O rio em que milhares de imigrantes arriscam a vida para realizar o sonho americano

03/07/2019 23:22

De acordo com a Patrulha de Fronteira americana, foram feitos 593.507 detenções na divisa sul do país desde outubro de 2018

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Na última segunda-feira (1), na fronteira entre México e Estados Unidos, uma menina brasileira desapareceu quando a mãe e ela tentavam atravessar o Rio Grande.

Semana passada, às margens do rio, foram encontrados os corpos de um pai e sua filha, de apenas 1 ano e nove meses, após tentarem cruzar as águas rumo ao território americano. 

Casos como esses fizeram do rio uma espécie de símbolo da crise migratória que assola os Estados Unidos. De acordo com a Patrulha de Fronteira americana, foram feitos 593.507 detenções na divisa sul do país desde outubro de 2018. No ano anterior, o número havia sido de 303.916.

Em meio a tantos incidentes, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, alertou quanto aos perigos das jornadas ilegais. Em uma uma declaração recente, ele descreveu as mortes como “muito lamentáveis”.

"As pessoas estão perdendo suas vidas, no deserto ou cruzando o Rio Grande; nós sempre condenamos [esse comportamento] e não o desejamos."

No ano de 2018, 283 pessoas morreram na fronteira dos EUA com o México, ativistas dos direitos humanos acreditam que o número pode se tornar ainda maior neste ano. Desde o ano de 1994, contabilizando ao todo, o número de pessoas que perderam a vida tentando completar o trajeto foram de cerca de 10 mil pessoas, de acordo com o grupo Anjos da Fronteira.

Aumento do fluxo
O rio, que nasce no Estado americano do Colorado e segue até o Golfo do México, chamado de Rio Grande, está se tornando o roteiro mais popular entre os imigrantes ilegais rumo aos Estados Unidos.

Conhecido popularmente como Rio Bravo, o rio é o quinto mais extenso da América do Norte, e o 20º mais extenso do mundo. Com 3.000 km de extensão, 2.000 km passam pelos limites entre os dois países.

Do início do ano até julho, a área do rio recebeu o maior volume de imigrantes na fronteira sul dos EUA, registrando quase 250 mil detenções - Comparado ao mesmo período de 2018, de acordo com o Serviço das Alfândegas e Proteção das Fronteiras dos Estados Unidos, houve um crescimento de 124%.

Dados, divulgados pelo jornal The New York Times, informam sobre o aumento do número de resgates feito no rio. De outubro de 2018 a julho de 2019, agentes de patrulha resgataram pelo menos 315 imigrantes em uma extensão de 336 km - no mesmo período do ano anterior, foram apenas 12.

Anunciado no começo de junho, um acordo entre Estados Unidos e México prevê que muitos dos imigrantes que cruzarem a fronteira americana pelo México e pedirem asilo nos EUA, terão o resultado do processo aguardado em território mexicano.

Centros superlotados
A região no Vale do Rio Grande, no sul do Texas, ficou conhecida nos últimos meses pela superlotação e más condições em seus centros de detenção de migrantes.

Na última terça feira (2), imagens divulgadas pelo Departamento de Segurança Nacional registram a lotação dos centros, com possíveis imigrantes, em uma estrutura semelhante a uma jaula em McAllen, no Texas. Enquanto as autoridades americanas afirmam que a capacidade do espaço é de apenas 41 pessoas, em outra foto, 88 homens estão detidos em uma cela em Brownsville.

Durante a visita dos representantes do governo norte-americano, em junho, havia 8 mil detidos na região.

Tolerância zero
O governo Trump pôs em prática diversas medidas restritivas nos últimos dois anos, tanto contra migrantes irregulares como contra refugiados:

Pessoas que pedem refúgio (como era o caso de Óscar Alberto Martínez Ramírez, morto afogado com sua filha), é preciso esperar no lado mexicano da fronteira enquanto seu pedido é analisado.

Até agora, a medida mais controversa é a separação de crianças migrantes dos seus pais, e sua detenção em centros específicos, como parte de uma política de “tolerância zero”, contra a migração ilegal.

Atualizado às 8h03.



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