Trabalho em condições análogas à escravidão: imigrantes são libertados de oficinas ligadas à produção de marcas de vestuário em MG
Fiscalizações do MTE em oficinas de costura em Betim e Contagem apontaram jornadas acima de 12 horas, condições degradantes e irregularidades; empresas recorrem e podem ir para a “lista suja”
03/04/2026 às 07:05por Redação Plox
03/04/2026 às 07:05
— por Redação Plox
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As marcas mineiras Anne Fernandes e Lore foram autuadas por auditores-fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) após o resgate de trabalhadores bolivianos em oficinas de costura em Betim e Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As informações foram publicadas pelo Estado de Minas nesta quinta-feira (2).
Segundo a reportagem, as fiscalizações ocorreram entre agosto e setembro de 2025 e apontaram condições consideradas degradantes nos locais onde eram confeccionadas peças das duas grifes.
Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas
Foto: Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)
Fiscalização aponta jornadas longas e condições degradantes
De acordo com o Estado de Minas, entre os problemas identificados estavam jornadas superiores a 12 horas diárias, ambientes abafados e sem ventilação adequada, além de falta de banheiros apropriados e instalações elétricas irregulares, com risco à segurança dos trabalhadores.
A reportagem também relata que foram encontradas fichas técnicas das marcas com orientações de produção. Para os fiscais, isso indicaria monitoramento da confecção, com visitas periódicas às oficinas para acompanhar encomendas, entrega de tecidos e o andamento do trabalho.
Bebedouro apoiado sobre vaso sanitário em operações realizadas por auditores fiscais do trabalho.
Foto: Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)
Crianças nos imóveis e registro de filtro de água em vaso sanitário
O jornal descreve ainda que havia crianças vivendo nos locais fiscalizados, já que parte dos trabalhadores estava alojada no mesmo imóvel onde funcionava a produção.
Um dos registros citados na matéria mostra um filtro de água apoiado sobre um vaso sanitário.
Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas
Foto: Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)
Processos administrativos e possibilidade de inclusão na “lista suja”
Segundo o Estado de Minas, as duas empresas recorrem das autuações em processos administrativos no MTE. Após a fase de defesa, se as autuações forem mantidas, as marcas podem ter os nomes incluídos no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”.
Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas
Foto: Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)
O que dizem as empresas
Ainda conforme a reportagem, a Lagoa Mundau, responsável pela marca Anne Fernandes, afirmou que mantinha contrato de industrialização por encomenda (“facção”) com a oficina citada e que a interação se limitava à entrega de matéria-prima e ao recebimento das peças prontas. A empresa disse que rompeu o contrato após tomar conhecimento do resgate.
Já a Lore informou, segundo o jornal, que mantém contratos mercantis/civis com oficinas regularmente constituídas e que não teria ingerência na rotina produtiva, na gestão de pessoal ou no controle de jornada das contratadas. A empresa declarou que suspendeu imediatamente os contratos com as oficinas mencionadas na fiscalização e que exerce o direito de defesa no processo administrativo.