“Ninguém sabe o que é viver com um autista”, diz mãe de menino que caiu do 10º andar
Brenno, autista não verbal, teve fraturas nas pernas e pequena lesão no pulmão; mãe relata culpa e julgamento após o acidente
04/02/2026 às 08:27por Redação Plox
04/02/2026 às 08:27
— por Redação Plox
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Depois de ver o filho quase perder a vida, Paloma tenta agora lidar com uma nova dor: o julgamento. Mãe de Brenno, menino autista não verbal de 4 anos que caiu do décimo andar de um prédio em Ribeirão Preto (SP), ela conta que as críticas após o acidente foram mais cruéis do que imaginava.
Médicos explicam o que levou menino de 4 anos a sobreviver após cair do 10º andar de prédio
Foto: Fantástico/ Reprodução
Segundo Paloma, a rotina da família é de atenção permanente com o menino, que não tem amigos na escola e nunca foi chamado para festas de aniversário. Ela relata que, mesmo com todos os cuidados, o apontamento de culpa e o olhar julgador das pessoas não cessam.
A mãe admite que também enfrenta o próprio sentimento de culpa e diz que o trauma afetou seu sono e seu dia a dia. Apesar disso, enfatiza que não quer viver alimentando essa energia e faz questão de agradecer o apoio recebido, como doações de sangue e orações que ajudaram na recuperação do filho.
Em meio à dor, Paloma ainda deixa um alerta a outras famílias: a importância de redobrar a atenção em casa e de instalar proteção em janelas e banheiros, lembrando que muitas vezes as pessoas não têm dimensão do que uma criança é capaz de fazer.
Queda do 10º andar e resgate em poucos minutos
O acidente aconteceu em 27 de dezembro de 2025. Brenno, autista não verbal, caiu da janela do banheiro do apartamento em que mora com a família, no 10º andar de um prédio em Ribeirão Preto (SP). De acordo com o relato da mãe, ele escalou até a janela, deixando marcas de pés no local.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado e a ambulância chegou cerca de sete minutos depois ao prédio. A gravidade da queda chamou a atenção desde o primeiro momento, especialmente quando foi confirmado que ela havia ocorrido do décimo andar.
No hospital, os médicos constataram que a cabeça de Brenno apresentava apenas um trauma leve e estava intacta. O pulmão tinha uma pequena lesão, considerada pouco grave, e a coluna estava preservada. As principais consequências da queda se concentraram nos membros inferiores, com fraturas nos dois fêmures e nas duas tíbias.
O menino passou primeiro por um procedimento com fixadores externos para alinhar os ossos quebrados e, depois, por mais duas cirurgias, incluindo a colocação de pinos e placas. O impacto da altura, estimada em cerca de 30 metros, poderia ter sido fatal, mas algumas circunstâncias atuaram a favor da sua sobrevivência.
Fatores que ajudaram na sobrevivência de Brenno
Uma professora de ciências forenses da USP calculou que uma criança com o peso e a altura de Brenno, ao cair do 10º andar, chegaria ao solo a uma velocidade aproximada de 85 km/h. No caso dele, porém, a velocidade pode ter sido menor, segundo a polícia.
Isso porque o menino não caiu diretamente no chão. De acordo com o relato da família, ele bateu primeiro em uma janela que estava aberta e, em seguida, em um corrimão. Esses obstáculos funcionaram como forma de amortecimento, reduzindo a velocidade da queda e, consequentemente, o impacto final.
Outro fator decisivo foi a proximidade do hospital: a unidade para onde Brenno foi levado fica a apenas uma quadra de distância do prédio da família. O socorro foi rápido, feito por uma equipe especializada, em um hospital que é referência, o que evitou a necessidade de transferência para outro serviço e agilizou o tratamento cirúrgico.
A idade do menino também pesa a favor de sua recuperação. Os médicos explicam que a criança tem um tipo de osso diferente do adulto, ainda em formação, o que permite, em muitos casos, um remodelamento ósseo mais eficiente e uma cicatrização mais rápida das fraturas.
O caso foi registrado como acidente, e um laudo pericial está em elaboração para detalhar a dinâmica da queda e esclarecer todos os aspectos do ocorrido.