Política

Gleisi acusa oposição de apoiar intervenção estrangeira após ataque dos EUA à Venezuela

Ministra das Relações Institucionais critica Ratinho Jr. e lembra articulações de Eduardo Bolsonaro, enquanto Lula condena bombardeios, prisão de Maduro e cobra reação da ONU

04/01/2026 às 14:11 por Redação Plox

BRASÍLIA – A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, elevou o tom contra a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (3/1), ao acusar adversários de desejarem uma intervenção estrangeira no Brasil. A reação veio após políticos oposicionistas celebrarem o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, episódio que desencadeou uma nova crise na região.

Para Gleisi, postura da oposição a Lula emulta tentativa de Eduardo Bolsonaro em articular sanções econômicas dos EUA ao Brasil

Para Gleisi, postura da oposição a Lula emulta tentativa de Eduardo Bolsonaro em articular sanções econômicas dos EUA ao Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Em publicação na rede social X, Gleisi argumentou que o comportamento desses grupos não estaria relacionado à defesa da democracia, mas a um projeto de ingerência externa no país. Ela citou diretamente o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), como exemplo dessa postura.

Críticas a Ratinho Jr. e paralelo com Eduardo Bolsonaro

Ratinho Jr., que é pré-candidato à Presidência da República, havia parabenizado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo ataque à Venezuela, classificando a ofensiva como uma “brilhante decisão” e exaltando liberdade, democracia e o país vizinho em sua mensagem no X.

Gleisi foi a única a mencionar nominalmente o governador, embora outros pré-candidatos também tenham se manifestado. Na mensagem, ela associou o posicionamento atual da oposição a episódios anteriores, como a tentativa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro de articular, junto ao governo Trump, sanções econômicas contra o Brasil, incluindo tarifas e medidas baseadas na chamada lei Magnitsky, que não prosperaram e foram rejeitadas internamente.

Ameaça à estabilidade na América do Sul

A ministra classificou como “simplesmente vergonhoso” o esforço da extrema-direita para capitalizar politicamente a ofensiva norte-americana. Para ela, a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos representa risco direto à estabilidade de toda a América do Sul e expõe um alinhamento da oposição brasileira a interesses externos, em detrimento da soberania regional.

Lula condena bombardeios e cobra resposta da ONU

Antes das declarações de Gleisi, Lula já havia se posicionado contra o ataque, sem mencionar explicitamente os Estados Unidos. Em comunicado, o presidente considerou que os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente Nicolás Maduro ultrapassam um limite inaceitável, constituindo grave afronta à soberania do país vizinho e abrindo um precedente perigoso para a comunidade internacional.

Lula defendeu ainda que a Organização das Nações Unidas (ONU) adote uma resposta “vigorosa” ao episódio e reiterou que o Brasil condena as ações militares, colocando-se à disposição para incentivar diálogo e cooperação como caminho para a solução da crise.

Ofensiva dos EUA e captura de Nicolás Maduro

A operação norte-americana na Venezuela resultou na captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, em Caracas. A investida militar envolveu bombardeios à capital e a estados próximos ao Mar do Caribe, como Miranda, Aragua e La Guaira. Segundo as informações divulgadas, o casal foi encaminhado a Nova York sob custódia das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Em pronunciamento na Casa Branca, Trump reconheceu interesse direto no petróleo venezuelano, apesar de justificar a incursão com o argumento de combate ao narcoterrorismo. Ele afirmou que grandes companhias petrolíferas americanas deverão investir bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura do setor no país e voltar a gerar lucro com a exploração.

Administração transitória e disputa pelo comando político

Trump declarou ainda que os Estados Unidos pretendem governar a Venezuela até o que classificou como uma “transição apropriada”. Sem detalhar o formato desse processo, indicou que Washington administrará o país pelo tempo que julgar necessário, prometendo uma transição “adequada, justa e legal” ao lado de seus principais auxiliares.

O presidente norte-americano descartou apoiar a ex-deputada e vencedora do Nobel da Paz María Corina Machado para a chefia do Executivo venezuelano e sinalizou preferência pela vice-presidente Delcy Rodriguez. Segundo ele, ela estaria disposta a fazer o que os Estados Unidos consideram necessário para “fazer a Venezuela grande novamente”, enquanto avaliou que María Corina não teria o reconhecimento interno correspondente ao seu prestígio externo.

Reação em Caracas e defesa de soberania

Apesar de rumores recentes sobre uma possível aproximação com Washington, Delcy Rodriguez reafirmou publicamente a lealdade a Maduro, a quem chamou de “único presidente do país”. Ela sustentou que o povo venezuelano não aceitará voltar a ser colônia de qualquer potência e reforçou a recusa a qualquer forma de tutela estrangeira sobre o governo de Caracas.

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