Não perca nenhuma notícia que movimenta o Brasil e sua cidade.
É notícia? tá no Plox
Política
Intervenção militar dos EUA em Caracas reacende debate sobre política externa de Trump
Ataque na Venezuela integra série de bombardeios autorizados em sete países e marca nova doutrina de segurança, com foco em ações pontuais de alto impacto para influenciar correlações de força regionais
04/01/2026 às 10:13por Redação Plox
04/01/2026 às 10:13
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, anunciada no fim de semana, reacendeu o debate sobre a política externa americana no segundo mandato de Donald Trump. A operação, conduzida na madrugada de sábado (3/1) em Caracas, insere-se em uma sequência de ações militares realizadas pelos EUA ao longo dos últimos doze meses, período que marca o primeiro ano do novo governo Trump.
Presidente dos EUA Donald Trump assinou oficialmente a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros
Foto: (Reprodução: Internet)
Desde que reassumiu a presidência, Trump autorizou bombardeios em pelo menos sete países, espalhados pelo Oriente Médio, pela África e, mais recentemente, pela América Latina.
Mudança de discurso e nova doutrina de segurança
A guinada na política externa americana foi sinalizada ainda no início do mandato. Durante a Conferência de Segurança de Munique, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, indicou o novo momento ao afirmar que “tem um novo xerife na cidade”, em referência direta a Trump.
Segundo especialistas, a nova abordagem rompe com pilares tradicionais da diplomacia multilateral e reforça uma visão mais centralizadora do papel dos EUA no cenário global. A doutora em Direito Internacional Priscila Caneparo explicou ao g1 que a mudança parte de uma leitura crítica das políticas europeias e de organismos multilaterais, recolocando Washington no centro das decisões sobre paz e segurança internacionais.
Na avaliação dela, Trump passa a desacreditar na eficácia das organizações internacionais e resgata um pensamento típico dos anos 1980, segundo o qual os Estados Unidos deveriam assumir o controle direto dos principais vetores de segurança mundial.
Estratégia oficial e foco regional
No mês passado, a Casa Branca apresentou uma nova estratégia de segurança nacional. O plano foi descrito pelo governo como uma “correção de rumos”, com a promessa de dar prioridade à América Latina e à Ásia na política externa.
Embora o documento enfatize uma predisposição ao não intervencionismo, também deixa claro que a demonstração de força militar pode ser empregada como instrumento para alcançar a paz e proteger interesses estratégicos dos EUA. Na prática, a doutrina abre espaço para operações pontuais de alto impacto em diferentes regiões.
Sete países sob ataque americano em um ano
Dentro desse novo contexto, os Estados Unidos executaram bombardeios em sete países ao longo do último ano: Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália.
No Irã, em junho, a ofensiva teve como alvo três instalações nucleares. A operação envolveu a Marinha e a Força Aérea americanas e foi justificada como uma tentativa de conter o desenvolvimento de armas de destruição em massa pelo país persa.
No Iêmen, os EUA lançaram ataques contra rebeldes Houthis, em resposta aos ataques do grupo a embarcações comerciais no Mar Vermelho. De acordo com Trump, a missão tinha como objetivo proteger o fluxo do comércio global.
Na Síria e na Nigéria, os bombardeios miraram instalações ligadas ao Estado Islâmico, organização extremista com atuação tanto no Oriente Médio quanto na África. Já na América Latina, a ofensiva na Venezuela marcou uma escalada significativa da presença militar americana na região.
Lógica das intervenções: ataques pontuais e limitada presença direta
De acordo com Priscila Caneparo, as ações seguem uma lógica de intervenção pontual, evitando um envolvimento prolongado em guerras abertas. As operações buscam atingir centros de poder e infraestrutura considerados estratégicos para a influência dos EUA e de seus aliados.
Segundo a especialista, os objetivos principais não são manter conflitos em curso, mas intervir em pontos específicos capazes de redefinir correlações de força regionais. Em vez de grandes ocupações, a preferência recai sobre ataques cirúrgicos com alto valor simbólico e militar.
Cautela europeia e impacto sobre a diplomacia
A política externa de Donald Trump, marcada por decisões unilaterais, é observada com cautela por líderes europeus. Apesar das reservas, não há um confronto direto com Washington, que continua sendo visto como parceiro estratégico em negociações globais sensíveis.
Essa postura se reflete, por exemplo, nas tratativas de cessar-fogo em Gaza, nas quais assessores próximos a Trump tiveram participação relevante, e também nas negociações em torno do conflito na Ucrânia.
Conflitos em curso e protagonismo americano
A guerra iniciada pela Rússia há quatro anos reacendeu na Europa o temor de um conflito continental capaz de redesenhar fronteiras pela força — cenário considerado superado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Nesse ambiente, os Estados Unidos voltaram a exercer papel central como mediadores, ao mesmo tempo em que ampliam sua presença militar indireta em diferentes regiões. A combinação de pressão diplomática e capacidade bélica projeta Washington como ator indispensável em mesas de negociação e em operações militares.
Uma nova forma de intervir
Ao longo da campanha e do primeiro mandato, Trump criticou duramente seus antecessores por, segundo ele, arrastarem o país para guerras prolongadas. No segundo mandato, porém, passou a adotar uma estratégia própria de intervenção, baseada em incursões rápidas e em bombardeios de alvos selecionados.
Alinhada ao novo plano de segurança nacional, essa política trata a paz não apenas como um objetivo diplomático, mas também como oportunidade estratégica e de negócios no cenário internacional, reforçando a percepção de que cada operação militar carrega, ao mesmo tempo, peso geopolítico e impacto econômico.