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    “Para de ficar postando coisa de gente preta, de gay”, diz mulher durante discurso em igreja

    A Polícia Civil abriu um inquérito contra Kakau Cordeiro

    Por Plox

    03/08/2021 13h47 - Atualizado há cerca de 2 meses

    A Polícia Civil abriu um inquérito contra Kakau Cordeiro por conta da fala da mulher durante sua pregação em uma igreja evangélica de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro. O vídeo em que a mulher aparece pedindo para os fiéis não publicarem “coisa de gente preta, de gay”, viralizou nas redes sociais nessa segunda-feira (2) e tem recebido muitas críticas.

    "É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí. É uma vergonha, desculpa falar, mas chega de mentiras, eu não vou viver mais de mentiras. É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová Nissi. É Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira. Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay, para! Posta palavra de Deus que transforma vidas. Vira crente, se transforma, se converta!", disse Kakau Cordeiro em sua pregação.

    Ela é membro da Igreja Sara Nossa Terra. Após a repercussão do caso, Kakau disse que foi "infeliz nas palavras". A igreja informou que não irá se pronunciar. O vídeo foi publicado no perfil do Instagram da igreja, mas após um tempo, a página saiu do ar.

     

    Henrique Pessoa, delegado titular da 151ª DP disse que há um "teor claramente racista e homofóbico, o que configura transgressão típica na forma do artigo 20 da Lei 7716/87". O ocorrido pode ter uma pena de 3 a 5 anos de prisão. Ele também informou que foi instaurado inquérito policial pelo crime de intolerância racial e homofóbica, de acordo com a recente previsão do STF.

    O ex-deputado estadual Wanderson Nogueira (PDT) compartilhou o vídeo e já teve mais de 18 mil visualizações e centenas de comentários com críticas ao discurso.

    "Tenho certeza que esse não é o pensamento cristão. Machuca ouvir(...)", disse o político em sua postagem.

    A vereadora de Nova Friburgo Maiara Felício (PT) também usou as redes sociais para criticar a fala da mulher.

    "Um vídeo extremamente intolerante, dentro de uma instituição religiosa (...) A gente quer fazer um movimento gigante para mostrar que em Nova Friburgo a intolerância não vai reinar", disse.

    O Coletivo Negro de Nova Friburgo também divulgou nota repudiando a atitude. Veja íntegra.

    "Nós do Coletivo Negro Lélia Gonzalez NF denunciamos, condenamos e repudiamos qualquer forma de discriminação contra a classe trabalhadora e realizada pela mesma reproduzindo a lógica da classe dominante que é racista, facista, lgbtfobica, eugenista, branca, heteronormativa, patrimonialista, patriarcal, branca, lascivos e cristãos. Não podemos dizer que todes cristãs tem comportamento e postura, como esta pessoa, porém não podemos ignorar que ela está expressando a hegemonia dominante. Não devemos naturalizar tais posturas, declarações sem que os órgão tomem devidas medidas, embora estes órgãos expressam interesses da classe dominante. Quando ela faz este ataque, e a todes que defendem o direito da classe trabalhadora que são majoritariamente negras, quando ela de forma superior, ela concorda com a morte da juventude negra, desaparecimento de nossas crianças, e naturaliza feminicídio incidentes nas mulheres negras trans e cia, ela naturaliza o primeiro lugar de morte de mulheres trans e travestis e nosso encarceramento em massa nas senzalas modernas. Racistas, genocidas, Eugenista, Lgbtfóbicos exploradores não passarão! Por uma sociedade onde a diversidade não seja instrumento de dominação e exploração".
     

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