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China exige libertação imediata de Maduro após ataque dos EUA à Venezuela
Pequim condena operação militar americana, fala em violação do direito internacional e cobra garantias de segurança ao líder venezuelano e fim de ações para derrubar regime em Caracas
04/01/2026 às 11:24por Redação Plox
04/01/2026 às 11:24
— por Redação Plox
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A China exigiu que os Estados Unidos libertem “imediatamente” o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, após a captura do casal em um ataque americano à Venezuela neste sábado (2). O governo chinês também cobrou garantias de segurança para ambos e o fim de ações que considere voltadas à derrubada do regime em Caracas.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores chinês pediu que Washington encerre a operação contra o governo venezuelano e retome a via diplomática para lidar com as tensões bilaterais.
China e Maduro são aliados
Foto: Governo da China
Pequim condena ataque e fala em 'comportamento hegemônico'
Antes da nova nota, a chancelaria da China já havia condenado a ação militar americana e dito estar “profundamente chocada” com o ataque. Na avaliação de Pequim, a ofensiva viola o direito internacional e representa uma ameaça à estabilidade regional.
O governo chinês acusou os Estados Unidos de adotar um “comportamento hegemônico” e de ferir a soberania da Venezuela, ao mesmo tempo em que instou Washington a respeitar os princípios da Carta da ONU e a segurança de outros países.
Maduro e Cilia Flores foram levados sob forte escolta policial e militar para o Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores de Nova York, na noite de sábado. A captura ocorre em meio à escalada da crise venezuelana e à pressão internacional sobre o regime.
Trump fala em controle da Venezuela e exploração do petróleo
Horas após a operação, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país assumirá o comando da Venezuela até a transição política e indicou que o petróleo venezuelano passará a ser explorado por empresas americanas.
A Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo e tem a China como um de seus principais compradores. Questionado sobre como a ação militar afeta a relação com Pequim e com outros países interessados nos recursos do país invadido, Trump sinalizou que continuará a vender o petróleo venezuelano no mercado internacional.
Ele também declarou que, se considerar necessário, enviará tropas a solo venezuelano para consolidar o controle dos EUA e mencionou negociações com Delcy Rodríguez, vice de Maduro, sobre os próximos passos. O Brasil a reconhece como presidente interina na ausência do ditador.
Risco de precedente e reflexos sobre Taiwan
A invasão da Venezuela e a captura de Maduro despertaram temor de que a estratégia seja replicada em outros contextos, abrindo espaço para ações unilaterais de países mais fortes contra vizinhos. Há preocupação, por exemplo, com o impacto desse precedente na disputa entre a China e Taiwan.
Pequim considera a ilha, governada por um presidente democraticamente eleito, uma parte “inalienável” de seu território e não descarta o uso da força para promover a reunificação. Nesse contexto, a ação dos EUA na Venezuela é observada com atenção por analistas de segurança e diplomacia.
Imprensa estatal chinesa vê 'precedente perigoso'
Em editorial publicado neste domingo (4), o veículo estatal China Daily, principal jornal do país, avaliou que as decisões do governo Trump estabelecem “um precedente perigoso para as relações internacionais” ao flexibilizar, na prática, os limites de intervenção militar.
Sem citar diretamente a própria China ou outros países, o texto argumenta que o raciocínio de Washington, se aceito, daria a nações poderosas uma espécie de licença geral para intervir pela força, em contradição com os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas.
O editorial sustenta ainda que a ofensiva americana corrói a autoridade moral que os EUA reivindicam na arena internacional e enfraquece o conjunto de regras que, em tese, deveriam se aplicar a todos os Estados, independentemente de sua capacidade militar ou econômica.