Mudanças climáticas são a maior ameaça para o futuro na visão de 41% dos brasileiros

Pesquisa Termômetro do Brasil aponta que a preocupação climática supera o medo da perda de emprego e do retrocesso na democracia.

03/10/2026 às 10:14 por Redação Plox

As mudanças climáticas são apontadas por 41% dos brasileiros como a principal ameaça para o futuro, à frente de preocupações como perda do emprego e retrocesso na democracia. O resultado faz parte da pesquisa inédita Termômetro do Brasil, realizada pelo Instituto Oyá em parceria com a Ipsos e divulgada nesta semana.

Foto: Reprodução/TV Brasil


O levantamento ouviu 2 mil pessoas. Quando questionados sobre ameaças futuras para si e para suas famílias, 32% citaram a perda do emprego e o mesmo percentual mencionou o retrocesso na democracia. A deterioração da saúde aparece com 31%, seguida pela escassez de alimentos, com 30%, e pelo risco de uma pandemia, com 24%.

Preocupação com o futuro é diferente da urgência atual

A pesquisa identificou uma diferença importante entre o que os brasileiros enxergam como ameaça para o futuro e aquilo que mais os preocupa no presente. Quando a pergunta trata das principais preocupações atuais, as mudanças climáticas aparecem apenas na nona posição, mencionadas por 14% dos entrevistados. As ameaças ao meio ambiente aparecem em décimo lugar, com 10%. 

Preocupação com o futuro é diferente da urgência atual.

Foto: Divulgação/Prefeitura de São Lourenço do Sul.


Os resultados mostram que a questão climática ocupa espaço relevante na percepção de risco de longo prazo, mesmo sem aparecer entre as maiores preocupações imediatas da população.

Desinformação e inteligência artificial

Outro ponto abordado pelo estudo é a dificuldade para identificar conteúdos falsos. Em um experimento apresentado aos participantes, uma informação falsa sobre eventos climáticos extremos foi considerada verdadeira por 78% dos entrevistados. 

O levantamento também aponta preocupação com novas formas de manipulação digital: 81% dos participantes manifestaram receio em relação ao uso de deepfakes e tecnologias de inteligência artificial para manipular imagens e vozes.

De acordo com a diretora-executiva do Instituto Oyá, Karina Camilo, os resultados indicam que o problema não está necessariamente na negação das mudanças climáticas, mas na exposição da população à desinformação.

Confiança nas instituições também foi analisada

O Termômetro do Brasil avaliou ainda a relação dos entrevistados com instituições e organizações. Segundo o estudo, 45% afirmaram confiar em organizações não governamentais.

A pesquisa também identificou distanciamento de formas tradicionais de participação política: 39% dos entrevistados disseram não ter interesse em atuar em campanhas ou partidos e 33% rejeitaram a participação em protestos de rua.

Para os responsáveis pelo estudo, os resultados reforçam a importância de ampliar o acesso a informações verificadas, especialmente diante da combinação entre eventos climáticos extremos, redes sociais, inteligência artificial e conteúdos falsos.

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