Fazenda atribui desaceleração do PIB em 2025 a juros altos e política monetária contracionista

SPE aponta impacto relevante da Selic elevada; economia cresceu 2,3% em 2025, abaixo dos 3,4% de 2024, no menor resultado em cinco anos

03/03/2026 às 09:29 por Redação Plox

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avaliou, nesta terça-feira (3), que a desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 mostra que a política monetária contracionista — isto é, o patamar elevado da taxa de juros — exerceu impacto relevante sobre a atividade econômica.

Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB do Brasil avançou 2,3% em 2025. O desempenho representa perda de ritmo em relação a 2024, quando a economia cresceu 3,4%, e corresponde ao menor resultado em cinco anos.


IBGE informou que o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025.

IBGE informou que o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025.

Foto: Freepik


A taxa básica de juros da economia brasileira está atualmente em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação e buscar o cumprimento da meta central de 3% estabelecida para este e para os próximos anos.

A perda de fôlego [da economia] tornou-se mais evidente no segundo semestre, quando a atividade permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro. Não fosse a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, pela ótica da oferta, e do setor externo, pela ótica da demanda, a economia teria apresentado desempenho ainda mais fraco nos últimos dois trimestres de 2025. Ministério da Fazenda

Governo mantém projeção de crescimento para 2026

Para 2026, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,3%. Já o mercado financeiro estima uma expansão menor, de 1,8% no ano.

Pela ótica da oferta, a avaliação do governo é de uma desaceleração mais intensa da agropecuária, que deve ser compensada por um maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços. Do lado da demanda, a expectativa é de aumento da contribuição da absorção doméstica em comparação a 2025, contrabalançado por uma participação menor do setor externo.

PIB deve acelerar no início do ano e perder força depois

Para o primeiro trimestre deste ano, o governo projeta uma aceleração acentuada do PIB, com crescimento próximo de 1%. A avaliação é que esse movimento será impulsionado principalmente pelo aumento da renda disponível da população com a isenção do imposto de renda retido na fonte para quem recebe até R$ 5 mil.

Na sequência, a expectativa oficial é de uma desaceleração gradual no ritmo de expansão da atividade econômica, à medida que os efeitos das políticas públicas percam intensidade. Essa perda de impulso deve ser parcialmente compensada pela redução do custo do crédito, com a queda esperada na taxa básica de juros, a Selic.

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