Dólar fecha estável a R$ 5,25 e Ibovespa recua 2,57% após bater recorde

Índice caiu para 180.902 pontos com realização de lucros, perdas em bancos e maior aversão ao risco no exterior, enquanto o dólar firme lá fora pressionou moedas emergentes

04/02/2026 às 18:24 por Redação Plox

O dólar terminou a quarta-feira (4/2) estável em relação ao real, cotado a R$ 5,25. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), registrava forte queda de 2,57%, aos 180.902 pontos, às 16h50. Na véspera, o indicador havia superado os 185 mil pontos, renovando recorde histórico.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik

Dólar firme com pressão externa e saída de recursos

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento da moeda americana frente ao real é influenciado principalmente pelo fortalecimento do dólar no mercado internacional, o que pressiona divisas de países emergentes.

O cenário doméstico também contribui, com sinais de retirada de capital da Bolsa após um início de ano marcado por forte entrada de recursos estrangeiros.

Na avaliação de Shahini, a combinação de dólar mais forte no exterior e bolsa em queda aponta para uma possível realocação de investimentos e um momento de consolidação dos ativos brasileiros, tanto no câmbio quanto na renda variável.

Realização de lucros pesa sobre o Ibovespa

No caso do Ibovespa, Bruno Perri, sócio da Forum Investimentos, destaca que o índice reagiu a um movimento de realização de lucros, quando investidores vendem ações após alcançarem determinado patamar de retorno.

Entre os destaques negativos do pregão estiveram as ações do Santander, que recuavam mais de 3% por volta das 17h. O papel reagia à divulgação do lucro líquido gerencial de R$ 4 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2024. Esse resultado desconsidera o ágio de aquisições.

O retorno sobre o patrimônio (ROE) do banco ficou em 17,6%, estável na comparação anual. Já a inadimplência avançou 0,5 ponto percentual em 12 meses, e as despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) subiram 2,9%.

“Bancões” recuam e arrastam outros setores

Nesse ambiente, as ações de outros grandes bancos, que têm peso relevante na composição do Ibovespa, também caíram. Por volta das 16h55, os papéis do Bradesco recuavam 4,03%, enquanto os do Itaú Unibanco tinham baixa de 3,85%.

Perri ressalta que outras companhias de grande representatividade no índice, como Petrobras e Vale, igualmente operavam em queda, ainda que de forma mais moderada. O movimento é visto como uma correção após a forte alta da véspera, mesmo diante da valorização das commodities de referência para as duas empresas.

Risco político, Banco Central e ambiente externo

As preocupações em torno da independência do Banco Central, em meio às indicações de novos diretores, também entram no radar dos investidores e reforçam o viés negativo do mercado.

No exterior, o dia foi de aversão ao risco, com as bolsas americanas em queda, puxadas pelo setor de tecnologia. Esse movimento favoreceu ativos considerados mais conservadores, como o dólar e o ouro, o que contribuiu para pressionar ainda mais os ativos brasileiros.

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