Café do jacu transforma seleção natural dos grãos em experiência exótica em Minas Gerais

Produzido no Sítio Córrego Fundo, o café passa por higienização, secagem, beneficiamento e torra antes da comercialização em latas de 100 gramas.

03/08/2026 às 19:45 por Redação Plox

Uma das bebidas mais apreciadas no mundo inteiro, especialmente em Minas Gerais, pode ser também uma “uma experiência exótica!” No Sítio Córrego Fundo, em São Bartolomeu de Minas, distrito de Cabo Verde, no Sul de Minas Gerais, uma ave frequente nas lavouras participa de um processo incomum de produção de café. O chamado café do jacu é feito com sementes de frutos ingeridos pela ave, recolhidas após passarem pelo sistema digestivo e submetidas a cuidados artesanais até a torra e a comercialização.


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A bebida desperta interesse sobretudo pela forma como os grãos são obtidos. Os jacus circulam pela plantação e consomem os frutos que escolhem para se alimentar. Depois, as sementes são eliminadas intactas, localizadas na propriedade e recolhidas uma a uma pelo produtor.

Foto: Olhar Infinito / Secult MG


A escolha dos frutos começa na lavoura

Leandro Rodrigues, responsável pela produção, explicou à jornalista Vanessa Peixoto, do PLOX, que o comportamento da ave atua como uma seleção natural. Segundo ele, o jacu procura os frutos mais adequados disponíveis no cafezal, realizando uma escolha rigorosa antes de se alimentar.

Foto: Reprodução



Após a passagem pelo organismo da ave, os grãos desenvolvem uma fermentação natural, característica que diferencia o produto dos cafés elaborados por métodos convencionais. Para Leandro, é justamente esse percurso que faz da bebida uma experiência exótica.

Foto: Vanessa Peixoto / PLOX



As sementes costumam ser encontradas sob as árvores frequentadas pelos jacus. Durante toda a colheita, o produtor percorre o terreno em busca dos grãos, que passam por higienização e preparação antes de seguirem para a secagem em terreiro suspenso.

Depois dessa etapa, ocorre o beneficiamento. Só então o café está pronto para ser torrado, embalado e disponibilizado ao consumidor. Trata-se de um processo manual, dependente tanto da presença das aves quanto da identificação das sementes espalhadas pela propriedade.

Volume limitado reforça raridade do produto

A quantidade restrita de grãos encontrados e a coleta individual ajudam a explicar por que o café do jacu é considerado raro. Ao contrário da produção convencional, não há uma colheita em grande escala: o resultado depende dos frutos escolhidos pelas aves e dos locais onde as sementes são depositadas.

Leandro decidiu incluir o café do jacu na marca de cafés especiais que já mantinha. Para evitar que o produto tivesse a mesma apresentação dos demais itens da linha, buscou uma embalagem com identidade própria.

A ideia surgiu ao observar uma lata de achocolatado em casa. Depois de entrar em contato com uma fábrica e receber amostras, o produtor começou a desenvolver o novo formato. Atualmente, o café é vendido em latas de 100 gramas, escolhidas para diferenciá-lo dos pacotes tradicionais.

Foto: Olhar Infinito / Secult MG


Origem incomum desperta interesse do público

A curiosidade costuma ser a primeira reação de quem conhece o café do jacu. Durante a conversa com Leandro, Vanessa Peixoto provou a bebida e destacou o caráter incomum da experiência.

Para o produtor, as dúvidas iniciais dos consumidores geralmente envolvem a procedência dos grãos e a expectativa em torno do sabor. Ele considera que o maior diferencial está no método de elaboração, marcado pela seleção dos frutos feita pela ave e pela fermentação natural ocorrida durante a digestão.

A combinação entre produção reduzida, coleta manual e processo natural de fermentação posiciona o café como uma opção exótica entre os cafés especiais produzidos em Minas Gerais.

Cabo Verde integra roteiro da campanha Minas Inédita

O município de Cabo Verde também fez parte do itinerário da campanha Minas Inédita, criada pelo Governo de Minas Gerais para apresentar, no Brasil e no exterior, destinos e vivências ainda pouco conhecidos no estado.

Cerca de 40 jornalistas participaram da iniciativa, que percorreu povoados, vilas e vilarejos mineiros, no fim de junho. No trajeto, o grupo teve contato com manifestações culturais, gastronomia regional, meios de hospedagem e iniciativas ligadas ao turismo de base comunitária.

A proposta é ampliar a visibilidade de localidades mineiras e valorizar suas tradições, histórias, produtos e experiências. Em Cabo Verde, o café do jacu produzido artesanalmente no Sítio Córrego Fundo esteve entre os atrativos apresentados.

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