Zema derruba na Justiça isenção parcial do IPSM para militares inativos com doenças incapacitantes

TJMG considerou inconstitucional emenda aprovada pela ALMG em 2025 que limitava a cobrança da contribuição previdenciária e previa alívio para casos de enfermidades graves

03/03/2026 às 18:52 por Redação Plox

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) derrubou a isenção parcial de contribuição previdenciária para militares inativos com doenças incapacitantes vinculados ao Instituto de Previdência Social dos Militares (IPSM). A decisão atinge aposentados, reformados e pensionistas e foi tomada em ação movida pelo governo de Minas a pedido do governador Romeu Zema (Novo), revertendo o alívio na cobrança para esse grupo e abrindo nova frente de tensão com deputados da área de segurança pública.

Zema derruba na Justiça isenção para militares com doenças incapacitantes

De acordo com apuração publicada pelo Estado de Minas, o TJMG considerou inconstitucional a emenda à Constituição estadual que garantia isenção parcial da contribuição ao IPSM para militares inativos com doenças incapacitantes. O benefício, segundo o relato, alcançava um conjunto de 17 enfermidades graves.

Foto: Agência Brasil


A mudança havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 2025, com ampla maioria, e é associada ao deputado Sargento Rodrigues (PL), apontado como autor da proposta. O governo contestou o texto por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

Na ação, o Executivo sustentou a existência de “vício de origem”, defendendo que alterações desse tipo na área previdenciária dos militares deveriam partir do próprio governo, e não de iniciativa parlamentar. Com a decisão do TJMG, a emenda perde efeito e cai a isenção previdenciária concedida aos militares inativos com doenças incapacitantes.

Como era a regra da isenção derrubada

Em nota institucional anterior, a ALMG informou que a PEC 34/24 foi aprovada em 2º turno em maio de 2025. O texto previa que militares da reserva, reformados e pensionistas com doenças incapacitantes contribuiriam apenas sobre a parcela de seus proventos que ultrapassasse o dobro do teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), enquanto não fosse editada lei complementar específica para o regime militar.

Segundo o Estado de Minas, o governo Romeu Zema levou o caso ao TJMG por meio de ADI e obteve decisão pela inconstitucionalidade da emenda, o que elimina o benefício previdenciário que havia sido aprovado para a categoria.

Até o momento, a decisão é conhecida a partir da reportagem do veículo, sem que a íntegra do acórdão ou o andamento detalhado do processo tenham sido anexados ao debate público descrito no texto original. Permanecem em apuração informações como número do processo, data exata do julgamento e eventuais efeitos imediatos, como modulação.

Impacto sobre militares e cenário político em Minas

Para militares veteranos, reformados e pensionistas com doenças incapacitantes, a expectativa é de retorno à cobrança previdenciária nos moldes anteriores à emenda derrubada. Na prática, isso tende a reduzir o valor líquido recebido mensalmente, a depender da faixa de proventos e das regras aplicadas pelo IPSM.

No campo político, a ofensiva judicial do Executivo adiciona pressão à relação entre o Palácio Tiradentes e a bancada ligada à segurança pública na ALMG, em especial parlamentares do PL. O movimento ocorre em um momento em que o vice-governador Mateus Simões (PSD) busca construir apoios para 2026, conforme contextualizado pelo Estado de Minas.

Para a Assembleia, a decisão do TJMG reforça a disputa em torno da competência e da iniciativa legislativa em temas previdenciários, sobretudo no que diz respeito a militares. O cenário abre espaço para novas tentativas de reintroduzir algum tipo de benefício, seja por iniciativa do Executivo, seja por lei complementar específica.

O que ainda pode acontecer

Os próximos desdobramentos passam pela publicação e acesso à íntegra da decisão do TJMG, o que permitirá esclarecer fundamentos, alcance e eventuais limites aos efeitos da derrubada da emenda.

Também são aguardadas possíveis reações formais da ALMG e de entidades representativas de militares, incluindo pedidos de esclarecimento, recursos ou articulações políticas para novo texto. Do lado do governo de Minas e do IPSM, a expectativa é por um posicionamento sobre como e quando a cobrança voltará a ser aplicada e se haverá orientação administrativa específica aos militares atingidos pela decisão.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a