TSE confirma Douglas Ruas no Rio e fortalece Flávio Bolsonaro no segundo turno
Anulação de votos de Anthony Garotinho levou Douglas Ruas, do PL, à vitória no primeiro turno no Rio; resultados em São Paulo e Minas ampliam a base do partido.
Um eventual resultado apertado favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição brasileira pode não ser reconhecido pelo governo de Donald Trump, na avaliação de Nick Zimmerman, ex-diretor para Brasil e Cone Sul do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos durante o governo Barack Obama. A declaração foi dada em entrevista ao podcast A Máquina, da Folha de S.Paulo, publicada neste sábado (3).
Zimmerman, atualmente pesquisador sênior do Inter-American Dialogue, afirmou que a postura da atual Casa Branca em relação ao processo eleitoral brasileiro poderia ser diferente daquela adotada pelo governo de Joe Biden. Na visão dele, uma vitória por margem pequena abriria espaço para questionamentos políticos e pressão diplomática sobre o Brasil.
Na entrevista, o ex-assessor disse que uma eventual recusa em reconhecer o resultado poderia ser usada pelos Estados Unidos como instrumento para ampliar a pressão sobre o governo brasileiro a partir de 2027. Ele citou a possibilidade de sanções e medidas econômicas, mas não apresentou informações de que essas providências estejam formalmente em discussão pelo governo norte-americano.
Zimmerman também avaliou que a relação entre Brasil e Estados Unidos vive um dos períodos mais tensos das últimas décadas. Entre os temas mencionados por ele estão medidas tarifárias, sanções americanas contra autoridades brasileiras e a classificação, pelos EUA, de grupos criminosos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O primeiro turno das eleições gerais brasileiras está marcado para este domingo, 4 de outubro. Caso nenhum candidato à Presidência alcance maioria dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro, conforme o calendário eleitoral de 2026.
Para Zimmerman, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia abrir uma fase inicial de maior cooperação entre Brasília e Washington. Ainda assim, ele apontou que investimentos chineses em áreas estratégicas brasileiras, como infraestrutura e minerais críticos, tenderiam a permanecer como um ponto de pressão dos Estados Unidos nas negociações bilaterais.