Lula diz que fim da escala 6x1 será negociado com empresários e defende regra específica por setor
Em conferência em São Paulo, presidente afirmou que prefere um entendimento entre trabalhadores, governo e empregadores antes de o Congresso avançar com uma proposta “aberta”, citando modelos diferentes para cada tipo de atividade.
04/03/2026 às 07:30por Redação Plox
04/03/2026 às 07:30
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender mudanças na jornada de trabalho e afirmou que o debate sobre o fim da escala 6x1 deve ser construído por meio de negociação entre trabalhadores, empresários e governo. A declaração foi feita durante a 2ª Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo, e reforça a ideia de que uma eventual alteração poderá adotar regras diferenciadas por tipo de atividade, em vez de um único modelo para todos os setores.
Lula defende fim da escala 6x1
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula quer negociação antes de decisão no Congresso
Na noite de terça-feira (03/03/2026), Lula disse considerar mais vantajoso que trabalhadores e empregadores fechem um entendimento antes de o Congresso avançar com uma proposta em formato “aberto”, o que, na avaliação dele, poderia aumentar disputas judiciais.
Ele também sinalizou que o governo pretende buscar uma solução “bem pensada” e “harmonizada”, evitando “pender para um lado” e tentando equilibrar proteção ao trabalhador e impacto econômico. Nesse contexto, o presidente reforça a defesa de uma regra específica por categoria, argumentando que diferentes setores têm rotinas e necessidades distintas.
A possibilidade de calibrar a jornada conforme o tipo de atividade abre espaço para desenhos diversos de escala, a depender do segmento — como serviços com demanda noturna, entregas, indústria, comércio e áreas consideradas essenciais.
Posicionamento anterior do governo sobre a escala 6x1
Em 05/02/2026, em entrevista repercutida pela comunicação oficial do governo, Lula já havia defendido o fim da escala 6x1 e a abertura de diálogo com parlamentares, trabalhadores e empresários para viabilizar a mudança na jornada de trabalho.
No Congresso, o tema avança em frentes paralelas. Na Câmara dos Deputados, há uma proposta de emenda à Constituição protocolada em 2025 que trata da alteração da jornada e do fim da escala 6x1. No Senado, uma outra PEC está pronta para deliberação em Plenário e prevê redução progressiva da jornada máxima semanal até 36 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado, substituindo o modelo 6x1 por um formato 5x2.
Efeitos da mudança em setores que usam 6x1
Se o debate ganhar ritmo, o impacto deve ser imediato em áreas com grande número de trabalhadores submetidos à escala 6x1, como comércio, serviços, alimentação, logística e parte da indústria. Na prática, a discussão pode alterar:
• Escalas de fim de semana e feriados, em especial em atividades que funcionam de forma contínua.
• Custos e organização de turnos, com potencial reconfiguração de contratações, banco de horas, pagamento de horas extras e esquemas de revezamento.
• Negociações coletivas, já que a sinalização de Lula aponta para um peso maior de acordos por categoria, abrindo espaço para soluções diferentes conforme a realidade de cada setor.
Do ponto de vista do trabalhador, o principal efeito em discussão é a possível ampliação do descanso semanal e a reorganização do tempo de trabalho, com reflexos em saúde, deslocamento e convivência familiar. O resultado concreto, porém, dependerá do formato que vier a ser aprovado no Congresso e de eventuais regras de transição.
Negociação política e próximos movimentos
Após o novo recado do Palácio do Planalto, a tendência é que o fim da escala 6x1 permaneça no centro da negociação entre governo, empresariado e centrais sindicais, com foco na construção de um modelo que permita regras específicas por categoria.
No Legislativo, o ritmo de análise das propostas vai depender de definição de pautas e relatorias na Câmara e da inclusão das PECs na agenda de votação do Senado, além de possíveis ajustes para acomodar tratamentos distintos por setor.
Até o momento, não há um texto único formulado pelo governo detalhando como funcionaria essa “regra específica” por categoria. As declarações de Lula indicam sobretudo uma direção política e a preferência por um desenho negociado, mas o formato final ainda será definido nas propostas legislativas e nos acordos que vierem a ser fechados entre representantes de trabalhadores e empresários.