Justiça analisa pedido para exumar corpo de PM encontrada morta com tiro na cabeça em SP

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi achada morta no apartamento onde morava com o marido, no Brás; caso deixou de ser tratado como suicídio e passou a ser investigado como morte suspeita

04/03/2026 às 11:12 por Redação Plox

A Justiça de São Paulo analisa o pedido da Polícia Civil para exumar o corpo da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça no último dia 18, no apartamento em que morava com o marido, no Brás, região central da capital. A medida busca esclarecer dúvidas levantadas ao longo da investigação sobre as circunstâncias da morte da PM.


Pedido de exumação feito pela Polícia Civil de São Paulo busca compreender dúvidas sobre morte de PM.

Pedido de exumação feito pela Polícia Civil de São Paulo busca compreender dúvidas sobre morte de PM.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Até a manhã desta quarta-feira (4/3), a decisão judicial ainda não havia sido proferida. Segundo o advogado José Miguel Junior Silva, que representa a família da policial, os parentes não se opõem à exumação e sinalizam colaboração com o trabalho pericial.

Isso se deu em função do médico legista. Ele deve amparar dúvidas e viu essa possibilidade (exumação do corpo). A família é com pesar que vê uma situação dessa, pois não é fácil, mas não se opõe e está para colaborar

disse o advogado ao Metrópoles

Investigação sob sigilo e afastamento do marido

A Justiça determinou sigilo sobre o inquérito que apura a morte da policial. O marido de Gisele, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi afastado de suas funções enquanto o caso é investigado. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o próprio oficial solicitou o afastamento.


O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas a classificação foi alterada para morte suspeita. A arma usada no disparo que matou a policial pertencia ao tenente-coronel, com quem ela vivia no imóvel do Brás.


O esposo de Gisele, o tenente-coronel da Polícia Militar (PM), Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi afastado das funções enquanto o caso segue sendo investigado.

O esposo de Gisele, o tenente-coronel da Polícia Militar (PM), Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi afastado das funções enquanto o caso segue sendo investigado.

Foto: Reprodução / Redes sociais.

Discussão sobre preservação do local do crime

Em coletiva de imprensa concedida na terça-feira (3), o advogado da família afirmou que o apartamento onde Gisele foi encontrada morta se tornou um ponto de questionamento. Segundo ele, os parentes consideram que o local foi “contaminado e mexido” e não teria sido preservado de forma adequada para a investigação.


A família contesta a hipótese inicial de suicídio e sustenta que o comportamento recente da policial não era compatível com essa versão. O advogado declarou que, na avaliação dos parentes, Gisele “estava clamando por socorro”, era impedida de manter contato com familiares, tinha restrições para tomar decisões simples do cotidiano e demonstrava intenção de se separar.

Mensagens revelam acesso e monitoramento de redes sociais

Mensagens trocadas entre o tenente-coronel e um primo de Gisele foram anexadas ao material entregue pela família à investigação. Nos registros, o oficial afirma ter acesso às redes sociais da esposa e acompanhar as conversas dela.


O marido de Gisele monitorava suas redes sociais.

O marido de Gisele monitorava suas redes sociais.

Foto: Reprodução.


Em um dos trechos, ele se apresenta como marido da PM, informa que tem acesso às contas da policial e diz ter feito capturas de tela das conversas entre o primo e Gisele, demonstrando incômodo com a frequência dos contatos. O parente responde dizendo que conhece a policial desde a infância, nega qualquer intenção além de amizade e afirma que o diálogo não tinha nada além de uma conversa entre primos. O tenente encerra a troca de forma direta, reforçando que não queria que os dois continuassem conversando.

Versão do tenente-coronel à Polícia Civil

Em depoimento à Polícia Civil, o tenente-coronel relatou que havia pedido o divórcio e que a esposa teria reagido de maneira negativa, atentando contra a própria vida. Ele afirmou que o disparo ocorreu enquanto estava no banho.

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