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Em pré-campanha para a Presidência da República, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) disse ser prova de que dá para fazer política sem “mordomias” e afirmou que pretende “levar essa cultura pro Brasil”. Apesar do discurso, o último mandato do político foi marcado por um aumento de 298% no próprio salário e por medidas e práticas que contrariaram promessas feitas desde a chegada ao Palácio da Liberdade, em 2018.
No vídeo divulgado no Instagram, Zema aparece no quintal da casa em que mora, na região da Pampulha, e aponta duas árvores como os “únicos privilégios como governador de Minas”. Na legenda, ele defende a ideia de “acabar com a farra dos intocáveis” e diz que “país nenhum funciona quando o governo é rico e o povo é pobre”.
Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
No segundo mandato, em 2023, Zema aumentou o próprio salário e o dos secretários em 298%. Com o reajuste, o salário do então governador passou a R$ 41.845,49, o que o colocou como o segundo mais bem pago do Brasil, atrás apenas do governador do Estado de Sergipe. Na época, ao ser criticado pela decisão, Zema afirmou que o reajuste foi necessário porque os vencimentos estavam defasados e porque ele estaria perdendo parte do secretariado.
No mesmo período, enquanto Zema recebeu um reajuste superior aos 147,79% do IPCA acumulado entre fevereiro de 2007 e janeiro de 2023, os servidores públicos mineiros tiveram recomposição de 4,62% no salário. O Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) de Minas Gerais considerou irregular o aumento salarial concedido ao governador e aos secretários, mas a mudança acabou sendo acatada e homologada.
No último ano completo à frente do governo de Minas Gerais, Zema também bateu recorde em gastos com combustível de aviação do gabinete, somando R$ 1,5 milhão. A partir de solicitação das deputadas de oposição Leninha (PT) e Bella Gonçalves (PT) ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), viagens do governador em aeronaves oficiais do Executivo foram apuradas pela possibilidade de uso dos aviões em agenda eleitoral.
O uso frequente de aeronaves do Estado foi na contramão de uma promessa feita durante a primeira eleição, em 2018, quando Zema afirmou que aboliria o uso de aeronaves oficiais ao criticar o antecessor, Fernando Pimentel (PT). Segundo dados do Portal da Transparência, Zema realizou 521 voos em aeronaves oficiais do Estado de Minas Gerais durante o mandato, sendo mais de 70 no primeiro semestre de 2025.
Outro ponto citado no período final de governo foi a ampliação do tempo em que ex-governadores e vice poderão ter acesso à segurança custeada pelo Estado após o término dos mandatos. A mudança foi oficializada em decreto publicado em 31 de dezembro de 2025, sem informar o custo que a medida pode trazer a Minas Gerais.
À reportagem, na ocasião da publicação da matéria original, o governo de Minas argumentou que o decreto não implica concessão de novos benefícios e que não haverá impacto orçamentário aos cofres.