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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender mudanças na jornada de trabalho e afirmou que o debate sobre o fim da escala 6x1 deve ser construído por meio de negociação entre trabalhadores, empresários e governo. A declaração foi feita durante a 2ª Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo, e reforça a ideia de que uma eventual alteração poderá adotar regras diferenciadas por tipo de atividade, em vez de um único modelo para todos os setores.
Lula defende fim da escala 6x1
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Na noite de terça-feira (03/03/2026), Lula disse considerar mais vantajoso que trabalhadores e empregadores fechem um entendimento antes de o Congresso avançar com uma proposta em formato “aberto”, o que, na avaliação dele, poderia aumentar disputas judiciais.
Ele também sinalizou que o governo pretende buscar uma solução “bem pensada” e “harmonizada”, evitando “pender para um lado” e tentando equilibrar proteção ao trabalhador e impacto econômico. Nesse contexto, o presidente reforça a defesa de uma regra específica por categoria, argumentando que diferentes setores têm rotinas e necessidades distintas.
A possibilidade de calibrar a jornada conforme o tipo de atividade abre espaço para desenhos diversos de escala, a depender do segmento — como serviços com demanda noturna, entregas, indústria, comércio e áreas consideradas essenciais.
Em 05/02/2026, em entrevista repercutida pela comunicação oficial do governo, Lula já havia defendido o fim da escala 6x1 e a abertura de diálogo com parlamentares, trabalhadores e empresários para viabilizar a mudança na jornada de trabalho.
No Congresso, o tema avança em frentes paralelas. Na Câmara dos Deputados, há uma proposta de emenda à Constituição protocolada em 2025 que trata da alteração da jornada e do fim da escala 6x1. No Senado, uma outra PEC está pronta para deliberação em Plenário e prevê redução progressiva da jornada máxima semanal até 36 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado, substituindo o modelo 6x1 por um formato 5x2.
Se o debate ganhar ritmo, o impacto deve ser imediato em áreas com grande número de trabalhadores submetidos à escala 6x1, como comércio, serviços, alimentação, logística e parte da indústria. Na prática, a discussão pode alterar:
Do ponto de vista do trabalhador, o principal efeito em discussão é a possível ampliação do descanso semanal e a reorganização do tempo de trabalho, com reflexos em saúde, deslocamento e convivência familiar. O resultado concreto, porém, dependerá do formato que vier a ser aprovado no Congresso e de eventuais regras de transição.
Após o novo recado do Palácio do Planalto, a tendência é que o fim da escala 6x1 permaneça no centro da negociação entre governo, empresariado e centrais sindicais, com foco na construção de um modelo que permita regras específicas por categoria.
No Legislativo, o ritmo de análise das propostas vai depender de definição de pautas e relatorias na Câmara e da inclusão das PECs na agenda de votação do Senado, além de possíveis ajustes para acomodar tratamentos distintos por setor.
Até o momento, não há um texto único formulado pelo governo detalhando como funcionaria essa “regra específica” por categoria. As declarações de Lula indicam sobretudo uma direção política e a preferência por um desenho negociado, mas o formato final ainda será definido nas propostas legislativas e nos acordos que vierem a ser fechados entre representantes de trabalhadores e empresários.