Liquidante do Banco Master acusa Vorcaro, pai e irmã de desviarem mais de US$ 1 bilhão em fraudes

EFB Regimes Especiais de Empresas diz ter identificado esquema de transferências e operações que teriam dissipado patrimônio do banco e entrou com ação na Justiça dos EUA contra Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro Zettel.

04/03/2026 às 10:57 por Redação Plox

A empresa responsável pela liquidação do Banco Master afirma ter identificado um esquema de fraudes e transferências que teria dissipado mais de US$ 1 bilhão do patrimônio da instituição, o equivalente a bilhões de reais. A petição direciona o foco para a família de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, com acusações contra o pai e a irmã dele, além de menções a operações envolvendo pessoas e empresas ligadas ao entorno familiar. O caso foi levado à Justiça dos Estados Unidos e pode impactar diretamente a recuperação de valores devidos a credores no Brasil.

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, liquidados em 2025 pelo Banco Central

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, liquidados em 2025 pelo Banco Central

Foto: Reprodução


Liquidante mira família Vorcaro em ação nos EUA

A EFB Regimes Especiais de Empresas, responsável pela liquidação do Banco Master, ingressou com uma ação no sistema judicial norte-americano contra Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro Zettel, respectivamente pai e irmã de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco. O objetivo declarado é tentar reaver valores que teriam sido desviados por meio de um “esquema complexo” de fraudes e transferências.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o processo foi protocolado em 02/03/2026 no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida. Na narrativa apresentada pelo liquidante, operações com fundos de investimento e transações envolvendo empresas ligadas ao círculo familiar teriam sido usadas para pulverizar ativos e retirar recursos do banco, com pedidos para que esses valores retornem à massa em liquidação.

Entre os exemplos citados nas reportagens estão transferências associadas a fundos e a alegação de empréstimos supostamente fictícios que não teriam sido quitados, além de movimentações relacionadas a empresas do setor de saúde. As cifras mencionadas chegam a mais de US$ 1 bilhão, o que, em moeda local, representa valores na casa de bilhões de reais.

Alegações do liquidante e contexto regulatório

O que está documentado publicamente até agora é a existência da ação e o teor das alegações do liquidante, tal como descrito nas reportagens. A EFB sustenta que as transações questionadas teriam ocorrido sem “valor real” ou contrapartida equivalente, e pede à Justiça a restituição de montantes com o objetivo de recompor o patrimônio sob liquidação.

No Brasil, a liquidação extrajudicial do Banco Master foi determinada pelo Banco Central em 2025, com a nomeação de um liquidante e o bloqueio de bens de controladores e ex-administradores, conforme noticiado à época. Esse cenário é relevante porque, em processos desse tipo, a localização e recuperação de ativos, inclusive no exterior, é peça central para o pagamento de credores.

As acusações apresentadas até aqui são alegações em processo e ainda dependem de contraditório e de decisões judiciais, tanto nos EUA quanto no Brasil. Eventuais manifestações formais das pessoas mencionadas — como defesas, notas públicas ou posicionamentos de advogados — ainda estão em apuração para inclusão na cobertura com a versão do “outro lado”.

Consequências para credores, mercado e clientes

Para credores e investidores do Banco Master, a ação no exterior é vista como uma tentativa de ampliar as chances de recuperação de valores, caso a Justiça reconheça irregularidades e determine a devolução de recursos supostamente desviados.

Do ponto de vista do mercado financeiro, o caso aprofunda o escrutínio sobre governança corporativa, fiscalização e uso de estruturas como fundos de investimento em movimentações de grande porte, com potencial de influenciar a percepção de risco sobre produtos e instituições com perfis semelhantes.

Para clientes com valores cobertos por garantia, permanece central o papel do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) no ressarcimento dentro dos limites previstos, enquanto a liquidação extrajudicial e a apuração de responsabilidades civis, administrativas e eventualmente criminais seguem em paralelo.

Próximos passos na Justiça dos EUA e no Brasil

Nos Estados Unidos, o Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida deve analisar os pedidos iniciais apresentados pelo liquidante, incluindo eventuais medidas de preservação de ativos e o rito de tramitação do caso.

No Brasil, continuam as etapas ligadas à liquidação extrajudicial e às investigações já noticiadas, com possíveis desdobramentos em esferas policiais e judiciais. A cobertura tende a se concentrar, daqui em diante, em três frentes principais: a resposta formal dos acusados; as decisões sobre bloqueio e eventual recuperação de ativos; e o reflexo dessas medidas sobre credores e sobre o cronograma de pagamentos no âmbito da liquidação do Banco Master.

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