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Política
Brasil leva posição sobre crise na Venezuela ao Conselho de Segurança da ONU
Governo apresentará na segunda (5/12) o pronunciamento de Lula, que condenou bombardeios e captura de Maduro, reforçando defesa da via diplomática e do papel central da ONU
04/01/2026 às 07:59por Redação Plox
04/01/2026 às 07:59
— por Redação Plox
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BRASÍLIA – O governo brasileiro confirmou neste sábado (3/12) que participará da reunião do Conselho de Segurança da ONU marcada para a manhã de segunda-feira (5/12), quando apresentará a posição do país sobre a crise na Venezuela. Segundo o Itamaraty, a manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgada mais cedo, será levada oficialmente ao encontro.
Entrevista coletiva do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro
Foto: Campanato/Agência Brasil
Órgão responsável por zelar pela paz e pela segurança internacionais, o Conselho de Segurança decide sobre intervenções militares, sanções e mediações em conflitos. O Brasil participará da sessão em meio à intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e à captura do presidente Nicolás Maduro.
Itamaraty leva posicionamento de Lula à ONU
A presença brasileira ocorre em um contexto em que o governo Lula busca enfatizar a via diplomática para tratar da crise venezuelana. A orientação é manter o foco em soluções negociadas e na atuação de organismos multilaterais, reforçando o papel da ONU como instância central para mediar o impasse.
Além da reunião no Conselho de Segurança, é cogitada para este domingo (4/12), por volta das 14h (horário de Brasília), uma reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). A entidade reúne países da região para discutir temas como política, economia e segurança, e pode funcionar como canal adicional de coordenação entre governos latino-americanos diante dos desdobramentos na Venezuela.
Contato com EUA ainda não está previsto
O governo federal informou que, por ora, não há previsão de contato direto com os Estados Unidos. Qualquer comunicação poderá ocorrer apenas caso surja uma oportunidade, inclusive à margem da própria reunião do Conselho de Segurança.
As informações foram repassadas em coletiva de imprensa pelo ministro da Defesa, José Múcio, e pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha. Ambos reforçaram que o Brasil acompanha de perto o desenrolar da crise e se mantém em articulação com instâncias internacionais.
Brasil reconhece vice como chefe de governo na Venezuela
Na ausência de Nicolás Maduro, o Brasil considera que a vice-presidente Delcy Rodríguez está à frente do governo venezuelano. Em pronunciamento, ela conclamou apoiadores de Maduro e a população do país a resistirem à ofensiva dos Estados Unidos.
De acordo com o governo brasileiro, a situação na fronteira com a Venezuela, em Roraima, permanece estável, sem registro de incidentes relevantes até o momento. A embaixada do Brasil monitora a condição da comunidade local e de brasileiros que vivem na região.
O ministro da Defesa relatou que não há sinais de tensão imediata na área fronteiriça:
A situação na fronteira nunca foi tão tranquila, é como se fosse um feriado. Brasileiros que estão lá podem vir. Estamos de plantão para acompanhar novos acontecimentos
José Múcio
Lula condena bombardeios e captura de Maduro
Em pronunciamento divulgado mais cedo, Lula condenou os bombardeios na Venezuela e a captura de Maduro. Para o presidente, essas ações “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam “uma afronta gravíssima à soberania do país vizinho”, além de configurarem um precedente perigoso para toda a comunidade internacional.
O presidente também alertou que atacar países em flagrante violação ao direito internacional é “o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.
Lula ressaltou que o Brasil seguirá à disposição para promover diálogo e cooperação, em linha com a tradição de atuação multilateral do país. O Planalto reforça a posição de reconhecer a ONU como fórum legítimo para a solução do conflito, sem mencionar diretamente os nomes de Donald Trump e Nicolás Maduro no pronunciamento.