Estatais acumulam déficit primário de R$ 7,4 bilhões até maio de 2026, diz Banco Central

Resultado de janeiro a maio é cerca de duas vezes maior que o registrado no mesmo período de 2025 e já supera o déficit de R$ 5,9 bilhões de todo o ano passado; maio teve superávit de R$ 273,35 milhões.

03/07/2026 às 13:10 por Redação Plox

As empresas estatais brasileiras acumularam déficit primário de R$ 7,4 bilhões entre janeiro e maio de 2026. O valor, apurado pelo Banco Central, é aproximadamente o dobro do resultado negativo registrado no mesmo período de 2025 e já supera o déficit de R$ 5,9 bilhões contabilizado durante todo o ano passado. Em valores nominais, sem correção pela inflação, é o maior saldo negativo da série histórica para os cinco primeiros meses do ano.

Dinheiro (imagem ilustrativa)

Dinheiro (imagem ilustrativa)

Foto: Pixabay

Janeiro concentrou maior parte do déficit

O resultado foi influenciado principalmente por janeiro, quando as estatais apresentaram déficit de R$ 4,869 bilhões. Também houve saldos negativos em fevereiro, de R$ 568,14 milhões; março, de R$ 468,55 milhões; e abril, de R$ 1,78 bilhão. Em maio, o desempenho mensal foi positivo, com superávit de R$ 273,35 milhões.

Estatais federais respondem pela maior parcela

As empresas controladas pela União concentraram R$ 5,9 bilhões do déficit acumulado até maio. As estatais estaduais tiveram resultado negativo de R$ 1,5 bilhão, enquanto as municipais registraram superávit de R$ 95 milhões. Nos 12 meses encerrados em maio, o déficit conjunto ficou em R$ 6,7 bilhões.

Petrobras não entra na metodologia

A série do Banco Central considera empresas estatais não financeiras das esferas federal, estadual e municipal, mas exclui a Petrobras. A retirada da petroleira da estatística ocorre desde 2009 e é justificada pela autonomia da companhia para captar recursos e pelas regras de governança semelhantes às adotadas por empresas privadas de capital aberto.

O déficit primário não representa, automaticamente, prejuízo contábil das empresas incluídas no levantamento. Trata-se de um indicador fiscal, com abrangência diferente dos balanços empresariais. Em relatório separado, por exemplo, o Ministério da Gestão informou que as estatais federais — incluindo Petrobras, Banco do Brasil e BNDES — obtiveram lucro líquido agregado de R$ 169,4 bilhões em 2025. Por utilizarem metodologias e grupos distintos, os dois resultados não são diretamente comparáveis.

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