OPAS emite alerta após disparada de casos de sarampo nas Américas; 2025 teve quase 15 mil registros
Baixa cobertura vacinal e infecções em não vacinados impulsionam o avanço; Brasil confirmou 38 casos em 2025, principalmente ligados à importação do vírus
04/02/2026 às 15:19por Redação Plox
04/02/2026 às 15:19
— por Redação Plox
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A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu, na terça-feira (3), um alerta epidemiológico diante do aumento expressivo de casos de sarampo nas Américas em 2025 e no início de 2026. Quase 15 mil infecções foram confirmadas no continente no ano passado, um salto superior a 30 vezes em relação a 2024. Somente nas três primeiras semanas deste ano, outros mil casos já foram registrados.
Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos de sarampo, distribuídos pelo Distrito Federal e seis estados.
Foto: Freepik
A maioria das infecções ocorreu em pessoas não vacinadas ou sem informação sobre o esquema vacinal. Crianças menores de cinco anos concentram as maiores taxas de incidência, com destaque para bebês com menos de um ano, considerados o grupo mais vulnerável às formas graves da doença.
O alerta também chama atenção para a queda na cobertura vacinal em diversos países das Américas. Em muitos deles, a aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — segue abaixo dos 95% recomendados para impedir a circulação do vírus.
México, Canadá e Estados Unidos lideram o número de casos na região. No Brasil, os registros confirmados em 2025 foram associados, em sua maior parte, à importação do vírus. Os casos ocorreram em diferentes estados e atingiram principalmente pessoas sem vacinação comprovada.
Países mais afetados e perfil dos infectados
Em 2025, o cenário nas Américas evidenciou concentração de casos em poucos países e forte relação com baixa cobertura vacinal.
Países com mais casos em 2025:
México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) figuram entre as nações com maior número de registros na região.
Mortalidade: Das 29 mortes notificadas, 22 (73%) ocorreram em populações indígenas, o que expõe a vulnerabilidade desses grupos e a necessidade de estratégias específicas de proteção.
Perfil dos infectados: 78% das pessoas que contraíram o vírus em 2025 não estavam vacinadas, reforçando o papel central da imunização no controle da doença.
Retrocesso no controle do sarampo nas Américas
O ano de 2025 marcou um retrocesso importante no controle do sarampo na região. Foram confirmados 14.891 casos e 29 mortes em 13 países, um aumento de 32 vezes em relação aos 466 casos notificados em 2024.
No Brasil, 38 casos foram confirmados em 2025, distribuídos pelo Distrito Federal e seis estados. Até as três primeiras semanas de 2026, o país não havia registrado novos infectados.
Distribuição dos casos no Brasil em 2025:
Tocantins: 25 casos; Mato Grosso: 6 casos; São Paulo e Rio de Janeiro: 2 casos cada; Distrito Federal, Maranhão e Rio Grande do Sul: 1 caso cada.
De acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o sequenciamento genético do vírus permite identificar a origem das infecções e diferenciar casos importados de uma eventual circulação sustentada no país.
Esses casos importados não se traduzem em circulação ativa do vírus. Dos 38 casos, a maioria foi no Tocantins, depois que uma família de caminhoneiros foi à Bolívia e voltou com sarampo, o que acabou gerando um surto em uma comunidade com baixíssima cobertura vacinal por questões religiosas, afirma o vice-presidente.Renato Kfouri
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação de país livre do sarampo, concedida pela OPAS. Segundo Kfouri, a recertificação foi possível não apenas pelas altas coberturas vacinais, mas também pela vigilância ativa, com busca de casos suspeitos, realização de exames e resultados negativos, demonstrando que o país investiga continuamente e não detecta circulação do vírus.
Ele afirma que a cobertura vacinal está entre 94% e 96%, mas ressalta que o principal desafio é ampliar a aplicação da segunda dose — uma das recomendações feitas após a última visita técnica. As coberturas são maiores na primeira dose e caem nas doses seguintes, em razão das taxas de abandono ao longo do esquema vacinal.
O que é o sarampo e quais são os sintomas
O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa, causada por um vírus transmitido por vias respiratórias. Já foi muito prevalente na infância de crianças brasileiras e pode provocar sequelas permanentes ou levar à morte.
Entre os sinais mais característicos estão manchas brancas na parte interna da bochecha e manchas vermelhas na pele, que surgem primeiro no rosto e, em seguida, se espalham em direção aos pés.
Outros sintomas comuns incluem tosse persistente, irritação nos olhos, coriza, febre, infecção nos ouvidos, pneumonia, diarreia, conjuntivite, perda de apetite e convulsões. O vírus pode comprometer as vias respiratórias e, em casos graves, atingir o encéfalo, causando infecções neurológicas.
Risco aumentado com viagens e Copa do Mundo de 2026
A circulação do vírus na região é fortemente influenciada pelo fluxo internacional de pessoas. Em 2025, 71% dos casos nas Américas estiveram relacionados à importação do vírus de outros continentes, como África e Mediterrâneo Oriental.
A OPAS destaca a Copa do Mundo da FIFA 2026 como um potencial fator de risco, em razão do grande deslocamento de turistas e do aumento de viagens internacionais no período. Nesse contexto, a vacinação prévia passa a ser considerada uma medida essencial de proteção individual e coletiva.
Entre as recomendações para viajantes estão:
1. Vacinação antecipada: pessoas com mais de 6 meses de idade devem receber a vacina pelo menos 14 dias antes da viagem.
2. Dose zero: bebês de 6 a 11 meses que se deslocarem para áreas com transmissão ativa devem receber a chamada “dose zero”, que não substitui o esquema de rotina aos 12 meses.
3. Monitoramento de sintomas: após o retorno, é importante ficar atento à ocorrência de febre, exantema (manchas vermelhas na pele), tosse, coriza ou conjuntivite.
Kfouri reforça que a vacinação não deve ser restrita a quem viaja. O esquema indicado é de duas doses para menores de 30 anos e uma dose para pessoas entre 30 e 60 anos, com a recomendação de que quem for viajar se vacine pelo menos 14 dias antes da partida, para garantir proteção adequada.