Antes de ser preso, Vorcaro mandou mensagem a Alexandre Moraes: “conseguiu bloquear?”
Segundo Malu Gaspar, do O Globo, peritos identificaram o texto “Conseguiu bloquear?” durante perícia digital feita após a apreensão do aparelho
“Ele foi o meu herói e o herói de outras pessoas também.” É assim que a secretária Taciélle Rufino Cunha define o último ato do noivo, o policial penal Reinaldo Neiva Ferreira, de 36 anos, que morreu soterrado após ajudar a salvar a companheira e vizinhos em um prédio atingido por um deslizamento no bairro Paineiras, na noite de segunda-feira (23).
Antes de ser alcançado pela lama e pelos escombros, o policial conseguiu retirar moradores do imóvel, mas não teve tempo de escapar. Para Taciélle, o comportamento dele naquele momento resume a maneira como ele vivia: sempre disposto a socorrer quem estivesse em perigo.

Taciélle Rufino Cunha e o noivo, Reinaldo Neiva Ferreira, policial penal que morreu soterrado após salvar a companheira e vizinhos.
Foto: Arquivo Pessoal
De acordo com o relato de Taciélle, tudo começou quando o casal percebeu a gravidade da chuva e os riscos no entorno do prédio.
Ao abrir a janela, a gente se deparou com uma enxurrada de água caindo. Imediatamente ele falou: ‘Vamos descer, vamos ajudar as pessoas, ver do que estão precisando’. Descemos do prédio e ele começou a verificar se os vizinhos já tinham saído de suas casas Taciélle Rufino Cunha
Enquanto o policial penal verificava se todos tinham conseguido sair, um novo estrondo anunciou que a situação iria piorar. Nesse momento, ele orientou que todos corressem e se afastassem do barranco.
Segundo a noiva, a reação dele foi imediata. No impulso de proteger Taciélle, Reinaldo acabou sacrificando a própria vida. Ele a empurrou para dentro de um portão aberto, em um ponto mais alto, garantindo que ela escapasse do deslizamento.
Ela lembra que, por ser atleta, Reinaldo correu mais rápido e conseguiu colocá-la em segurança. O gesto foi decisivo para que ela sobrevivesse à enxurrada de lama que desceu logo em seguida.
Depois de perceber que havia sido salva, Taciélle entrou em desespero ao notar que o noivo não respondia aos chamados. Tudo ao redor estava escuro, tomado pela lama, o que dificultava qualquer tentativa de localizar Reinaldo naquele momento.
Sem respostas e sem conseguir enxergar o que acontecia, ela relata que só conseguia gritar por ajuda, em meio ao cenário de destruição causado pelo deslizamento.

Taciélle Rufino Cunha e o noivo, Reinaldo Neiva Ferreira, policial penal que morreu soterrado após salvar a companheira e vizinhos.
Foto: Rodrigo Neves/TV Integração
O casal estava junto havia seis anos e morava no local há quatro. Reinaldo atuava como policial penal havia dez anos e, segundo a família, o plano era oficializar o casamento ainda neste ano.
O corpo de Reinaldo permaneceu sob os destroços por mais de 24 horas, até ser localizado pelas equipes de resgate na madrugada de quarta-feira (25). Para a noiva, a forma como ele agiu na tragédia resume o caráter que sempre demonstrou ao longo da vida.
Segundo Taciélle, era comum que ele deixasse compromissos pessoais de lado para ajudar outras pessoas. Até o último momento, afirma ela, ele se manteve fiel a essa postura de colocar o próximo em primeiro lugar.