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BRASÍLIA – O governo brasileiro confirmou neste sábado (3/12) que participará da reunião do Conselho de Segurança da ONU marcada para a manhã de segunda-feira (5/12), quando apresentará a posição do país sobre a crise na Venezuela. Segundo o Itamaraty, a manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgada mais cedo, será levada oficialmente ao encontro.
Entrevista coletiva do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro
Foto: Campanato/Agência Brasil
Órgão responsável por zelar pela paz e pela segurança internacionais, o Conselho de Segurança decide sobre intervenções militares, sanções e mediações em conflitos. O Brasil participará da sessão em meio à intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e à captura do presidente Nicolás Maduro.
A presença brasileira ocorre em um contexto em que o governo Lula busca enfatizar a via diplomática para tratar da crise venezuelana. A orientação é manter o foco em soluções negociadas e na atuação de organismos multilaterais, reforçando o papel da ONU como instância central para mediar o impasse.
Além da reunião no Conselho de Segurança, é cogitada para este domingo (4/12), por volta das 14h (horário de Brasília), uma reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). A entidade reúne países da região para discutir temas como política, economia e segurança, e pode funcionar como canal adicional de coordenação entre governos latino-americanos diante dos desdobramentos na Venezuela.
O governo federal informou que, por ora, não há previsão de contato direto com os Estados Unidos. Qualquer comunicação poderá ocorrer apenas caso surja uma oportunidade, inclusive à margem da própria reunião do Conselho de Segurança.
As informações foram repassadas em coletiva de imprensa pelo ministro da Defesa, José Múcio, e pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha. Ambos reforçaram que o Brasil acompanha de perto o desenrolar da crise e se mantém em articulação com instâncias internacionais.
Na ausência de Nicolás Maduro, o Brasil considera que a vice-presidente Delcy Rodríguez está à frente do governo venezuelano. Em pronunciamento, ela conclamou apoiadores de Maduro e a população do país a resistirem à ofensiva dos Estados Unidos.
De acordo com o governo brasileiro, a situação na fronteira com a Venezuela, em Roraima, permanece estável, sem registro de incidentes relevantes até o momento. A embaixada do Brasil monitora a condição da comunidade local e de brasileiros que vivem na região.
O ministro da Defesa relatou que não há sinais de tensão imediata na área fronteiriça:
A situação na fronteira nunca foi tão tranquila, é como se fosse um feriado. Brasileiros que estão lá podem vir. Estamos de plantão para acompanhar novos acontecimentos
José Múcio
Em pronunciamento divulgado mais cedo, Lula condenou os bombardeios na Venezuela e a captura de Maduro. Para o presidente, essas ações “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam “uma afronta gravíssima à soberania do país vizinho”, além de configurarem um precedente perigoso para toda a comunidade internacional.
O presidente também alertou que atacar países em flagrante violação ao direito internacional é “o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.
Lula ressaltou que o Brasil seguirá à disposição para promover diálogo e cooperação, em linha com a tradição de atuação multilateral do país. O Planalto reforça a posição de reconhecer a ONU como fórum legítimo para a solução do conflito, sem mencionar diretamente os nomes de Donald Trump e Nicolás Maduro no pronunciamento.