Vorcaro diz que buscou delação e cita contatos com nomes do governo Lula

Em depoimento a juiz auxiliar do STF, banqueiro afirmou que tentativas de acordo não avançaram e fez alegações que ainda serão examinadas pelas autoridades.

03/09/2026 às 11:29 por Redação Plox

O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento na semana passada a um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A oitiva foi solicitada pela defesa e ocorreu sem a presença da Polícia Federal, conforme informou o gabinete do ministro.


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Durante a audiência, Vorcaro declarou que pretendia colaborar com as investigações e afirmou dispor de informações que envolveriam integrantes da atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, as tentativas de firmar um acordo de delação premiada não tiveram avanço.

O banqueiro alegou que policiais federais não demonstraram interesse no material que desejava apresentar. Também sustentou haver uma tentativa de impedir menções ao diretor-geral da Polícia Federal, André Rodrigues. Vorcaro disse que já tinha uma relação com o diretor e citou viagens e participação em eventos, sem apresentar provas ou explicar em detalhes a natureza desses contatos.

Ele ainda acusou a Polícia Federal de promover vazamentos seletivos para intimidá-lo. As declarações, feitas no depoimento, não correspondem a conclusões das autoridades que conduzem o caso.

Estratégia de influência falhou

Vorcaro afirmou que não pretendia adotar uma posição de vítima. Ainda assim, relatou ter criado vínculos com pessoas influentes como forma de se resguardar de eventuais retaliações no setor financeiro.

Segundo o depoimento, ele passou a patrocinar eventos e a estabelecer conexões consideradas estratégicas. Na avaliação do próprio banqueiro, porém, a estratégia não funcionou: ele foi preso e o Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central.

Vorcaro também reiterou sua defesa da venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília. Para ele, a operação seria benéfica, enquanto sua prisão — ocorrida em novembro, depois do anúncio do negócio — teria relação com uma perseguição decorrente de disputa concorrencial.

Relato levado ao Supremo

De acordo com o gabinete de André Mendonça, o pedido para a realização do depoimento foi apresentado pelos advogados de Vorcaro, que informaram que o banqueiro enfrentava dificuldades no período de prisão.

O gabinete também indicou que a ausência de agentes da Polícia Federal na oitiva foi uma providência institucional voltada à preservação da integridade física e psicológica do investigado.

A Procuradoria-Geral da República solicitou o arquivamento das denúncias ligadas às supostas ameaças mencionadas no caso. Enquanto isso, a apuração envolvendo o Banco Master permanece em curso, e o conteúdo relatado por Vorcaro ainda será examinado pelas autoridades competentes.

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