Navios retomam travessia do Estreito de Ormuz após Irã liberar passagem a embarcações “amigáveis”

Dados de navegação apontam que petroleiros de Omã, um porta-contêineres francês e um cargueiro de GNL japonês cruzaram a rota, acompanhada de perto por mercados de commodities

03/04/2026 às 16:55 por Redação Plox

Três petroleiros operados por uma empresa de Omã, um navio porta-contêineres de propriedade francesa e um transportador de gás de propriedade japonesa cruzaram o Estreito de Ormuz desde quinta-feira (2), segundo dados de navegação. O movimento reflete a política do Irã de permitir a passagem de embarcações consideradas amigáveis.

O Irã havia inicialmente fechado o Estreito — rota por onde passa cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) — após ataques aéreos dos EUA e de Israel no fim de fevereiro, que ampliaram o conflito. Depois, o governo disse que permitiria o trânsito de navios sem vínculos com os EUA ou com Israel.


Irã permite passagem de navios petroleiros amigáveis.

Foto: Reuters / Stringer


Mercados buscam sinais de retomada do tráfego

Os mercados de petróleo e commodities seguem atentos a indícios de normalização na região. Nas semanas anteriores, alguns navios-tanque e porta-contêineres conseguiram escapar do bloqueio, mas a atividade foi seguida por dias de paralisação total.

Navio francês muda identificação antes de entrar em águas iranianas

Um porta-contêineres de propriedade da empresa CMA CGM, da França, transitou pelo Estreito na quinta-feira, mesmo dia em que o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que apenas esforços diplomáticos — e não uma operação militar — poderiam abrir a passagem.

Antes de entrar em águas iranianas, o navio francês alterou o destino em seu Sistema de Identificação Automática para “Proprietário França”, sinalizando sua nacionalidade às autoridades iranianas.


Rota é responsável por cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo do mundo.

Foto: Arte / EBC


Embarcações desligam sinais durante a travessia

As embarcações parecem ter desligado seus transponders AIS durante a travessia, já que os sinais desapareceram nos dados de rastreamento.

Dois petroleiros de grande porte e um navio-tanque de GNL operado pela Oman Shipping Management também saíram do Golfo na quinta-feira, de acordo com dados da MarineTraffic e da LSEG.

Omã e Japão acompanham impacto do conflito na navegação

Omã, que mediou negociações entre o Irã e os Estados Unidos antes dos ataques, criticou o lançamento das ofensivas enquanto as conversas ainda estavam em andamento.

A empresa japonesa Mitsui O.S.K. Lines informou nesta sexta-feira (3) que o navio-tanque Sohar LNG, do qual é coproprietária, cruzou o Estreito. Segundo a companhia, trata-se do primeiro navio ligado ao Japão e do primeiro transportador de GNL a fazer a travessia desde o início do conflito.

Um porta-voz da empresa não informou à Reuters quando a passagem ocorreu nem se foram necessárias negociações.

Até o início da sexta-feira, cerca de 45 navios de propriedade ou operados por empresas japonesas permaneciam encalhados na região, segundo o Ministério dos Transportes do Japão.

Outras embarcações deixam o Golfo pela rota iraniana

Outro navio-tanque de GLP de propriedade da Mitsui, o Green Sanvi, deixou o Golfo pelas águas territoriais do Irã no início da sexta-feira, conforme dados de navegação.

Um navio com bandeira da Índia sinalizou o destino como “navio da Índia, tripulação da Índia”. Além disso, o Danisa, de bandeira panamenha e classificado como transportador de gás muito grande, deixou o Golfo pela mesma rota em direção à China, segundo os dados.

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