes tipo 2. A longo prazo, os desdobramentos podem ser ainda mais graves, incluindo doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral, além de diversos tipos de câncer, especialmente os que acometem o trato gastrointestinal.

Outro agravante comum é a apneia do sono, que compromete o descanso adequado e favorece o surgimento de problemas metabólicos. Alterações articulares, como a osteoartrose de joelho, também aparecem com frequência em razão da sobrecarga nas articulações provocada pelo excesso de peso, gerando dor, limitação funcional e redução da mobilidade.

Estilo de vida, tratamento e visão além da balança

No processo de perda de peso e na manutenção dos resultados, as mudanças de estilo de vida aparecem como eixo central do tratamento. A nutróloga ressalta que é preciso olhar para o conjunto de fatores que interferem na saúde.

A alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, a qualidade do sono e o manejo do estresse formam os pilares do cuidado com a obesidade. Concentrar esforços em apenas um desses pontos, de forma isolada, costuma não ser suficiente para promover mudanças duradouras.

As especialistas enfatizam, ainda, que reduzir a obesidade a uma questão de escolha pessoal ou falta de disciplina é um equívoco que alimenta o estigma e dificulta a procura por ajuda. Fatores hormonais e alterações no sistema nervoso central, responsáveis pelo controle da fome e da saciedade, também têm influência direta no ganho de peso.

Dra. Priscila destaca que a perda de peso não depende exclusivamente da força de vontade, uma vez que alterações hormonais e neurológicas podem interferir nesse processo. Por isso, o tratamento adequado e o acompanhamento profissional são considerados essenciais.

Combate ao preconceito e importância do acolhimento

O preconceito em relação às pessoas com obesidade, além de injusto, pode afastar pacientes do tratamento e agravar quadros emocionais, criando um ciclo difícil de romper. Nesse contexto, informação de qualidade e acolhimento se tornam ferramentas fundamentais para o enfrentamento da doença.

As médicas reforçam que a obesidade tem tratamento e que existem diferentes estratégias terapêuticas disponíveis, para além dos medicamentos mais conhecidos. A principal mensagem, segundo elas, é não desistir e buscar ajuda especializada para transformar essa realidade.

Diante do avanço expressivo da obesidade, o Dia Mundial dedicado ao tema funciona como um chamado à conscientização coletiva. Reconhecer a obesidade como doença crônica significa também admitir que o cuidado não pode ser pautado por julgamentos, mas por ciência, empatia e compromisso com a saúde e a dignidade humana.

Fundação São Francisco Xavier: atuação em saúde e educação

Fundação São Francisco Xavier

A Fundação São Francisco Xavier é uma entidade filantrópica em atividade desde 1969 e conta com cerca de 6.200 colaboradores. Atualmente, administra duas unidades hospitalares: o Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, com aproximadamente 70% dos atendimentos realizados pelo SUS, e o Hospital Municipal Carlos Chagas, em Itabira (MG), com 100% dos atendimentos via SUS.

As unidades hospitalares são reconhecidas pela gestão responsável, pela oferta de atendimentos de excelência e pela adoção de boas práticas de segurança. Além dos hospitais, a Fundação administra a operadora de planos de saúde Usisaúde, que possui cerca de 200 mil vidas, o Centro de Odontologia Integrada, que mantém alguns dos melhores indicadores de saúde bucal já divulgados no Brasil, e o Serviço de Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional e Meio Ambiente – Vita, que soma mais de 160 mil vidas sob sua gestão.

Na área educacional, o Colégio São Francisco Xavier, unidade precursora localizada em Ipatinga, é referência em educação na região, com cerca de 2 mil alunos, da educação infantil à formação técnica.

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