OMS alerta para risco de surtos de doenças na Venezuela após terremotos

Organização cita baixa cobertura vacinal, abrigos superlotados e dificuldades de acesso à água potável; OPAS aponta unidades de saúde precisando de apoio e danos estruturais em parte dos serviços.

03/07/2026 às 12:03 por Redação Plox

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira (3) para o aumento do risco de surtos de doenças na Venezuela após os terremotos que atingiram o país em 24 de junho. A baixa cobertura vacinal, a superlotação de abrigos e as dificuldades de acesso à água potável ampliam a ameaça de transmissão, principalmente entre famílias deslocadas.

OMS alerta para risco de surtos após terremotos na Venezuela

OMS alerta para risco de surtos após terremotos na Venezuela

Foto: Foto: Divulgação/MIDR

Baixa vacinação preocupa autoridades

O diretor de Emergências em Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Ciro Ugarte, afirmou que a imunização contra o sarampo e outras enfermidades já era insuficiente antes da tragédia. Segundo ele, os espaços que concentram grande número de desabrigados exigem atenção especial, pois favorecem a rápida disseminação de doenças.

A qualidade da água fornecida à população também está entre as principais preocupações. O abastecimento permanece limitado em áreas devastadas, o que dificulta a avaliação das condições sanitárias em todos os abrigos. A OPAS estuda ações como vacinação seletiva e reforço da vigilância de infecções respiratórias, diarreias, doenças de pele e quadros de febre com erupções.

Hospitais trabalham acima da capacidade

Uma avaliação da OPAS identificou que os oito estabelecimentos de saúde analisados precisam de apoio imediato e três apresentam danos estruturais. No hospital Vargas-IVSS, em La Guaira, 96 pacientes estão internados em uma ala projetada para oito leitos. O banco de sangue tem estoque reduzido, enquanto falhas de energia, comunicação, abastecimento de água e descarte de resíduos comprometem o atendimento.

O Hospital Rafael Medina Jiménez, também em La Guaira, teve a capacidade reduzida de 108 para 35 leitos. Outros centros relataram falta de materiais, dificuldades para transportar pacientes, aumento da espera por cirurgias e problemas nas medidas de biossegurança.

Ajuda sanitária é reforçada

A OPAS enviou medicamentos, kits para atendimento de traumas e equipamentos de proteção às regiões atingidas. Um hospital de campanha com 48 leitos, quatro vagas de terapia intensiva e dois centros cirúrgicos também foi instalado em La Guaira. A OMS liberou US$ 1,5 milhão de seu fundo de emergência e prepara o envio de mais suprimentos médicos.

Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, deixaram ao menos 2.595 mortos, conforme o balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano. Equipes nacionais e internacionais continuam

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