Economia

Vídeo: Walmart amplia entregas por drones e mira mais de 100 lojas até 2026

Em parceria com a Wing, do grupo Alphabet, varejista expande serviço iniciado em Dallas-Fort Worth para Atlanta e projeta operação em cidades como Houston, Charlotte, Orlando e Tampa, com entregas leves em até 30 minutos

04/01/2026 às 10:38 por Redação Plox

O que há poucos anos soava como enredo de filme de ficção científica hoje faz parte da rotina em diversas cidades dos Estados Unidos. O Walmart, maior varejista do país, está colocando em prática um ambicioso programa de entregas por drones, redesenhando a logística de última milha e alterando as expectativas dos consumidores em relação à rapidez das entregas. A parceria estratégica com a Wing Aviation, subsidiária de tecnologia da Alphabet, empresa-mãe do Google, tornou-se um marco na indústria de varejo e logística.


Veja a operação das entregas por drones

Vídeo: Redes sociais


Entrega por drones deixa de ser teste e entra em operação em larga escala

Diferentemente de iniciativas limitadas a projetos-piloto ou promessas para o futuro, o programa de entregas aéreas do Walmart já opera em plena expansão. A rede mantém presença em múltiplas cidades americanas e segue um cronograma considerado agressivo de crescimento.

O serviço começou a ser testado e consolidado na região de Dallas-Fort Worth (DFW), no Texas, no outono de 2023, onde atingiu um volume de milhares de pedidos entregues por semana. O desempenho nessa praça abriu caminho para a expansão nacional que se observa agora.

Em dezembro de 2025, o Walmart levou o serviço à região metropolitana de Atlanta, na Geórgia, com lançamento oficial em 3 de dezembro. A própria Wing define Atlanta como “o primeiro grande mercado metropolitano” da sua expansão histórica em entregas por drone, apontando o caráter simbólico da entrada em uma grande área urbana.

Não é futuro; entrega pro drones já é realidade

Não é futuro; entrega pro drones já é realidade

Foto: Divulgação



De acordo com comunicado oficial do Walmart, a companhia pretende ativar o serviço em mais 100 lojas ao longo de 2026, alcançando cidades consideradas estratégicas, como Houston, Charlotte (Carolina do Norte), Orlando e Tampa (Flórida), além de ampliar a cobertura no Northwest Arkansas.


Drones em operação

Drones em operação

Foto: Redes sociais


Como funcionam os drones usados nas entregas

No centro da operação está o Wing Delivery Drone, um veículo aéreo não tripulado (VANT) com design que foge ao padrão dos drones comerciais mais conhecidos. Em vez do formato de quadricóptero tradicional, o modelo da Wing combina uma estrutura de asa fixa com rotores verticais, o que aumenta a eficiência energética e amplia o alcance.

A capacidade de carga é de até 3 libras (cerca de 1,4 kg), o que restringe o serviço a itens mais leves, mas ainda assim abrange uma parte significativa do sortimento do varejo. Já o desempenho em tempo de voo é um dos principais atrativos: a Wing informa tempos médios inferiores a 5 minutos no trajeto aéreo, com o pacote chegando à porta do cliente em aproximadamente 30 minutos após a confirmação do pedido.

Os drones operam normalmente dentro de um raio de 6 a 8 milhas a partir da loja do Walmart, cobrindo sobretudo áreas suburbanas e periurbanas, onde a densidade populacional é moderada e o espaço aéreo, mais previsível.


Uso dos drones promete mudar conceito de delivery

Uso dos drones promete mudar conceito de delivery

Foto: Redes sociais

O que o Walmart já entrega por drone

O serviço foi desenhado para atender a uma cesta específica de produtos, com foco em conveniência e urgência. Entre as categorias elegíveis para entrega por drone estão:

Itens de mercearia, como alimentos e bebidas leves; presentes de última hora, especialmente pequenos produtos para ocasiões especiais; bens de consumo do dia a dia, incluindo itens de higiene pessoal e artigos domésticos; e medicamentos de venda livre, como analgésicos, vitaminas e suplementos.

Os pedidos são feitos pelo aplicativo da Wing, que integra o catálogo do Walmart às opções de entrega rápida por drone, conectando escolha do produto, pagamento e logística aérea em uma única plataforma.

Por que o Walmart aposta em entregas aéreas

O uso de drones se insere em uma estratégia mais ampla de redução de custos e de diferenciação competitiva. Na prática, a operação aérea promete ser mais barata que a entrega tradicional sobre rodas em diversos cenários.

Enquanto um motorista de entrega costuma realizar entre 20 e 30 paradas em um dia, um único drone pode ser programado para múltiplas entregas em sequência, com custos menores de combustível e manutenção. A automação também reduz parte das despesas associadas à mão de obra e deslocamentos em áreas congestionadas.

O movimento é também uma resposta direta à pressão exercida pela concorrência. A Amazon vem testando seus próprios serviços de entrega por drone, e o avanço rápido do Walmart nesse campo ajuda a posicionar a rede como uma empresa de forte componente tecnológico em logística, reforçando a disputa por prazos cada vez mais curtos.

Na ponta, o consumidor é beneficiado com a promessa de entregas em cerca de 30 minutos, especialmente em situações de compra de última hora ou de necessidade imediata. Ao mesmo tempo, ao deslocar parte dos pedidos leves para os drones, o Walmart libera sua frota terrestre para volumes maiores e trajetos mais longos, otimizando toda a rede de distribuição.

Limitações, restrições e desafios regulatórios

Apesar do avanço, a tecnologia está longe de ser uma solução universal. Especialistas em logística apontam que a entrega aérea é pouco adequada a áreas hiper adensadas, repletas de arranha-céus e infraestrutura urbana complexa. O modelo funciona melhor em regiões suburbanas e rurais, onde edifícios são mais baixos e o espaço aéreo é menos disputado.

Essa característica ajuda a explicar a escolha de mercados de expansão como Atlanta, Charlotte, Orlando, Tampa e Houston — grandes metrópoles, mas com extensos cinturões suburbanos — em vez de cidades extremamente densas, como Nova York ou San Francisco.

A limitação de carga também impõe um recorte importante: com capacidade máxima de 3 libras, os drones ficam restritos a itens compactos e leves. Isso deixa de fora boa parte dos produtos volumosos que compõem o tíquete médio do varejo, ainda que uma fatia significativa do portfólio possa ser atendida pelo modal aéreo.

No campo regulatório, a operação depende de autorizações específicas da Federal Aviation Administration (FAA), que estabelece regras rígidas para voos de drones comerciais. As autorizações normalmente incluem restrições de horário, altitude e distância mínima de pessoas e propriedades, além de requisitos de segurança operacional.

Há ainda questões sociais em debate, como o impacto sonoro de frotas inteiras de drones voando de forma contínua, a preocupação com privacidade em áreas residenciais e o risco de colisões ou falhas técnicas em locais habitados.

Próximos passos e horizonte para 2026

Com os planos anunciados para incluir mais 100 lojas no programa em 2026, o Walmart sinaliza que não se trata de um experimento periférico, mas de uma estratégia de longo prazo. A tendência é que o serviço se aprofunde em mercados já atendidos e avance para novas regiões com perfil adequado.

Ao mesmo tempo, espera-se evolução tecnológica nos próprios drones da Wing, com melhorias em autonomia, precisão de navegação e, potencialmente, aumento na capacidade de carga, o que permitiria acomodar itens um pouco mais pesados e volumosos no futuro.

A perspectiva é que as entregas por drone sejam integradas a uma logística multimodal, na qual veículos terrestres, centros de distribuição e aeronaves não tripuladas operam de forma coordenada para encurtar prazos e reduzir custos, cada um atuando no trecho em que é mais eficiente.

Um novo patamar para a entrega de última milha

O programa de entregas por drone do Walmart já se consolidou como realidade em cidades selecionadas dos Estados Unidos. Com operações iniciadas em Dallas-Fort Worth em 2023 e expansão confirmada para Atlanta e outras regiões em 2025 e 2026, a rede mostra que a entrega autônoma aérea pode ser viável, escalável e economicamente sustentável em determinados contextos.

Os drones não substituem por completo as caminhonetes e vans de entrega, mas inauguram um novo patamar na logística de última milha para itens leves e urgentes. Para o consumidor, isso se traduz na possibilidade concreta de receber produtos em cerca de meia hora. Para o Walmart, representa uma vantagem estratégica em um mercado cada vez mais orientado pela velocidade e pela conveniência.

A realidade de 2025 indica que a era dos drones de entrega deixou de ser projeção futurista e passou a fazer parte do cotidiano de parte dos clientes do varejo americano.

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