Operação Helmintos: polícia aponta quatro investigados em esquema de R$ 1 bilhão ligado ao PCC em Praia Grande

Ação prendeu Fio e Nenê e apura o uso de imóveis, empresas e quiosques para inserir recursos ilícitos na economia formal da Baixada Santista.

03/09/2026 às 12:38 por Redação Plox

Quatro homens são apontados pela Polícia Civil como integrantes centrais de um grupo investigado por movimentar valores próximos de R$ 1 bilhão em um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A Operação Helmintos foi deflagrada nesta quinta-feira (3), com ações em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba, em São Paulo.

Fio, Gordão, Japonês e Nenê são alvos de mandados de prisão da Operação Helmintos

Fio, Gordão, Japonês e Nenê são alvos de mandados de prisão da Operação Helmintos

Foto: Polícia Civil


Os alvos de mandados de prisão são Anderson Roberto Braghine, conhecido como Fio; Alexander Miguel da Silva, o Gordão; Leonildo Marinho de Andrade, chamado de Nenê; e Ronaldo Yuzo Sekiya, conhecido como Japonês. A Polícia Civil atribui ao grupo participação em uma estrutura voltada à ocultação de recursos oriundos do tráfico e à inserção desse dinheiro em atividades econômicas na Baixada Santista.

Fio e Nenê foram presos durante a operação, segundo apuração do G1. Os dois moravam no mesmo condomínio no bairro Guilhermina, em Praia Grande. Até a publicação da reportagem, as defesas dos quatro investigados não haviam sido localizadas.

Imóveis, empresas e quiosques estão entre os focos da apuração

A investigação conduzida pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter-6) também apura a atuação de outras seis pessoas — cinco mulheres e um homem — e o uso de empresas e quiosques como possíveis instrumentos para integrar valores ao mercado formal. Uma das investigadas, sócia de um quiosque na cidade, teria declarado renda mensal de R$ 3,3 mil, mas movimentado R$ 51,2 milhões, conforme os dados levantados pela Polícia Civil.

Operação Helmintos cumpre mandados judiciais em Praia Grande

Operação Helmintos cumpre mandados judiciais em Praia Grande

Foto: Polícia Civil


Os policiais cumpriram diligências em imóveis residenciais e comerciais, empresas e endereços relacionados à apuração. A corporação investiga ainda uma possível tentativa de influência do grupo em atividades econômicas e em decisões dos poderes Executivo e Legislativo de Praia Grande. As suspeitas, no entanto, permanecem sob investigação e não representam condenação dos envolvidos.

Em nota, a Prefeitura de Praia Grande afirmou que não houve mandado de busca e apreensão nas dependências da administração municipal. Segundo o município, um agente da Polícia Civil compareceu ao Paço Municipal para solicitar informações sobre uma licitação referente à exploração de um quiosque na orla. A administração declarou que está à disposição das autoridades para fornecer os dados necessários.

O nome da operação faz referência a helmintos, organismos parasitas. Para a Polícia Civil, a denominação representa a suspeita de que o grupo tenha se infiltrado na economia local por meio de negócios e patrimônio, com possível prejuízo à concorrência. A investigação segue em andamento para esclarecer a participação individual dos alvos, a origem dos valores e eventuais conexões com agentes públicos ou processos municipais.

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